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Qual O Tema Do Mapa?

Qual é o tema do mapa Arqueogenética de Lagoa Santa?

Portanto, os dados arqueogenéticos indicam a existência de um componente populacional, ou onda migratória, que inclui os grupos Clovis, na América do Norte, e o Povo de Lagoa Santa, na América do Sul, que teve uma ampla dispersão geográfica durante o início do Holoceno, mas que parece ter deixado de existir há cerca de

Quem é o povo de Luzia?

Reconstrução facial – A primeira reconstrução facial de Luzia, uma mulher que viveu em Lagoa Santa (MG) há 12.500 anos, foi feita na década de 1990 pelo especialista britânico Richard Neave. As formas tiveram como base a teoria do professor Walter Neves, da USP, segundo o qual o povo de Luzia, que se refere ao conjunto fóssil encontrado em Minas Gerais no século 19, teria chegado à América antes dos ancestrais dos povos indígenas atuais.

A primeira leva, portanto, teria características africanas ou dos aborígenes australianos. A teoria usava como base de comparação a morfologia craniana que indicava que esse povo era muito diferente dos nativos atuais. O arqueólogo André Menezes Strauss, do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, que coordenou a parte brasileira do estudo, explica que a contribuição de Neves permitiu saber que havia diferenças entre os habitantes ancestrais e os indígenas recentes, mas os estudos genéticos – com as tecnologias atuais – desmontam a tese dele de que essa diferença se deu no processo migratório entre continentes.

«Essa conexão com essa população anterior da África não existiu. A diferença entre Lagoa Santa e os nativos atuais tem origem dentro da própria América», disse. O novo rosto de Luzia foi feito por Caroline Wilkinson, da Liverpool John Moores University, na Inglaterra, especialista em reconstrução forense e discípula de Neave.

  • Os descendentes da corrente migratória ancestral que chegou pela América do Norte se diversificaram em duas linhagens há cerca de 16 mil anos.
  • Os integrantes de uma das linhagens cruzaram o istmo (pequena porção de terra) do Panamá e povoaram a América do Sul em três levas consecutivas e distintas.
  • A primeira leva ocorreu entre 15 mil e 11 mil anos atrás, e a segunda se deu há, no máximo, 9 mil anos.

O estudo aponta a presença de DNA fóssil das duas migrações em todo o continente sul-americano. A terceira leva é mais recente – cerca de 4,2 mil anos – e se fixou de forma concentrada nos Andes centrais. Os dados genéticos mostram que o povo de Luzia tem forte conexão com a cultura Clóvis, uma linhagem de humanos que fez o trajeto norte-sul há cerca de 16 mil anos.

Não se sabia até então que esse grupo havia migrado para o sul. Essa população, no entanto, não perdurou por muito tempo. «A partir de cerca de 9 mil anos atrás ela desaparece, sendo substituída pelos ancestrais diretos dos grupos indígenas que habitavam o Brasil durante o período colonial», indica o estudo.

Não são conhecidos os motivos que levaram ao desaparecimento dos grupos Clóvis.

O que seria a teoria de Lagoa Santa?

MAURICIO DE PAIVA Um abrigo em meio ao Cerrado, a Lapa do Santo parece ter sido um importante centro de rituais ligados à morte MAURICIO DE PAIVA Uma abertura na face de um penhasco em meio ao Cerrado na região de Lagoa Santa, Minas Gerais, tem revelado surpresas a arqueólogos, biólogos e antropólogos.

Essa caverna, a Lapa do Santo, já foi um importante centro de rituais ligados à morte, como revelam escavações descritas em artigo em processo de publicação na revista Antiquity, uma das mais prestigiadas da área. Padrões de sepultamento complexos, com desmembramento de corpos e disposição seguindo regras precisas, revelam uma sucessão de culturas muito distintas em um período que se considerava homogêneo, por volta de 10 mil anos atrás.

«O maior mérito foi enxergar essas transformações culturais ao longo do tempo, que por algum motivo ninguém tinha percebido», avalia o arqueólogo brasileiro André Strauss, professor visitante na Universidade de Tübingen e doutorando no Instituto Max Planck, ambos na Alemanha, autor principal do artigo.

  • O estudo vai além da morte e permite uma espiadela em como viviam e quem eram essas pessoas.
  • Strauss sentiu que ali havia algo especial no primeiro ano do curso de geologia na Universidade de São Paulo (USP), quando teve sua primeira expedição de campo como estagiário do bioantropólogo Walter Neves, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), em 2005.

«Eu ficava no fundo de uma trincheira de 2 metros de profundidade, cavando e peneirando o que encontrava.» Foi desse posto que Strauss se encantou com o que havia por descobrir ali e queria fazer algo diferente de se concentrar na medição de crânios e na busca por indícios de coexistência com grandes animais, a megafauna.

Esse era o foco das pesquisas realizadas ainda no século XIX, quando o naturalista dinamarquês Peter Lund descobriu ossos humanos associados aos de grandes animais numa caverna de Lagoa Santa e iniciou uma tradição de escavação no que se tornou uma das mais longevas regiões arqueológicas no país. Cinco anos depois, já no mestrado sob a orientação de Neves, Strauss viu que havia alguma ordem na confusão aparente do sítio: o que parecia uma mistura de ossos sem sentido na verdade seguia um padrão.

«É difícil perceber as sutilezas, os sepultamentos são muito complexos.» «Isso foi possível porque o Walter inverteu a ordem habitual dos procedimentos de campo», afirma Strauss. A arqueologia brasileira, segundo ele, concentra-se em artefatos, de maneira geral, e apenas chama especialistas em fósseis humanos quando ossos são encontrados.

«Muitos esqueletos são danificados no processo.» Nos projetos de Neves, que desde 1988 analisa a evolução humana na América, com estudo de caso nessa região, são os bioantropólogos que coordenam a escavação e documentam tudo o que aparece, com especialistas para analisar os artefatos – na Lapa do Santo, lascas de pedra e ferramentas de osso como espátulas, buris e (raramente) anzóis.

Nessa caverna, onde há paredes decoradas com desenhos em relevo que indicam rituais de fertilidade (imagens fálicas), o resultado foi marcante. Strauss, Neves e colegas identificaram três períodos distintos de ocupação humana, o mais antigo entre 12,7 mil e 11,7 mil anos atrás.

Entre 2001 e 2009, foram exumados e analisados 26 sepultamentos humanos ocorridos aproximadamente entre 10.500 e 8 mil anos atrás que revelam práticas mortuárias altamente variáveis e nunca antes descobertas nas terras baixas da América do Sul, descritas no artigo da Antiquity e em outro assinado apenas por André Strauss, publicado na edição de janeiro-abril do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi,

«Existiram práticas funerárias altamente sofisticadas nos Andes», conta Neves, «mas as múmias chilenas já estudadas são mais recentes do que o material da Lapa do Santo». Outra distinção é que na caverna mineira não há oferendas mortuárias, enquanto a prática habitual de caçadores-coletores era sepultar os mortos acompanhados ao menos de seus pertences. Rituais de morte O padrão de sepultamento mais antigo, datado entre 10.600 e 9.700 anos atrás, foi descrito com base em um homem e uma criança de cerca de 5 anos, ambos enterrados inteiros. A criança foi posta sentada, com as pernas dobradas e os joelhos próximos à cabeça.

  • A mandíbula afastada, como se a boca estivesse aberta, indica que a cova não foi completamente preenchida.
  • A remoção de partes dos cadáveres em seguida à morte caracteriza o período seguinte, entre 9.600 e 9.400 anos atrás.
  • Representado por sete sepultamentos, mais alguns ossos avulsos, esse conjunto ficou descrito como o segundo padrão.

Alguns dos esqueletos estavam articulados, mas com partes faltando. Um caso marcante foi o de um homem cuja cabeça parece ter sido removida horas depois da morte e enterrada com as duas mãos (também decepadas, como atestam marcas de corte em ossos do punho) cobrindo o rosto – uma voltada para cima e outra para baixo, como Strauss e colaboradores descreveram em 2015 na revista PLoS One,

Outros esqueletos estavam completamente desmembrados e arrumados em fardos, indicando que os ossos foram armazenados juntos, talvez embrulhados, e enterrados apenas depois de descarnados e secos. Muitos dos ossos isolados também passaram por alterações como queima, cortes, aplicação de pigmento vermelho e remoção dos dentes.

Em alguns casos, eram combinados ossos de criança (uma ou duas) com o crânio de um adulto, ou vice-versa, de uma maneira que sugere regras muito precisas de como esse sepultamento deveria acontecer. Dentes removidos também eram sepultados com os restos mortais de outra pessoa.

O terceiro padrão de sepultamento, datado entre 8.600 e 8.200 anos atrás, envolve nove ossadas dispostas completamente desarticuladas em covas circulares (entre 30 e 40 centímetros de diâmetro) e apenas 20 centímetros de profundidade. Cada cova, preenchida por inteiro, abrigava um único indivíduo. No caso dos adultos, os ossos mais longos em geral eram quebrados após a morte e só assim cabiam nas exíguas tumbas.

Mesmo em meio a tantos desmembramentos, não há indícios de que a violência em vida fosse uma prática corrente. «Nós lemos os ossos, tudo fica registrado neles», conta Strauss. E eles guardam níveis muito baixos de fraturas recompostas, que indicariam terem acontecido em vida.

  • De maneira geral, Strauss considera que os achados representam uma mudança no paradigma de como se vê a habitação humana por ali nesse período, o início do Holoceno.
  • Por muito tempo a grande questão era se a Luzia era a mais antiga da América e se era parecida com africanos», afirma, referindo-se ao crânio de 11 mil anos descrito por Neves e que redefiniu como se deveria pensar a ocupação humana dessa região.

«Agora sabemos que não houve um povo de Luzia em Lagoa Santa; foi uma sucessão de povos que habitaram a região com transformações culturais muito claras.» Afinal, trata-se de um período de cerca de 5 mil anos, tempo suficiente para povoamentos muito diversos, mesmo que fossem até certo ponto descendentes uns dos outros.

  1. Estudos com DNA devem em breve começar a render resultados e trazer algumas respostas sobre como esses grupos se sucederam e qual o parentesco entre eles.
  2. A morfologia craniana mostra que eles tinham a mesma ‘arquitetura’ geral», conta Walter Neves.
  3. Há uma variação contínua nesse grande grupo que ele define como paleoamericano.

De acordo com sua teoria, de que duas migrações distintas deram origem aos habitantes da América, as primeiras pessoas com características asiáticas teriam chegado por ali há cerca de 7 mil anos – e não há resquícios humanos em Lagoa Santa datados entre 7 mil e 2 mil anos atrás.

  1. Mesmo assim, o que há de indícios de lá e de outros lugares aos poucos vem refinando a hipótese.
  2. Eu achava que a segunda leva migratória teria substituído o povo de Luzia», admite.
  3. Mas hoje temos evidências muito fortes de que aquela morfologia sobreviveu praticamente intacta até o século XIX.» É o caso, por exemplo, dos índios Botocudos (que foram dizimados no período colonial), de acordo com crânios armazenados no Museu Nacional do Rio de Janeiro, como defendem Strauss, Neves e colegas em artigo publicado em 2015 na revista American Journal of Physical Anthropology,

Práticas de vida Desde o início do doutorado, em 2011, Strauss coordena os trabalhos na Lapa do Santo, com financiamento alemão. A riqueza arqueológica garante o interesse da colaboração pelos dois países, que inclui parcerias para estudos genéticos. A contrapartida brasileira no projeto é Walter Neves, e seu Laboratório de Estudos Evolutivos e Ecológicos Humanos (LEEEH) recebe todo o material coletado nas expedições.

Nos últimos anos, não foram encontrados vestígios de cerâmica no local, um indício forte de que eram populações de caçadores-coletores que moravam ali uma parte do tempo, e não agricultores, corroborando o que já se acreditava. Os animais caçados eram peixes, lagartos, roedores, tatus, porcos selvagens e pequenos cervos, todos carregados inteiros para a caverna.

Nada de bichos um pouco maiores, como antas, e dos imensos mamíferos representantes da megafauna, que se acreditava associada aos humanos de Lagoa Santa desde que Peter Lund encontrou essa associação em outra caverna da região, entre 1835 e 1844. Nem sempre, pelo jeito.

  1. Eles comiam até mocó», exclama Neves, referindo-se ao roedor pouco maior do que um porquinho-da-índia.
  2. Para ele, não há nada mais precário do que incluir esses animais na dieta, indicação de que os grupos de Lagoa Santa não tinham melhores fontes de proteína à disposição e viviam numa situação limite para garantir a subsistência.

É uma teoria apenas, mas a escassez de pertences nos sepultamentos pode ser sinal de que não havia espaço para desperdício, e as ferramentas – como anzóis, de que só foram encontrados sete na Lapa do Santo – eram necessárias aos vivos. «O tempo deles era dedicado a viabilizar a existência do grupo», especula Neves.

  1. E eram grandes grupos, estima ele.
  2. O modo de vida pode estar agora mais definido, mas a conclusão também propõe um enigma: análises químicas que refletem a dieta por meio da quantificação de isótopos de carbono e nitrogênio, feitas pelo biólogo brasileiro Tiago Hermenegildo como parte do doutorado na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, mostraram que os habitantes da região comiam muitos vegetais e complementavam a dieta com caça.

Esse alto grau de consumo de vegetais é inesperado para caçadores-coletores, sobretudo com a dieta rica em carboidratos indicada pelas frequentes cáries nos dentes encontrados. O dentista Rodrigo Elias de Oliveira, pesquisador do grupo de Neves, é coautor de um artigo liderado por Pedro Tótora da Glória, também do LEEEH, sobre a saúde dental na Lapa do Santo, a ser publicado na revista Annals of the Brazilian Academy of Sciences,

  1. Parceiro de Strauss desde 2006 nas escavações da Lapa do Santo, Elias explica as discrepâncias entre a incidência de cáries que tem observado e a documentada para outras populações de caçadores-coletores por ser Lagoa Santa uma região de clima tropical, com vegetação de Cerrado.
  2. Os outros exemplos que temos são de climas temperados», compara.

«Aqui os alimentos naturalmente disponíveis – muitas frutas e tubérculos – podem gerar mais cáries.» Ele aposta no pequi e no jatobá, muito usados até hoje na região, como uma fonte alimentar já naquele tempo. São frutos ricos em carboidratos e fragmentos carbonizados foram encontrados nos sítios de Lagoa Santa. Entrevista: André Strauss 00:00 / 31:57 Elias, que fez doutorado com Walter Neves e agora realiza estágio de pós-doutorado em periodontia na Faculdade de Odontologia da USP, traz ao projeto um detalhamento no estudo dos dentes, cujo material mais resistente do que os ossos os torna abundantes em sítios arqueológicos.

  1. O dente é como uma cápsula, acaba virando nosso cofrinho», afirma.
  2. Ele explica que os ossos se renovam constantemente, a ponto de se dizer que a cada 10 anos uma pessoa substitui seu esqueleto por inteiro.
  3. Os dentes de um adulto, no entanto, são testemunho do período da vida em que se formam os dentes permanentes.

Ele espera que estudos com isótopos, em andamento agora em colaboração com Hermenegildo, ajudem a aprofundar aspectos da dieta até o detalhe de que tipos de planta comiam, de migrações ao longo da vida, de quanto tempo as crianças eram alimentadas com leite materno.

  1. O dentista adianta que isótopos de estrôncio, assim como o formato do fêmur, que responde à ação da musculatura, indicam que as pessoas encontradas na Lapa do Santo eram nativas de Lagoa Santa.
  2. Eles tinham mobilidade, mas não eram errantes.» Chão de cinzas A inferência de intensa ocupação humana vem da confirmação de que muitas fogueiras foram acesas na Lapa do Santo.

«Eles usavam fogo o tempo todo, sabiam o que estavam fazendo», afirma a arqueóloga Ximena Villagran, do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP. Ela fez análises ao microscópio do sedimento da caverna e mostrou uma grande quantidade de cinzas até uma profundidade de 1 metro, conforme mostra em artigo publicado em julho no site da revista Journal of Archaeological Science,

  • Mais do que controlar o fogo, os habitantes da região aparentemente planejavam seu uso, armazenando madeira em processo de decomposição.
  • Esse nível de detalhe é possível graças a análises de petrologia orgânica, uma técnica que recentemente passou a ser usada em arqueologia, à qual Ximena teve acesso por meio da parceria com o geólogo francês Bertrand Ligouis durante estágio de pós-doutorado na Universidade de Tübingen, onde ele dirige o Laboratório de Petrologia Orgânica Aplicada.

Outra técnica de ponta usada por ela foi a Espectrometria de Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR), normalmente usada para analisar sedimento solto. Ximena dispôs suas amostras em lâminas de vidro, de maneira que conseguia investigar com precisão por que o sedimento é composto por agregados de vários tons de amarelo, laranja e vermelho.

Ao caracterizar o sedimento dentro da caverna e em torno dela, ficou claro que a produção de cinzas acontecia dentro do abrigo. Ela também identificou fragmentos de cupinzeiros, indicando que por algum motivo o material era trazido para dentro da caverna. «Talvez eles os usassem como pedras quentes para cozinhar ou como forno do lado de fora, como os xavantes usam para fazer seu bolo de milho», especula.

Depois da revelação na escala microscópica, passou a dar-se conta de que os campos de Lagoa Santa são repletos de cupinzeiros. Um enigma surgiu ao verificar que a coloração vermelho-escura que observava em certas partes do sedimento teria exigido altas temperaturas, mais de 600 graus Celsius (°C).

Em experimentos nos quais acendia fogueiras e inseria nas chamas um termômetro de cabo bem longo, Ximena verificou que o solo embaixo do fogo não era sujeito a tão altas temperaturas. A explicação literalmente lhe caiu na cabeça na segunda vez em que visitou o sítio arqueológico. «Percebi que uma chuva de sedimento cai do paredão de rocha acima da entrada da caverna», conta.

Se caíssem diretamente sobre uma fogueira, essas partículas encontrariam temperaturas entre 800 °C e 1000 °C. ADRIANO GAMBARINI André Strauss em sua mesa de trabalho na Lapa do Santo ADRIANO GAMBARINI Ao analisar a microestrutura do sedimento em torno dos sepultamentos, Ximena percebeu uma continuidade perturbada em certos pontos, como se alguém tivesse cavado para fazer uma cova.

Ela pretende continuar as análises para detalhar como os sepultamentos eram feitos. Strauss também quer saber se as práticas funerárias sofisticadas só existiam na Lapa do Santo: ele aposta que era uma cultura mais disseminada. «Fui olhar as publicações passadas e os sinais estão lá, faltou analisar dessa maneira», afirma o arqueólogo, que quer ampliar os estudos para outras regiões do país.

Uma limitação é que o que já foi escavado não pode ser recuperado, a não ser que a documentação tenha sido extremamente meticulosa. E até recentemente os registros eram falhos, até por falta de recursos. «Fazer uma escavação é como ler um livro e queimar as páginas», compara Strauss, que se especializou em documentação arqueológica.

  1. Ele conta que retirar um sepultamento leva de 20 a 25 dias, nos quais o sedimento é retirado aos poucos enquanto se gera um modelo tridimensional dos achados e registra-se tudo com fotos e vídeo.
  2. As cadernetas de campo dos arqueólogos, segundo ele, devem trazer as informações e observações detalhadamente e serem públicas: nada de diário pessoal.

«Essa percepção ainda está crescendo na arqueologia brasileira.» De 2011 para cá mais 11 sepultamentos foram exumados, corroborando os padrões descritos anteriormente, e estão em processo de estudo. As escavações continuam na Lapa do Santo e prometem revelar ainda outras camadas de tempo e costumes.

De acordo com o arqueólogo norte-americano Kurt Rademaker, professor na Universidade do Norte de Illinois e especialista em caçadores-coletores, o trabalho em Lagoa Santa está se somando ao que é feito na região dos Andes em revelar uma grande diversidade cultural. «Strauss e sua equipe interdisciplinar estão fazendo ciência arqueológica de ponta e enriquecendo nosso conhecimento sobre a aparência física, a ancestralidade e os modos de vida dos sul-americanos antigos, em particular suas interessantíssimas práticas rituais», afirma.

É impossível saber o que se passava na cabeça desses antigos habitantes do que hoje é Minas Gerais, mas a equipe envolvida nos estudos está empenhada em construir um retrato aproximado. Projeto Origens e microevolução do homem na América: Uma abordagem paleoantropológica (III) ( nº 2004/01321-6 ); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Temático; Pesquisador responsável Walter Alves Neves (IB-USP); Investimento R$ 2.032.930,19.

  1. Artigos científicos STRAUSS, A. et al,
  2. Early Holocene funerary complexity in South America: The archaeological record of Lapa do Santo (east-central Brazil).
  3. Antiquity, No prelo.
  4. DA-GLORIA, P.J.T. et al,
  5. Dental caries at Lapa do Santo, central-eastern Brazil: An Early Holocene archaeological site,
  6. Annals of the Brazilian Academy of Sciences,

No prelo. STRAUSS, A. et al. Os padrões de sepultamento do sítio arqueológico Lapa do Santo (Holoceno Inicial, Brasil), Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas,v.11, n.1, p.243-76. jan.-abr.2016. STRAUSS, A. et al. The oldest case of decapitation in the New World (Lapa do Santo, east-central Brazil),

PLoS One, set.2015. STRAUSS, A. et al. The cranial morphology of the Botocudo indians, Brazil, American Journal of Physical Anthropology,v.157, n.2, p.202-16. jun.2015. VILLAGRAN, X.S. et al. Buried in ashes: Site formation processes at Lapa do Santo rockshelter, east-central Brazil, Journal of Archaelogical Science,

On-line.26 jul.2016. Republicar

Onde o povo de Lagoa Santa viveu?

Luzia e seu povo viveram na atual região de Lagoa Santa, estado de Minas Gerais. Andavam em grupos de até 25 pessoas, eram nômades, tinham acampamento base e alguns acampamentos mais distantes, construíram palhoças como moradias e dormiam em cavernas.

Qual era a aparência de Luzia?

Uma mulher de 20 anos – Estudos de datação apontaram que o fóssil abrigado no Museu Nacional era uma mulher que estava na faixa dos 20 anos quando morreu, tinha 1,5m de altura e possuía traços negroides, com nariz largo e olhos arredondados. A reconstituição de seu rosto foi feita em 1999, por pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra, que usaram como base o crânio.

O fóssil gerou ainda a denominação Povo de Luzia, que se refere aos primeiros homens e mulheres que habitaram a região arqueológica de Lago Santa. Porém, sabe-se, hoje, que o grupo ao qual Luzia pertenceu foi apenas um dos vários povos que viveram no lugar em diferentes períodos, vivendo da caça de animais de pequeno e médio portes e da coleta dos recursos vegetais disponíveis na região.

Tudo isso faz com que Luzia seja um tesouro não só brasileiro, mas mundial, uma peça-chave da história humana, avalia Mercedes Okumura, coordenadora do Laboratório de Estudos Evolutivos da Universidade de São Paulo (USP). «É uma situação extremamente decepcionante, porque esses materiais não pertencem apenas ao museu, mas à humanidade.

Todos perdem, não só o Rio de Janeiro», afirma. «Acredito que a Luzia tenha sido uma das peças mais icônicas perdidas nessa tragédia. Ela faz parte da discussão dos povoamentos das Américas, fez com que discutíssemos mais esse tema e foi uma das maiores fontes de produção científica do país», completa.

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Quanto tempo Luzia viveu?

O fóssil de ‘Luzia’, como foi chamada a ossada da jovem encontrada nesse sítio, foi submetido ao teste Carbono 14, estimando-se sua idade. Pelas análises do cientista, ela morreu jovem, com cerca de 20 anos e há aproximadamente 11.500 anos.

Onde Luzia viveu?

Foi de acordo com essa hipótese que se modelou a famosa reconstrução facial de Luzia, nome dado ao crânio de uma mulher que viveu em Lagoa Santa há 12.500 anos e, por isso, carinhosamente chamada de ‘a primeira brasileira’.

O que aconteceu com o povo de Luzia?

Peter Moon | Agência FAPESP – A história do povoamento das Américas acaba de ganhar uma nova interpretação. O maior e mais abrangente estudo já feito a partir de DNA fóssil, extraído dos mais antigos restos humanos achados no continente, confirmou a existência de um único contingente populacional ancestral de todas as etnias ameríndias, passadas e presentes.

  1. Há mais de 17 mil anos, os membros daquele contingente original cruzaram o estreito de Bering, da Sibéria para o Alasca, para então povoar o Novo Mundo.
  2. O DNA fóssil indica que os integrantes daquela corrente migratória tinham afinidade com os povos da Sibéria e do norte da China, ou seja, não possuíam DNA africano ou da Australásia, como indicava a teoria tradicional.

Uma vez na América do Norte, é o que revela o novo estudo, os descendentes daquela corrente migratória ancestral se diversificaram em duas linhagens há cerca de 16 mil anos. Os membros de uma das linhagens cruzaram o istmo do Panamá e povoaram a América do Sul em três levas consecutivas e distintas.

A primeira dessas levas ocorreu entre 15 mil e 11 mil anos atrás e a segunda se deu há no máximo 9 mil anos. Há registros do DNA fóssil de ambas as migrações em todo o continente sul-americano. Uma terceira leva é bem mais recente e de influência restrita, pois se deu há 4,2 mil anos, e seus membros se fixaram nos Andes centrais.

O estudo foi publicado na revista Cell por um grupo de 72 pesquisadores de oito países, pertencentes a instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Harvard University, nos Estados Unidos, e o Instituto Max Planck, na Alemanha. Os resultados da pesquisa sugerem que, na linhagem de humanos a executar o trajeto norte-sul entre 16 mil e 15 mil anos atrás, seus membros pertenciam à chamada cultura Clóvis, o nome dado a um conjunto de sítios arqueológicos que têm entre 13,5 mil e 11 mil anos, todos situados no oeste dos Estados Unidos.

  • Clóvis é o nome da pequena cidade no Novo México onde foram descobertas, nos anos 1930, as primeiras pontas de flecha de pedra lascada cujo formato se tornou um identificador da cultura homônima.
  • Na América do Norte, a cultura Clóvis está associada à caça da megafauna pleistocênica, como preguiças gigantes e mamutes.

Com o declínio e a extinção da megafauna, há 11 mil anos, aquela cultura eventualmente desapareceu. Muito antes disso, entretanto, bandos de caçadores-coletores, ao explorar novas áreas de caça cada vez mais ao sul, eventualmente acabaram por ocupar a América Central, como comprova o DNA fóssil de 9,4 mil anos de um humano de Belize analisado no novo estudo.

  • Posteriormente, talvez em perseguição a manadas de mastodontes, bandos de caçadores-coletores Clóvis cruzaram o istmo do Panamá para invadir e se espalhar pela América do Sul, como evidenciam os registros genéticos de enterramentos humanos no Brasil e no Chile agora revelados.
  • Tal evidência genética vem corroborar evidências arqueológicas conhecidas, como o sítio Monte Verde, no sul do Chile, onde humanos esquartejavam mastodontes há 14,8 mil anos.

Entre os diversos sítios Clóvis conhecidos, o único enterramento humano associado às ferramentas da cultura fica no estado de Montana. Lá foram achados os restos de um menino – apelidado de Anzick-1 – com cerca de 12,6 mil anos. O DNA extraído de seus ossos está relacionado ao DNA dos esqueletos do povo de Lagoa Santa, um grupo de humanos antigos que habitou o Brasil central – mais especificamente as grutas no entorno de Lagoa Santa (MG) – entre 10 mil e 9 mil anos atrás.

Em outras palavras, o povo de Lagoa Santa descende em parte dos migrantes da cultura Clóvis da América do Norte. «Do ponto de vista genético, o povo de Lagoa Santa descende dos primeiros ameríndios», disse o arqueólogo André Menezes Strauss, do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, que coordenou a parte brasileira do trabalho.

«Surpreendentemente, os membros daquela primeira linhagem de sul-americanos não deixaram descendência identificável entre os povos ameríndios atuais. Em torno de 9 mil anos atrás, seu DNA desapareceu completamente das amostras fósseis. Foi substituído pelo DNA da primeira leva migratória, anterior à cultura Clóvis, da qual descendem todos os ameríndios vivos.

  1. Ainda não sabemos os motivos que levaram ao desaparecimento do estoque genético do povo de Lagoa Santa», disse.
  2. Uma possibilidade para o sumiço do DNA da segunda migração, encontrado no DNA do povo de Lagoa Santa, é que tenha se diluído em meio ao DNA dos ameríndios descendentes dos integrantes da primeira leva populacional, tornando-se não identificável pelos métodos atuais da pesquisa genética.

De acordo com a geneticista Tábita Hünemeier, do Instituto de Biociências (IB) da USP, que participou da pesquisa, «um dos principais resultados do trabalho foi a identificação do povo de Luzia como sendo uma população geneticamente relacionada à cultura Clóvis, o que desfaz a ideia dos dois componentes biológicos, da possibilidade de ter havido duas migrações para as Américas, uma com traços mais africanos e a outra com traços mais asiáticos».

  • O povo de Luzia seria resultado de uma leva populacional originária da Beríngia», disse, referindo-se à ponte de terra hoje submersa que, durante a era do gelo, quando o nível dos mares era muito mais baixo, ligava a Sibéria ao Alasca.
  • De 9 mil anos para cá, os dados moleculares sugerem que houve uma substituição populacional na América do Sul.

Os membros do povo de Luzia desapareceram, sendo substituídos pelos ameríndios atuais, muito embora ambos tenham tido uma origem comum, na Beríngia», disse Hünemeier. Contribuição brasileira O trabalho dos pesquisadores brasileiros contribuiu de forma fundamental para o estudo.

  • Entre 49 indivíduos dos quais se extraiu DNA fóssil, sete esqueletos com idades entre 10,1 mil e 9,1 mil anos são provenientes da Lapa do Santo, um abrigo rochoso em Lagoa Santa.
  • Aqueles sete esqueletos, ao lado de dezenas de outros, foram achados e desenterrados em campanhas arqueológicas sucessivas no local, lideradas primeiramente pelo antropólogo físico Walter Alves Neves, do IB-USP, e desde 2011 por Strauss.

As campanhas arqueológicas movidas por Neves entre 2002 e 2008 foram financiadas pela FAPESP, Ao todo, o novo estudo investigou o DNA fóssil de 49 indivíduos, provenientes de 15 sítios arqueológicos situados na Argentina (2 sítios, 11 indivíduos com idades entre 8,9 mil e 6,6 mil anos), Belize (1 sítio, 3 indivíduos, idades entre 9,4 mil e 7,3 mil anos), Brasil (4 sítios, 15 indivíduos, idades entre 10,1 mil e 1 mil anos), Chile (3 sítios, 5 indivíduos, idades entre 11,1 mil e 540 anos) e Peru (7 sítios, 15 indivíduos, idades entre 10,1 mil e 730 anos).

Os esqueletos brasileiros são provenientes dos sítios arqueológicos Lapa do Santo (7 indivíduos com cerca de 9,6 mil anos), do sambaqui Jabuticabeira 2 (5 indivíduos com cerca de 2 mil anos), que fica em Santa Catarina, e de dois sambaquis fluviais do Vale do Ribeira, no estado de São Paulo: Laranjal (2 indivíduos com cerca de 6,7 mil anos) e Moraes (1 indivíduo com cerca de 5,8 mil anos).

O arqueólogo Paulo Antônio Dantas de Blasis, do MAE-USP, foi o responsável pelo trabalho arqueológico no sambaqui Jabuticabeira 2, que também teve apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático, As pesquisas nos sambaquis fluviais paulistas ficaram sob a responsabilidade do arqueólogo Levy Figuti, do MAE-USP, também com apoio da FAPESP,

  • O esqueleto de Moraes (5,8 mil anos) e o de Laranjal (6,7 mil anos) estão entre os mais antigos do Sul-Sudeste brasileiros.
  • Eles apresentam uma situação estrategicamente singular ao estar entre o planalto e a costa, contribuindo significativamente para a compreensão do processo de povoamento da região Sudeste do Brasil», disse Figuti.

Esses esqueletos foram encontrados entre 2000 e 2005. Desde o início, representavam uma questão complexa, com mistura de características culturais interioranas e costeiras, e com análises sobre os esqueletos geralmente com resultados variados, exceto em um esqueleto, que foi diagnosticado como paleoíndio (ele ainda não teve sua análise de DNA completada).

  • O estudo agora publicado representa um grande avanço na pesquisa arqueológica, aumentando exponencialmente o que sabíamos há poucos anos sobre a arqueogenética do povoamento da América», disse Figuti.
  • Mais recentemente, destaca-se a contribuição para a reconstrução da história humana na América do Sul por meio da paleogenômica, realizada por Hünemeier.

Genética ameríndia Nem todos os restos humanos fósseis achados em alguns dos mais antigos sítios arqueológicos das Américas Central e do Sul pertencem a indivíduos geneticamente descendentes da cultura Clóvis. Há diversos sítios cujos habitantes não tinham o DNA associado à Clóvis.

«Isso mostra que, além da contribuição genética, a segunda leva migratória para a América do Sul, e que era relacionada à Clóvis, possivelmente também trouxe consigo princípios tecnológicos que seriam expressos nas famosas pontas rabo de peixe que são encontradas em grande parte da América do Sul», disse Strauss.

Até agora não se sabia quantas correntes migratórias humanas originárias da Ásia teriam adentrado as Américas no final da era do gelo, há mais de 16 mil anos. A teoria tradicional, formulada nos anos 1980 por Walter Neves e outros pesquisadores, dava conta de que teria havido uma primeira leva de humanos, cujos membros possuíam características africanas ou semelhantes aos aborígenes da Austrália.

  • Foi de acordo com essa hipótese que se modelou a famosa reconstrução facial de Luzia, nome dado ao crânio de uma mulher que viveu em Lagoa Santa há 12.500 anos e, por isso, carinhosamente chamada de «a primeira brasileira».
  • O busto de Luzia com feições africanas foi composto a partir da morfologia de seu crânio, em trabalho realizado pelo especialista britânico Richard Neave, na década de 1990.

«Entretanto, a forma do crânio não é um marcador confiável de ancestralidade ou de origem geográfica. A genética, por outro lado, é a técnica que se presta por excelência a esse tipo de inferência», disse Strauss. «Os resultados genéticos do novo estudo mostram de forma categórica que não existiu nenhuma conexão significativa entre as populações de Lagoa Santa e grupos da África ou da Austrália.

Portanto, a hipótese de que o povo de Luzia representaria uma leva migratória anterior aos ancestrais dos indígenas atuais não se confirma. Pelo contrário, o DNA mostra que o povo de Luzia tem genética totalmente ameríndia», disse. Um novo busto substitui o de Luzia no panteão científico brasileiro. Caroline Wilkinson, da Liverpool John Moores University, na Inglaterra, especialista em reconstrução forense e discípula de Richard Neave, realizou a reconstrução facial de um dos indivíduos desenterrados na Lapa do Santo.

O trabalho foi feito a partir do modelo digital retrodeformado do crânio. «Por mais acostumados que estejamos com a tradicional reconstrução facial de Luzia, com traços fortemente africanos, essa nova reconstrução facial reflete de forma muito mais precisa a fisionomia dos primeiros habitantes do Brasil, apresentando traços generalizados e indistintos a partir dos quais, ao longo dos milhares de anos, a grande diversidade ameríndia se estabeleceu», disse Strauss.

  • O arqueólogo explica que o estudo publicado na Cell também apresenta os primeiros dados genéticos para os sambaquis da costa brasileira.
  • Esses monumentais montes de conchas foram construídos há cerca de 2 mil anos por sociedades populosas que ocupavam a faixa costeira do Brasil.
  • O estudo do DNA fóssil de esqueletos enterrados nos sambaquis de Santa Catarina e de São Paulo mostra que esses grupos têm uma relação de proximidade genética com os indígenas atuais do Sul do Brasil, especialmente os grupos Kaingang», disse.

Segundo Strauss, a extração do DNA fóssil encontra muitos desafios técnicos, especialmente para material encontrado em clima tropical. A fragmentação extrema e a alta incidência de contaminação fizeram com que durante quase duas décadas diferentes grupos de pesquisas tentassem sem sucesso extrair o material genético dos ossos de Lagoa Santa.

  • Foi graças a avanços metodológicos desenvolvidos pelo Instituto Max Planck que agora foi possível realizar a extração de DNA do povo de Lagoa Santa.
  • E a depender do entusiasmo com que Strauss fala de sua pesquisa, ainda há muito por descobrir.
  • A partir de 2019, terá início a construção do primeiro laboratório de Arqueogenética do Brasil, uma parceria na USP entre MAE e IB, com financiamento da FAPESP.

Quando estiver pronto, dará novo impulso às pesquisas sobre o povoamento da América do Sul e do Brasil», disse Strauss. «De certo modo, este trabalho muda não somente o que sabíamos sobre o povoamento, mas também muda consideravelmente o modo como estudar os restos esqueletais humanos», disse Figuti.

  1. Os primeiros restos humanos de Lagoa Santa, cerca de 30 esqueletos, foram encontrados em 1844, no fundo de uma gruta inundada, pelo naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund (1801-1880).
  2. Quase todos esses fósseis se encontram hoje no Museu de História Natural de Copenhagen, na Dinamarca.
  3. Um único crânio ficou no Brasil, doado por Lund ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro.

Povoamento aos saltos No mesmo dia em que foi publicado o artigo na Cell (08/11), outro trabalho foi divulgado na revista Science, igualmente versando sobre DNA fóssil e as primeiras migrações humanas pelo continente americano. André Strauss é um dos autores.

  1. Entre os 15 esqueletos antigos dos quais foi coletado material genético, cinco pertencem à Coleção Lund, de Copenhagen.
  2. Suas idades situam-se entre 10,4 mil e 9,8 mil anos.
  3. São os mais antigos da amostra, ao lado de um indivíduo de Nevada, com 10,7 mil anos.
  4. A amostra reúne material fóssil de restos humanos antigos achados no Alasca, Canadá, Brasil, Chile e Argentina.

O resultado da investigação molecular sugere que o povoamento das Américas pelos primeiros grupos humanos vindos do Alasca não foi simplesmente um movimento de ocupação gradual do território simultâneo à expansão populacional. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, os dados moleculares sugerem que os primeiros humanos a invadir o Alasca, ou então o vizinho Yukon, dividiram-se em dois grupos.

Isso ocorreu entre 17,5 mil e 14,6 mil anos atrás. Um grupo colonizaria a América do Norte e a América Central. O outro dominaria a América do Sul. A seguir, a ocupação das Américas teria ocorrido de forma rápida e aos saltos, com pequenos bandos de caçadores-coletores percorrendo grandes distâncias para se fixarem em novos ambientes até atingirem a Terra do Fogo.

Todo esse movimento durou um ou no máximo dois milênios. Entre os 15 indivíduos que tiveram seu DNA analisado, três dos cinco de Lagoa Santa guardam em seu material genético traços de DNA da Australásia – como sugere a teoria da ocupação da América do Sul defendida por Walter Neves.

Os pesquisadores não sabem explicar a origem daquele DNA australásio e como ele foi parar apenas e tão somente em alguns indivíduos de Lagoa Santa. «O fato de a assinatura genômica da Australásia estar presente há 10,4 mil anos no Brasil, mas ausente em todos os genomas testados até hoje, tão antigos ou mais antigos, e achados mais ao norte, apresenta um desafio ao considerar sua presença em Lagoa Santa», disseram.

Para Strauss, a existência desse traço de DNA australásio é difícil de explicar. «O componente australásio nos três indivíduos de Lagoa Santa é quase negligenciável. É menos de 2% do DNA amostrado. No momento, é muito difícil dizer qual a sua origem», disse.

  • Ao longo do século 20, outros fósseis foram coletados, entre eles o crânio de Luzia, nos anos 1970.
  • Quase uma centena de crânios escavados por Neves e Strauss nos últimos 15 anos se encontram atualmente na USP.
  • Outros tantos fósseis estão guardados na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
  • Mas a grande maioria dessas preciosidades osteológicas e arqueológicas, talvez mais de 100 indivíduos, estava depositada no Museu Nacional, e foi presumivelmente consumida no incêndio que devastou aquela instituição em 2 de setembro.

O crânio de Luzia estava exposto no Museu Nacional ao lado do busto com suas feições feito por Neave. Temia-se que o crânio tivesse sido destruído no incêndio, mas felizmente foi uma das primeiras peças do museu recuperadas dos escombros. Mesmo que fragmentado, o crânio de Luzia sobreviveu.

Que animais viviam com Luzia?

Povo de Luzia: o que se sabe sobre primeiros brasileiros, que viveram há 11 mil anos Publicado 3 Abr 2017 – 02:30 PM EDT | Atualizado 16 Mar 2018 – 10:37 AM EDT Muito antes de Pedro Álvares Cabral descobrir o Brasil, há 516 anos, habitantes milhares de anos mais antigos chegaram a terras brasileiras : o povo de Luzia.

  • Eles tinham características bem diferentes dos índios, conviveram com grandes animais da megafauna e pisaram por aqui há mais de 11 mil anos.
  • Todas essas descobertas foram feitas por uma equipe de pesquisadores e arqueólogos que há décadas investigam os antepassados americanos.
  • O Vix conversou com dois dos principais pesquisadores.

Um deles é Walter Neves, arqueólogo e coordenador do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). O outro, André Strauss, é coordenador das escavações na região de Lagoa Santa do Instituto Max Planck, na Alemanha.

Juntos ou em períodos diferentes, os estudiosos buscavam entender as raízes de onde realmente vieram os primeiros povos que habitaram o Brasil e as Américas. Eles descobriram o que, mais tarde, chamaram de «povo de Luzia», durante a exploração na região de Lagoa Santa, a 50 km de Belo Horizonte, em Minas Gerais, que teve início nos anos 1980 e continua até hoje, a partir de diferentes projetos.

Lagoa Santa é uma região importante para materiais arqueológicos, por conta de diversos fatores: a densidade de uma população que viveu ali de 7 a 11 mil anos atrás; a existência de rochas calcárias, que asseguram a conservação de ossos antigos; e a prática de enterrar os mortos em grutas protegidas dos danos da natureza.

«Ela é a única região nas Américas com grande concentração de esqueletos na faixa dos 10 mil anos de idade», enfatizou Walter Neves. «Não dá pra estudar a biologia dos primeiros seres americanos sem passar por Lagoa Santa». Tudo começou quando um achado na região de Lagoa Santa intrigou os especialistas: a descoberta do esqueleto humano mais antigo do nosso continente, em 1974, pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire.

Apesar do esqueleto, uma grande questão ainda não havia sido respondida. É que o naturalista dinamarquês Peter Lund (1801-1880), considerado o pai da arqueologia brasileira, explorou centenas de grutas e abrigos entre 1835 e 1844. Ao todo, ele encontrou mais de 12 mil fósseis de animais que caracterizavam uma «megafauna»: preguiças-gigante, tigre-dente-de-sabre, tatus enormes e até cachorro das cavernas teriam passado por aquela região.

Então, a questão era: como os antigos povos viviam com essa megafauna? Os americanos que, na época, também visitaram a Lagoa Santa para uma missão, bateram o pé: o homem não teria convivido com esses animais gigantes naquela região, já que nenhum osso de megamamífero foi encontrado em escavações feitas nos anos 1960 por eles mesmos.

Porém, eles descobriram vestígios de ocupação humana de 10 mil anos atrás, a partir da então recente técnica de datação de carbono-14. A missão franco-brasileira liderada por Annette, entretanto, contrariou os americanos. As escavações de sua equipe registraram vestígios «inequívocos» de convivência entre o homem e a megafauna: ossos de uma preguiça gigante foram localizados em depósitos de 11 metros de profundidade.

E eles tinham idade de 9.500 anos, ou seja, eram contemporâneos dos antigos imigrantes americanos. Com datação de cerca de 11 mil anos, a reconstituição facial de Luzia (foto acima) impressionou o mundo: o nariz largo, os lábios grossos e o neurocrânio comprido revelaram uma fisionomia parecida com povos africanos e australianos (paleoamericanos), diferente dos ameríndios, tidos até então como os únicos ancestrais de todas as Américas.

Projetou-se a imagem de uma mulher negra. Fato é que não é possível ter certeza sobre sua raça, porte ou hábitos. Pouco tempo depois da imagem de Luzia estampar os principais jornais e revistas do país (foto abaixo), Neves iniciou o projeto «Origens e Microevolução do Homem na América», com o objetivo de testar as hipóteses de Lund e Annette.

Para isso, teriam que encontrar mais provas de que o homem conviveu com a megafauna, que o ‘povo de Luzia’ não dependia da caça para sobreviver, que eles usaram abrigos das cavernas como cemitérios e entender a prática dos sepultamentos, que era bem sofisticada. Entre 2000 e 2009, os pesquisadores do «Origens» provaram que Lund estava certo: sim, o homem conviveu com os grandes animais.

«Com a obtenção de datas ao redor de 9 mil anos para uma preguiça gigante e para um tigre dentes-de-sabre, ficou claro que de fato o homem e a megafauna conviveram na região por pelo menos dois milênios», escreveu Neves no, Sabemos, portanto, de duas morfologias que apontam povos de características distintas (ameríndios e paleoamericanos).

  1. Sabemos da convivência com a megafauna.
  2. E sabemos também das curiosas práticas funerárias: há indícios de decapitação de partes do corpo e cuidadosa manipulação do cadáver, sem os quais muitas dessas ossadas talvez não resistissem.
  3. Esse é um detalhe que intrigou André Strauss, ex-aluno de Neves no projeto «Origens».

«Muitas vezes as pessoas veem essa prática como uma coisa macabra e não há nada disso. O macabro está no nosso olhar», defende Strauss, citando povos antigos que habitaram a Europa ocidental e monges tibetanos, que costumam guardar ossos para preservar como talismã.

Constatações, porém, sempre escondem novos mistérios: «Se essa megafauna estava lá, por que eles não comeram dessa megafauna? Porque no sítio arqueológico, quando você analisa restos de alimentação, não tem nada de megafauna», refletiu Neves. «Isso é muito estranho, porque esses animais estavam na paisagem, mas eles não tinham a megafauna como fonte de alimentação.

É um mistério que não conseguimos resolver». Outra frustração do projeto «Origens», confessa Neves, é não ter encontrado nenhuma evidência de ocupação em Lagoa Santa de mais de 11 mil anos. «Eu tinha certeza absoluta de que nós íamos conseguir estender essa ocupação de Lagoa Santa para 12, 13 mil anos, e isso não aconteceu.

  1. Exceto a Luzia, que é um ponto fora da curva, não há nada na região que indique uma atividade mais antiga».
  2. O projeto «Origens», porém, ainda tem continuidade – embora não mais com esse nome.
  3. Do Instituto Max Planck, na Alemanha, o arqueólogo André Strauss coordena as escavações na região de Lagoa Santa, com uma equipe de mais de 30 especialistas de várias nacionalidades.
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Ele trabalha para identificar centenas de esqueletos por meio de uma técnica sofisticada, nunca antes realizada por brasileiros: a técnica de DNA antigo, Strauss cuida de questões básicas, como ver onde os pesquisadores vão dormir, o custo de materiais de escavação e até mesmo de que jeito as pessoas tomarão banho.

Além, claro, de conseguir financiamento. O diretor do instituto alemão, Martin Stratmann, abraçou a ideia de Strauss quando ele disse que queria retomar o trabalho em Lagoa Santa como projeto de doutorado, para entender os costumes daqueles antigos povos. «Ele adorou a ideia e bancou. Foi um privilégio, porque normalmente um aluno de doutorado não consegue esse tipo de recurso», recordou o brasileiro.

Enquanto Strauss trabalha com a extração de DNA antigo dos esqueletos na Alemanha, aqui no Brasil ele conta com o apoio de Rodrigo Oliveira, com quem divide a coordenação das escavações. «Não foi feito nenhum, absolutamente nenhum trabalho de DNA antigo no Brasil, porque ele é muito caro e a tecnologia dele pertence a alguns grandes centros internacionais», contou Strauss.

  • Pode parecer simples, mas o trabalho de DNA antigo requer cuidados cirúrgicos.
  • É que fósseis antigos, com o passar dos anos, perdem informações valiosas de DNA, principalmente com a manipulação do homem, algo que pode confundir a análise.
  • Por isso, já desde a extração, Strauss tem à disposição ferramentas específicas para catalogar, digitalizar e fazer todo tipo de diagnóstico possível com as amostras.

«É um processo longo mesmo, não tem jeito». Ele prevê que em um ano os primeiros resultados devem sair. «Adoraria ter uma máquina do tempo e ver o que estava acontecendo, mas a gente não consegue», brinca o brasileiro. «A boa notícia é que o DNA vai em direção a uma resposta muito mais incisiva do que a que temos hoje».

  • A questão da imigração dos primeiros povos para o nosso continente costuma gerar confusão, principalmente devido às fisionomias dos esqueletos, geralmente associadas a uma nacionalidade.
  • Apesar das feições africanas e australianas dos paleoamericanos, não significa que os povos antigos da América tenham vindo da Austrália e África.

Na verdade, eles repartem o mesmo ancestral, do Sudeste asiático. Seja como for, os primeiros povos americanos inevitavelmente vêm do Norte. «Eu acredito que os paleoamericanos tenham vindo lá de cima por volta de 14 mil anos atrás. E os ameríndios, há 10 mil anos», arriscou Neves.

Assim, pode-se traçar uma breve linha do tempo: esse povo teria saído da África há 70 mil anos, prosseguiu ao sudeste asiático por volta de 50 mil anos e imigrou para a Austrália, há 45 mil anos. «Essa mesma população expandiu pro Norte, chegou na Sibéria e entrou na América», sugere Neves. Não teria como atravessar da Austrália para a América por duas razões: não havia tecnologia de embarcação, nem população nas ilhas mais afastadas da Oceania, como a Polinésia, mais antigas que há 3 mil anos.

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O que tem no fundo da Lagoa Santa?

Está localizada no Parque Estadual do Sumidouro. Compreende um bloco de pedra calcária formado há 600 milhões de anos. Tem 40 metros de profundidade e 511 de extensão. A composição é de barros e resíduos endurecidos do fundo do mar que foram acumulados em camadas sobrepostas.

Quem é o Homem da Lagoa Santa?

HISTÓRIA DR. LUND – O pai da paleontologia e arqueologia no Brasil Peter Lund reconstituiu em Lagoa Santa a história do pleistoceno nos trópicos As imagens deste perfil são reproduções do livro Tempo passado – mamíferos do pleistoceno em Minas Gerais, de Cástor Cartelle (Belo Horizonte: Palco, 1994) O dinamarquês Peter Wilhelm Lund (1801-1880) mudou-se para o Brasil fugindo do clima nórdico, temeroso da tuberculose que vitimara dois irmãos.

Depois do encontro casual com o conterrâneo Peter Claussen, Lund fixou residência em Lagoa Santa (MG). Nas cavernas da região, descobriu mais de 12 mil peças fósseis que permitiram escrever a história do período pleistoceno brasileiro – o mais recente na escala geológica – numa época em que o passado tropical era quase desconhecido pela ciência.

Lund descobriu também ossadas do chamado ‘homem de Lagoa Santa’, que puseram em xeque uma série de pressupostos aceitos pela então incipiente paleontologia. Apesar da existência de achados fósseis anteriores, Lund é considerado pai da paleontologia brasileira.

O título se deveria ao pioneirismo em pesquisas sistemáticas, segundo o paleontólogo Cástor Cartelle, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). «É notável seu conhecimento e os relativamente poucos erros, sobretudo se levarmos em conta o isolamento na pequena Lagoa Santa.» Exemplo demonstrativo é o caso das preguiças gigantes: Lund percebeu que havia duas espécies distintas na América do Sul – a existência de apenas uma era reconhecida.

Um século e meio depois, estudos demonstrariam a correção do dinamarquês.O primeiro achado de Lund foram poucos ossos de uma das menores preguiças-gigantes da América Lund também é reconhecido como pai da arqueologia e da espeleologia (estudo das cavernas), pioneirismo extensivo às três Américas. Foi o primeiro a assinalar a presença de sambaquis e inscrições rupestres, além de descrever instrumentos líticos encontrados.

Ele foi ainda o primeiro a localizar e entrar em algumas das mais de 800 cavernas que explorou. Cartelle enumera algumas das espécies extintas que tiveram fósseis descobertos pela primeira vez por Lund: cavalos, diversos carnívoros como o tigre-dentes-de-sabre e o cachorro das cavernas, além de preguiças terrícolas, capivara e tatu gigantes.

Ainda hoje, Lund é a principal referência para estudiosos da paleontologia de mamíferos no Brasil. Pretendia desenvolver monografias sobre diferentes mamíferos pré-históricos, mas realizou seu intento apenas para os caninos. As coleções remetidas a sua pátria devido ao financiamento pela monarquia dinamarquesa seriam estudadas no final do século 19 e início do 20 por um paleontólogo de Copenhague, Herluf Winge, que interpreta em diversos volumes a obra de Lund.

No Brasil, os escritos de Lund foram publicados em 1935, pela Biblioteca Mineira de Cultura, e em 1950 pelo paleontólogo Carlos de Paula Couto, continuador de seu trabalho. Antes do surgimento da teoria de Darwin, as descobertas de Lund apontavam para a evolução das espécies. Luterano convicto, o dinamarquês acreditava que desastres naturais teriam levado à extinção de diversas formas de vida.

Especula-se que a descoberta de fósseis que inviabilizavam a teoria das catástrofes de que Lund era partidário teria contribuído para seu afastamento da ciência, ainda por volta dos 40 anos. Um botânico em Lagoa Santa Lund lança base da ecologia no Brasil com estudo paleontológico de grutas mineiras Acima, gruta de Maquiné. Lund construía um casebre de pau-a-pique na frente das grutas visitadas, ao qual se atava com uma corda pela cintura Peter Lund nasceu em Copenhague a 14 de junho de 1801, filho de ricos comerciantes de lã. Bacharel em Letras, aos 17 anos ingressa no curso de Medicina.

Em 1824 começa o trabalho como pesquisador de campo com dois trabalhos condecorados. No ano seguinte, publica um livro de fisiologia que foi adotado nas universidades de Copenhague, Viena e Nápoles. No mesmo ano, seu talento para a zoologia é revelado na premiada monografia O sistema de circulação nos crustáceos.

Lund transfere-se para o Brasil em dezembro de 1825 e logo sente a «atração mágica da natureza tropical». Reside inicialmente na aldeia de pescadores de Itaipu (RJ). Dedica-se à zoologia e sobretudo à botânica. Estuda o comportamento das formigas e os ovos de certos moluscos em um dos mais completos ensaios sobre o assunto.

Monta diversas coleções zoológicas, remetidas ao Museu de História Natural da Copenhague. O naturalista embarca para Hamburgo em 1829. Exibe suas pesquisas na França e Itália, onde mantém contato com autoridades científicas da época. Em 1933, retorna em definitivo ao Brasil. Desta vez, dedica-se à botânica das plantas domésticas em companhia de L.

Ridel. Juntos, excursionam pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Minas Gerais para estudar a fauna e flora locais. Em outubro 1834, um ano após a partida, Lund e Ridel chegam a Curvelo (MG), onde encontram casualmente Peter Claussen, que explorava salitre em cavernas calcárias na região de Lagoa Santa. No início do século 19, Lagoa Santa tinha cerca de 80 casas e 500 habitantes Em 1835, Lund retorna a Lagoa Santa. As primeiras grutas visitadas foram a Lapa Vermelha e a Lapa Nova de Maquiné. Sobre a última, escreve: «quanto a mim, confesso que nunca meus olhos viram nada de mais belo e magnífico nos domínios da natureza e da arte».

Lund preservou certa paternidade sobre a descoberta, pedindo inclusive a conservação da gruta em testamento. As escavações nas grutas foram registradas por Andreas Brandt, desenhista e pintor norueguês que se torna auxiliar de Lund. Lund é considerado o pai da espeleologia brasileira pelo pioneirismo na visita a várias grutas e pela consciência ecológica vanguardista que demonstrou.

«Infelizmente, retiraram o conteúdo destas grutas para extração do salitre, sem o mínimo respeito pelas relíquias acumuladas nestes lugares realmente sagrados.» Lund cria também a base para uma ecologia brasileira ao convidar o botânico Eugene Warming para realizar um levantamento do cerrado da região de Lagoa Santa, que originou o primeiro trabalho de fitoecologia do mundo, publicado em 1840. Em carta à Real Sociedade, Lund, relatou a descoberta da primeira observação de pintura rupestre na América, retratada pelo desenhista Andreas Brandt A aproximação entre as instituições científicas brasileira e dinamarquesa do início do século 19 é fruto da busca por provas da suposta chegada de vikings ao Brasil antes de 1500.

Lund é parcialmente responsável por esse estreitamento de laços: ele era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), fundado no Rio de Janeiro em 1838, e da Sociedade Real dos Antiquários do Norte, criada em 1825 por Carl Christian Rafn. Peter Lund e Peter Claussen foram admitidos no IHGB em 1839.

Claussen foi freqüentador assíduo da associação; Lund contribuiu com volumosa correspondência acadêmica e remessa de materiais. Ele doou ao Instituto um exemplar de um livro de Rafn que narra a descoberta da América do Norte pelos dinamarqueses no século 10 e causou grande impacto sobre a intelectualidade brasileira.

Na troca de informações entre o Instituto e a Sociedade Real, destaca-se um texto traduzido por Lund. O documento descoberto na Livraria Pública da Corte, datado de 1754 e bastante danificado, descrevia uma cidade abandonada no interior da Bahia encontrada por aventureiros em busca de ouro. O povoado localizado em um planalto e protegido por uma muralha com inscrições indecifráveis teria a estátua de um homem apontando o Pólo Norte na praça central.

À beira do rio, ouro e prata abundantes. A revista do IHGB chegou a anunciar a descoberta da cidade – que não veio a acontecer de fato. Lund traduziu e publicou nas revistas brasileira e dinamarquesa os relatórios da expedição frustrada. Em suas observações, acrescentou que era recomendável o estudo dos homens primitivos do Brasil por meio de seus vestígios mortais, já que o relato não era confiável.

Em 1844, Peter Lund formularia nas publicações de ambas as sociedades suas idéias sobre a origem do homem pré-histórico brasileiro. Ele aceitava a co-existência de animais extintos e homens, pois encontrara ossos de homens e animais misturados. Nada ficou provado, pois inundações são comuns nas grutas calcárias de Lagoa Santa.

Para Lund, o povoamento da América do Sul seria muito antigo, já que «(.) várias espécies animais parecem ter desaparecido da criação viva até o tempo do aparecimento do homem aqui». Ele conclui que o homem fóssil americano pertenceria à mesma raça que o homem atual.

  1. A conclusão era contrária à suposição de que o homem americano teria origem no Velho Continente.
  2. Segundo Lund, haveria um vínculo estreito entre a raça mongolóide e a dos indígenas americanos.
  3. Ele arriscava a hipótese de que essa raça seria originária das Américas e teria se espalhado para a Ásia (hoje, provou-se ter ocorrido justamente o inverso).

Com isso, frustrava-se aos olhos de Lund a tentativa de se realizar uma história comum, que motivava os laços entre o Instituto Histórico e a Sociedade Real. A correspondência entre as duas instituições diminuiu e cessou em 1864, ocasião do falecimento de Carl Christian Rafn. Peter Lund era adepto da teoria catastrofista, segundo a qual desastres naturais teriam extinguido as sucessivas formas de vida. A teoria foi proposta pelo anatomista francês Georges Cuvier a partir do criacionismo e do atualismo geológico. O criacionismo atribuía a Deus a gênese de cada espécie e se opunha à teoria de Lamarck, para quem as espécies evoluíam lentamente em função do uso e desuso de características adquiridas.

Já o princípio do atualismo geológico via nas diferenças entre fósseis de camadas geológicas distintas a prova de que teria havido sucessivas ‘criações’. Além de defender o catastrofismo, Lund era fixicista: acreditava não haver ligação entre as espécies. Negava, portanto, a evolução proposta por Lamarck e sistematizada posteriormente por Darwin.

Ele já percebia, porém, semelhanças entre espécies fósseis e atuais. Escreveu, inclusive, um estudo comparativo sobre o assunto. Os catastrofistas aceitavam a existência de um homem ‘antediluviano’ como um ser distinto do homem atual (para Cuvier, a última grande extinção seria fruto do dilúvio bíblico).

  1. Mas a noção de que esse homem existiu na América não era considerada à época.
  2. Apesar das idéias circulantes, Lund convenceu-se da antigüidade das ossadas humanas descobertas por ele em 21 de abril de 1843.
  3. Esses ossos de cerca de trinta indivíduos estavam misturados a fósseis de animais, «todos depositados aproximadamente na mesma época», conforme relata Lund.

A idéia de uma humanidade tão antiga a ponto de ter coexistido com a fauna extinta ainda não era considerada plausível. As escavações de Lund apontavam para o evolucionismo e colocaram em xeque sua fé luterana e a teoria catastrofista de Cuvier Do ponto de vista antropomórfico, os fósseis descobertos por Lund eram bastante distantes dos indígenas americanos e próximos dos negróides. Suas características físicas eram homogêneas, o que indica seu isolamento genético (ele não teria se misturado a grupos diferentes).

Essa identidade configurou o perfil daquele que ficou conhecido como o ‘homem de Lagoa Santa’. Entre as ossadas de Lagoa Santa, somente as mais antigas – datadas entre 11 e oito mil anos – possuem características negróides; os fósseis a partir de oito mil anos já apresentam características mongolóides.

O desaparecimento da raça negróide que habitou a região e seu relacionamento ou não com os mongolóides que vieram a seguir e dominaram o continente permanecem não esclarecidos. Pouco depois da descoberta do homem de Lagoa Santa, Lund abandonaria suas pesquisas.

  • Em carta à família, atribuiu a renúncia a problemas financeiros.
  • Cástor Cartelle propõe outra justificativa.
  • Lund ficou um tanto desorientado com a existência do homem pré-diluviano e sincrônico da fauna recente e extinta.
  • Acredito que o fato de comprovar que sua perspectiva catastrofista não tinha sustentação foi uma das causas que o impeliram a abandonar a vida científica.» A extrema religiosidade também é considerada por alguns autores como motivo do precoce abandono da ciência.

O enterro festivo de Dr. Lund Estimado pelo povo de Lagoa Santa, pediu música e proibiu lágrimas no funeral Casa de Lund em Lagoa Santa. Nos meses de seca, ele realizava expedições; na época das chuvas, recolhia-se para estudo dos fósseis no galpão nos fundos da casa Peter Lund era muito estimado pelos habitantes da pequena vila de Lagoa Santa, que costumavam chamá-lo Dr. Lund. De hábitos excêntricos e temperamento arredio, preferia o isolamento. Teve constantemente a seu lado Nereo Cecílio de Ramos, filho adotivo de Lagoa Santa que o auxiliava em tudo o que fazia.

Ao morrer, distribuiu seus bens entre o filho e algumas pessoas que o serviram. No livro O Naturalista, de 1923, Nereu revela um pouco da personalidade do paleontólogo. «Ele conservou até os últimos dias grande interesse pelo progresso da ciência, e sentia um grande prazer, quando na sua solidão era informado a esse respeito.

Era de um caráter nobre, benévolo, amável e caritativo (.) era por todos que o conheciam de perto muito considerado e respeitado pelo seu caráter, honradez e modo independente de pensar, e é indubitável que a sua palavra e opinião tiveram grande peso no ânimo dos homens de influência da localidade.» Nereu cita ainda que Lund medicava na região, sempre acertando o diagnóstico.

  1. O seu trato fidalgo, a todos dispensado, sem exceção de grandes ou pequenos, cultos ou ignorantes, fazia-o querido e respeitado pelo povo lagoa-santense.» Lund viveu na mesma casa até a morte.
  2. Nos fundos, construiu um barracão para preparação e estudo de fósseis.
  3. Protestante, não poderia ser enterrado no cemitério local.

Comprou um terreno que mandou «murar para enterrar meus amigos e a mim também». Lund determinou que queria ser sepultado à sombra de um pequizeiro – árvore típica do cerrado, que dá um fruto aromático – num local aprazível onde costumava estudar. Também ali foram sepultados seus colaboradores Pedro Andreas Brandt, Guilherme Behrens e João Rodolfo Müller. O frondoso pequizeiro marca o local onde Lund está enterrado Lund faleceu a 25 de maio de 1880, três semanas antes de completar 79 anos. Como Nereo Cecílo escreve em carta à família na Dinamarca, a última enfermidade durou cerca de dois meses. Ao fim, Lund delirava.

  • Dizia que o que ele mais amava eram as ciências e sobretudo a música,» Nereo relata.
  • Suas últimas palavras foram: amor, amor, amor.» Dias antes de morrer, Lund chamou o coveiro.
  • Deu-lhe uma generosa gratificação e encarregou-o de abrir imediatamente sua cova, que deveria ter mais de vinte palmos de profundidade.

Lund chamou também a autoridade local e pediu que não o abandonasse até expirar para não haver demora na leitura de seu testamento, que continha recomendações para execução imediata. Solicitou uma grande festa para todos os moradores do arraial; à frente do cortejo, deveria vir a Corporação Musical de Santa Cecília – primeira banda de música de Lagoa Santa, fundada e custeada por Lund.

O que o povo de Lagoa Santa comia?

Luzia foi encontrada no sítio arqueológico de Lagoa Santa, em Minas Gerais. Os esqueletos encontrados nesse sítio mostraram que eles eram baixos e magros, que comiam pequenos animais frutos, peixes e caramujos grandes que viviam no fundo dos rios.

Onde foi encontrado o esqueleto de Lucy?

Quando os restos de um ancestral humano primitivo foram encontrados na Etiópia em 1974, a descoberta forneceu uma visão sem precedentes de uma espécie que viveu milhões de anos antes dos humanos andarem na Terra. O fóssil raro, representando 40% de um esqueleto pertencente a uma fêmea, foi batizado de «Lucy», em homenagem à música dos Beatles «Lucy in the Sky With Diamonds». Receba, em primeira mão, as principais notícias da CNN Brasil no seu WhatsApp! Inscrever-se Agora, os pesquisadores estão usando o esqueleto para descobrir como esse antigo parente humano se moveu há 3,2 milhões de anos. Os resultados do estudo foram publicados na terça-feira na revista Royal Society Open Science, Lucy era mais baixa que o humano médio, atingindo cerca de 3,3 pés (1 metro) de altura, tinha um rosto semelhante ao de um macaco e um cérebro com cerca de um terço do tamanho de um cérebro humano. O fóssil de Lucy inclui 40% de seu esqueleto, um dos fósseis de australopitecos mais completos encontrados até hoje / Edwin Remsberg/Alamy Banco de Imagens A análise do fóssil de Lucy nos últimos 20 anos sugere que ela e outros de sua espécie caminhavam eretos.

Mas o principal autor do estudo, Dr. Ashleigh LA Wiseman, pesquisador associado da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, queria dar um passo adiante e recriar um componente de Lucy que não fossilizou: seus músculos. «O aspecto definidor do que nos torna humanos é a capacidade de andar sobre duas pernas, mas entender como e por que isso evoluiu tem sido debatido há muito tempo», disse Wiseman, que é o Leverhulme Trust Early Career Fellow e o Isaac Newton Trust Fellow no Instituto McDonald para Pesquisa Arqueológica.

«Com os recentes avanços na modelagem computacional, agora é possível investigar essas questões. Claro, no registro fóssil, ficamos olhando para os ossos nus. Mas os músculos animam o corpo – eles permitem que você ande, corra, pule e até dance. Então, se quisermos entender como nossos ancestrais se moviam, primeiro precisamos reconstruir seus tecidos moles».

  • Estudar fósseis de Australopithecus afarensis pode fornecer informações sobre a evolução do bipedalismo, ou andar ereto, e quando surgiu nos primeiros ancestrais humanos.
  • As reconstruções de Wiseman dos músculos de Lucy também poderiam ser usadas para determinar como Lucy se movia de outras maneiras.

Wiseman e seus colegas desenvolveram um método chamado modelagem muscular poligonal e inicialmente o usaram para reconstruir os tecidos moles ausentes de répteis extintos chamados arcossauros que viveram 247 milhões de anos atrás. Então, Wiseman aplicou o mesmo método a Lucy pela primeira vez para entender a forma e o tamanho de seus músculos e como ela os usava para se mover, avaliando se era como o gingado agachado de um chimpanzé ereto ou a postura de um humano.

Wiseman usou escaneamentos do fóssil de Lucy e dados de humanos para construir um modelo tridimensional da perna e dos músculos pélvicos do Australopithecus afarensis. Depois de coletar dados de ressonância magnética e tomografia computadorizada de estruturas musculares e ósseas em humanos modernos, o pesquisador criou digitalmente um modelo musculoesquelético.

Então, ela usou escaneamentos do fóssil de Lucy para determinar como suas articulações eram articuladas e movidas na vida. Wiseman estratificou 36 músculos em cada perna usando o «mapa muscular» dos dados humanos modernos, combinado com «cicatrização muscular» ou os traços discerníveis de conexão muscular que são detectáveis ​​em fósseis. A modelagem muscular de Lucy, apelidada de «AL 288-1», é comparada lado a lado com mapas musculares humanos / Dra. Ashleigh Wiseman/Universidade de Cambridge O esqueleto de Lucy difere dos humanos porque ela tinha pernas mais curtas e uma pélvis mais parecida com uma placa (quando vista de cima para baixo).

  • O modelo de Wiseman mostrou que, enquanto a coxa de um humano moderno tinha cerca de 50% de massa muscular, com o restante atribuído a gordura e osso, a coxa de Lucy teria quase 75% de músculo.
  • No geral, os músculos das pernas de Lucy eram muito maiores e ocupavam mais espaço do que os dos humanos modernos.

«Lucy viveu há 3,2 milhões de anos na savana africana. Ela precisaria ter caminhado em terreno irregular e explorado uma mistura de ambientes florestais e campos abertos», disse Wiseman. «Maior massa muscular normalmente significa maior força muscular, e não é surpreendente descobrir que as reconstruções dos músculos de Lucy demonstram que ela tinha maior massa muscular do que um ser humano, permitindo que ela se movesse livremente entre esses diferentes ambientes».

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Em que ano Luzia morreu?

A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, resumiu em uma frase o incêndio que consumiu o Museu Nacional: «Uma morte anunciada». Sem conseguir esconder a tristeza, sentenciou: «Patrimônio não tem como reconstruir.

Acabou, acabou.» Chefe do instituto responsável pela fiscalização e proteção dos bens culturais do país, ela afirmou ao Estado de S.Paulo que providências anteriores à tragédia estavam sendo tomadas, como o projeto financiado pelo BNDES, no valor de R$21,7 milhões, contrato assinado em junho de 2018, para restauração e requalificação do Museu.

«Não tem investimento nessas áreas», disse, referindo-se à preservação de acervos e da própria infraestrutura dos museus. «É o acervo de memória do país inteiro, mas não tem recursos. Os candidatos a presidente da República, nos programas, quase nunca falam de patrimônio e cultura.

É preciso acontecer uma tragédia dessas para o Brasil ficar exposto à comunidade internacional», disse, revoltada, Kátia Bogéa. «A gente perdeu nossa memória, nossa história», continuou a presidente. «A gente não vai ter mais Luzia. Luzia morreu no incêndio», afirmou, assustada, referindo-se ao esqueleto mais antigo já encontrado nas Américas, com cerca de 12 mil anos de idade.

«Vai ver como está a situação dos nossos museus, de acervos, qual é a importância que o Brasil está dando para isso. É uma questão que terá de entrar num debate sério», refletiu. Ela destacou que o Iphan está discutindo com os grupamentos de Corpo de Bombeiros de cada estado a aprovação de um texto normativo comum a todos para orientar a atuação nos prédios históricos e acervos.

«O que o Iphan fez foi discutir para alinhar essa linguagem. E, olha que coincidência, na semana passada essa normativa estava saindo da procuradoria jurídica para ser publicada esta semana. Aí acontece essa tragédia.» Ela destacou que se o Museu Nacional tivesse feito a obra pleiteada, que foi aprovada há dois meses pelo BNDES, isso não teria acontecido.

«Ia ter todo um sistema de prevenção e combate a incêndio, diminuiria em muito a destruição.» Sobre o prédio do museu, a presidente do Iphan ressaltou que será preciso analisar em que condições estará o espaço, para então se pensar a recuperação. «A gente não sabe nem as condições que o prédio vai ficar.

  1. Se ele conseguir não cair, vai ter de fazer levantamento de engenharia, escoramento, para poder depois desenvolver estudo para a recuperação dele», observou Kátia.
  2. Acervo Um dos elementos de maior valor é o mais antigo fóssil humano encontrado no Brasil, batizado de Luzia, parte da coleção de Antropologia Biológica.

Achado em Lagoa Santa, em Minas Gerais, em 1974, trata-se de uma mulher que morreu entre os 20 e os 25 anos de idade e foi uma das primeiras habitantes do país. Também exposto no saguão do museu está o maior meteorito já encontrado no Brasil, o Bendegó, com 5,36 toneladas. Qual O Tema Do Mapa A primeira réplica de um dinossauro de grande porte já montada no Brasil é outra das maiores atrações do Museu Nacional. Tanto assim que o Maxakalisaurus topai, um herbívoro de 9 toneladas e 13 metros de comprimento, tem uma sala só para ele. O dinossauro viveu há cerca de 80 milhões de anos na região do Triângulo Mineiro.

Sem dúvida, ele é o preferido do público», sustenta Alex Kellner. «É o meu preferido também», confessa o diretor, que é paleontólogo. As múmias também estão entre os grandes destaques do acervo. O corpo mumificado de um índio Aymara, grupo pré-colombiano que vivia junto ao Lago Titicaca, entre o Peru e a Bolívia, abre a série de múmias andinas do Museu Nacional.

Trata-se de um homem, de idade entre os 30 e os 40 anos, cuja cabeça foi artificialmente deformada, uma prática comum entre alguns povos daquela região. Os mortos Aymara eram sepultados sentados, com o queixo nos joelhos e amarrados. Uma cesta era tecida em volta do defunto, deixando de fora apenas as pontas dos pés e a cabeça.

  1. O Museu Nacional tem a maior coleção de múmias egípcias da América Latina.
  2. A maior parte das peças foi arrematada por D.
  3. Pedro I, em 1826.
  4. São múmias de adultos, crianças e também de animais, como gatos e crocodilos.
  5. A maioria é proveniente da região de Tebas.
  6. Lápides com inscrições em hieróglifos também fazem parte da coleção.

Os fósseis da preguiça-gigante e do tigre-de-dente-de-sabre que viveram há mais de 11 mil anos são dois expoentes do período da megafauna brasileira e encantam as crianças há décadas, muito antes das primeiras réplicas de dinossauros serem montadas no museu. Qual O Tema Do Mapa Museu Nacional do Rio de Janeiro Intensa fumaça pôde ser vista em todo o complexo do Museu Nacional do Rio de Janeiro Reprodução/Twitter Qual O Tema Do Mapa Museu Nacional do Rio de Janeiro Centenas de bombeiros foram deslocados para tentar controlar as chamas Reprodução/Twitter Qual O Tema Do Mapa Museu Nacional do Rio de Janeiro Colunas de fumaça e fogo eram vistas a distância Reprodução/Twitter Qual O Tema Do Mapa Museu Nacional do Rio de Janeiro O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, ressaltou que é uma «negligência absurda» o ocorrido em 2 de setembro Reprodução/Facebook Qual O Tema Do Mapa Museu Nacional do Rio de Janeiro Questionado sobre a responsabilidade do Ministério na Cultura, Leitão explicou que o órgão fez um levantamento de tudo o que era necessário para a revitalização do espaço Alexandre Macieira/ Riotur Qual O Tema Do Mapa Museu Nacional do Rio de Janeiro Representantes do museu destacaram que a tragédia serve de alerta para que outras não ocorram Alexandre Macieira/ Riotur Qual O Tema Do Mapa Fóssil Luzia Um dos elementos mais valiosos é o mais antigo fóssil humano encontrado no país, batizado de Luzia, parte da coleção Antropologia Biológica Reprodução Qual O Tema Do Mapa Museu Nacional do Rio de Janeiro Patrimônio perdido é incalculável Reprodução/Instagram 0 O trono do rei de Daomé está na coleção do Museu Nacional desde 1818. O reino da África, criado no século 17, se situava onde hoje está o Benin e durou até o fim do século 19.

Onde Luzia se encontra atualmente?

Os enigmas de Luzia, o mais antigo fóssil humano já encontrado no Brasil Encontrada em Lagoa Santa, Minas Gerais, com idade estimada em 11.500 anos, Luzia é um dos fósseis mais antigos do continente americano A descoberta do fóssil de representa um dos feitos mais importantes da brasileira.

  • O achado, que tem em torno de 11.500 anos, foi muito estudado pela comunidade desde os anos 90.
  • Porém, mesmo com tantas pesquisas, ainda hoje existem controvérsias quanto à verdadeira aparência da e seu povo de origem.
  • O fóssil de Luzia foi encontrado em 1974 por Annette Laming-Emperaire, uma arqueóloga francesa, na Lagoa Santa, em Minas Gerais.

Mais tarde, em 1995, foi recuperado pelo antropólogo brasileiro Walter Neves e recebeu o nome de Luzia em homenagem a Lucy, famoso fóssil de australopiteco de 3,2 milhões de anos. Qual O Tema Do Mapa Crânio de Luzia – Wikimedia Commons Características Luzia era uma mulher na faixa dos 20 anos quando morreu e possuía 1,50m de altura. Neves defendia a tese de que ela era parecida com os australianos e os negritos de Nova Guiné e, assim, seria bem diferente dos indígenas modernos.

  1. A partir desta ideia, o bioantropólogo britânico Richard Neave, deu vida reconstrução mais famosa da face de Luzia, em 2003.
  2. Dessa forma, o brasileiro acreditava que a América foi colonizada em mais de uma leva, sendo que, para ele, o povo de nossa ancestral teria sido extinto ou absorvido por outros.

Depois disso, os antropólogos Rolando González-José, Frank Williams e William Armela, contestaram a teoria de Neves. Eles afirmaram que o crânio poderia ser classificado como um paleoíndio típico. O próprio Neves mudou de opinião quando, no ano de 2005, uma pesquisa confirmou que ela era parecida com os atuais índios ‘botocudos’. Qual O Tema Do Mapa Reconstrução de Luzia pela teoria australásia – Divulgação Cícero Moraes Não só ela, mas todos os fósseis se mostraram semelhantes aos índios modernos da América do Norte, local onde foi iniciada a colonização asiática da América. No dia 2 de setembro um grave incêndio destruiu tanto a estrutura quanto grande parte da coleção do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

  1. O fóssil de Luzia encontrava-se no prédio, o que deixou a muitos receosos de que havia sido consumido pelo fogo.
  2. No entanto, 80% do esqueleto foi encontrado e levado para restauração.
  3. Em 17 de janeiro de 2019, após as reformas, o museu reabriu para o público.
  4. Saiba mais sobre evolução humana pelas obras abaixo: 1.2.

Um Esqueleto Incomoda Muita Gente., de Walter Neves – 3. E 4. Assim caminhou a humanidade, de Walter Neves – Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Quem criou a Luzia?

Veja quem é a LuzIA, a Inteligência artificial do WhatsApp – ACidade ON Ribeirão Preto A LuzIA está no WhatsApp com uma inteligência artificial desenvolvida para ser uma assistente virtual de texto Qual O Tema Do Mapa LuzIA é a assistente de texto presente do WhatsApp e no Tetelgram (Imagem: Divulgação) A buscas no Google para saber quem é e como conversar com a LuzIA do WhatsApp têm crescido. A novidade é a inteligência artificial desenvolvida para ser uma assistente virtual de texto,

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Para conversar com a LuzIA é simples. Salve o número +55 11 97255-3036 na agenda ou acesse o site (). Lá você pode optar por interagir via WhatsApp ou Telegram. Vale destacar, que a ferramenta foi alimentada com dados até 2021, assim, se você perguntar sobre a cantora Rita Lee, por exemplo, a LuzIA não tem a informação que ela morreu no dia 9 de maio de 2023. A LuzIA pode transcrever mensagens de voz, traduzir textos, ajudar a criar imagens, ajudar a planejar tarefas, entre outras funções. Seguindo nas funcionalidades, se você recebeu uma mensagem de voz e não vai poder ouvir, basta encaminhá-la para a LuzIA.

Ela transcreve rapidamente. Nos testes que o acidade on realizou, o limite é áudio com 10 minutos. A LuzIA pode, por exemplo, traduzir a letra da música que você gosta em poucos segundos. Ela possui uma memória com cerca de 80 idiomas. A LuzIA foi criada pelo espanhol Álvaro Higes, engenheiro e professor.

A iniciativa de apoio de investidores do Vale do Silício. Ela já chegou a 40 países e tem mais de 4 milhões de usuários cadastrados. LEIA MAIS : Veja quem é a LuzIA, a Inteligência artificial do WhatsApp – ACidade ON Ribeirão Preto

Como foi encontrado Luzia?

Após o incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro em setembro de 2018, o crânio de Luzia foi encontrado dentro de um armário semidestruído com a caixa de ferro parcialmente derretida. O crânio foi encontrado em meio a muita emoção, fragmentado mas com pelo menos 80% dos fragmentos identificados.

Quem descobriu a Luzia?

Descoberta – O esqueleto foi encontrado no início dos anos 1970, pela missão arqueológica franco – brasileira chefiada pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire (1917-1977), em escavações na Lapa Vermelha, uma gruta no município de Pedro Leopoldo (MG).

  1. A gruta era famosa pelos trabalhos do cientista Peter Lund (1801-1880), que lá descobrira, entre 1835 e 1845, milhares de fósseis de animais extintos da época do Pleistoceno e 31 crânios humanos em estado fóssil do que passou a ser conhecido como o Homem de Lagoa Santa,
  2. Seus hábitos alimentares incluíam folhas, frutas, raízes e algumas vezes, carne.

Inicialmente, Emperaire, acreditava que havia na verdade dois esqueletos diferentes no local do sítio arqueológico: um mais recente, datado em 11 mil anos, e outro localizado um metro abaixo, datado em 12 mil anos, o qual seria da cultura Clóvis e ao qual pertenceria o crânio de Luzia.

Qual foi o achado arqueológico mais importante de Lagoa Santa?

Atualmente, a mais antiga e famosa descoberta fóssil da América do Sul é conhecida como Luzia, também localizada em Lagoa Santa, na década de 1970. O esqueleto, descrito pela equipe do arqueólogo Walter Neves, fortaleceu a hipótese de que o continente tenha sido ocupado por diversas correntes migratórias.

Qual é a importância do sítio arqueológico de Lagoa Santa?

Patrimônio Arqueológico – Primeiras Ocupações Humanas A região de Lagoa Santa se destaca em função do seu rico patrimônio arqueológico e paleontológico, contando com mais de 180 anos de pesquisas, e registros de ocupações humanas que remontam a 11.500 anos atrás.

Qual a importância das cavernas em Lagoa Santa para as descobertas arqueológicas?

Patrimônio Arqueológico – Primeiras Ocupações Humanas – Registro de pinturas rupestres em Lagoa Santa por Peter Wilhelm Lund – Imagem de Peter Andreas Brandt A região de Lagoa Santa se destaca em função do seu rico patrimônio arqueológico e paleontológico, contando com mais de 180 anos de pesquisas, e registros de ocupações humanas que remontam a 11.500 anos atrás.

São diversos os vestígios e achados arqueológicos na região, que teve seus primeiros estudos realizados pelo dinamarquês Peter Wilhelm Lund no século XIX, Dr Lund também conhecido como pai da paleontologia brasileira residiu em Lagoa Santa por 44 anos, onde desenvolveu série de estudos, tendo visitado diversas grutas e reunido um expressivo acervo de achados paleontológicos e arqueológicos.

Suas pesquisas na região deram e ainda dão visibilidade ao município em escala internacional, principalmente pela quantidade e significância desses achados. Dr Lund foi responsável pela descoberta de grande parte da fauna pleistocênica da região, além do famoso Homem de Lagoa Santa, propondo teorias sobre a convivência entre ambos.

Lund estava acompanhado do norueguês Peter Andreas Brandt, um exímio artista, que além de registrar as escavações e achados operados pelo dinamarquês, deixou também um belo registro das paisagens da região de Lagoa Santa no séc. XIX, Os estudos de Lund contribuíram de forma significativa para diversas áreas do conhecimento, como a Paleontologia, Espeleologia, Arqueologia e Antropologia,

Suas pesquisas e análises também foram de enorme importância para a Teoria de Evolução das Espécies, publicada em 1859 por Charles Darwin, Eugenius Warming trabalhou com Peter Lund. Influenciado pela vegetação de Lagoa Santa, foi um dos fundadores da ecologia vegetal A abundância de vestígios fósseis, e a importância conotada a esses vestígios pelas pesquisas empreendidas por Dr. Lund, atraíram desde metade do século XIX a atenção de uma série cientistas e naturalistas para Lagoa Santa.

  • Dentre eles Warming que viveu na região durante 3 anos (entre 1863 e 1866 ) exercendo a função de secretário de Lund, e desenvolvendo aqui estudos pioneiros sobre as espécies do cerrado brasileiro, sendo reconhecido pelo seu livro «Lagoa Santa» como o pai da ecologia vegeta l.
  • Além de Warming diversos outros estudiosos e naturalistas passaram pela região no Século XIX, como Burmeister, Richard Burton, Agassiz, Riedel, dentre outros.

No século XX várias pesquisas foram desenvolvidas na região por outros pesquisadores, como Cássio H.Lannari por volta de 1909 e Padberg Drenkpol. Drenkpol dirigiu expedições do Museu Nacional do Rio de Janeiro à região de Lagoa Santa em 1926 e 1929, com objetivo de verificar a veracidade das teorias desenvolvidas por Dr.

  • Lund a cerca da contemporaneidade da extinta fauna pleistocênica com o » Homem de Lagoa Santa «.
  • Em 1956 a missão americano-brasileira liderada por Wesley Hurt empreendeu pesquisas no sítio arqueológico da Cerca Grande em Lagoa Santa, concluindo em seus estudos que as ocupações antigas na região de estariam em torno de 10 mil anos (Hurt & Blasi,1969).

Outras pesquisas foram realizadas pela Academia de Ciências de Minas Gerais, onde Harold Walter, Arnaldo Cathoud e Anibal Matos escavaram varias grutas e abrigos desde 1933, reunindo significativa coleção e publicando sobre seus achados até 1970. No início da década de 1970 ocorreram na região pesquisas da missão franco-brasileira, coordenada pela arqueóloga francesa Annette Laming Emperaire, e com a participação de diversos paleontólogos e arqueólogos brasileiros e franceses, como André Prous e Niède Guidon, Reconstituição facial de Luzia Foram estudos realizados por Walter Neves, do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da USP/SP que revelaram características importantes das populações antigas de Lagoa Santa, demonstrando como sua morfologia craniana se assemelhava ao de grupos africanos e dos aborígenes australianos.

Através desses estudos Walter Neves batizou o crânio encontrado pela missão franco-brasileira na década de 70, com datações de 11.500 anos, de » Luzia «. Segundo os indícios, as populações dessa primeira ocupação se caracterizavam como caçadores e coletores, apresentando um sistema de ocupação sazonal, e dieta que tomava como base a coleta de frutas e outros vegetais do cerrado, sendo complementada pela caça.

Posteriormente as primeiras levas humanas foram absorvidas e/ou dizimadas com a chegada de novos grupos à região, esses grupos já apresentavam morfologia craniana semelhante as dos atuais asiáticos. Eles desenvolveram as indústrias líticas e cerâmicas, além da prática da arte rupestre,

Diversas são as evidências dessas manifestações culturais na região de Lagoa Santa, presentes nos sítios arqueológicos da Lapa Vermelha, Cerca Grande e Sumidouro. Os estudos em torno da morfologia craniana das antigas populações de Lagoa Santa, contribuíram de forma definitiva, para a crítica ao tradicional modelo explicativo da povoação do continente americano, baseada nos achados do sítio de Clóvis, New México/USA.

A partir dos achados e constatações, surgiu a hipótese dos dois componentes biológicos, desenvolvida por Walter Neves, trazendo novas teorias a cerca do povoamento e ocupação humana nas Américas. Entre 2001 e 2009, mais pesquisas foram desenvolvidas na região, através do projeto Origens e Microevolução do Homem na América: Uma Abordagem Paleoantropológica, realizadas pelo Laboratório de Estudos Evolutivos da USP, sob coordenação do Prof.

  1. Walter Neves,
  2. Essas pesquisas ocorreram no sítio arqueológico da Lapa do Santo, na região arqueológica de Lagoa Santa, onde foram encontrados 26 sepultamentos humanos com datações que chegam até 8.800 anos atrás.
  3. Nesse mesmo sítio foi encontrado um petróglifo com datação em aproximadamente 10.500 anos, sendo esse o mais antigo grafismo rupestre encontrado até o presente momento no continente americano.

Dando sequência aos estudos, mais pesquisas foram realizadas no projeto Morte e vida na Lapa do Santo: uma biografia arqueológica do povo de Luzia, coordenado pelos pesquisadores André Strauss, do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), e Rodrigo de Oliveira, do Instituto de Biociências.

  1. Escavações levaram à descoberta de 39 esqueletos humanos com idades entre 8 mil e 11 mil anos na Lapa do Santo em 2018.
  2. Os ossos revelam que os povos que viviam no local na altura eram complexos e tinham práticas funerárias elaboradas.
  3. De acordo com Strauss, todos os esqueletos tinham sinais de rituais mortuários — «alguns estavam queimados, outros pintados de vermelho e alguns combinavam crânios de crianças com corpos de adultos, ou dentes de uma pessoa com a arcada de outra».

Os sinais mortuários variavam dependendo da idade arqueológica dos ossos, possivelmente indicando que a forma de tratar os corpos dos mortos foi mudando ao longo do tempo. De acordo com Strauss, isto é descoberta inédita na arqueologia brasileira. Essas pesquisas estão revelando aspectos desconhecidos nas populações antigas da região, com foco em as suas práticas funerárias, que apresentam ao contrário do que se pensava, uma complexidade e variabilidade muito alta.

Os estudos já renderam diversos achados de destaque, incluindo o caso mais antigo de decapitação encontrado até hoje nas Américas. Também estão sendo feitas importantes constatações sobre o modo de vida, a dieta e a saúde dessas populações. As pesquisas na Lapa do Santo estão contribuindo de forma decisiva para se confirmar as antigas hipóteses sobre as populações de Lagoa Santa.

Além disso estão abrindo novas possibilidades de interpretação dos achados, demonstrando que a complexidade e variabilidade cultural eram muito maiores do que se imaginavam. Possivelmente a região esteve ocupada por diferentes grupos em um mesmo momento, o que revela, que provavelmente não existia um povo de Luzia, mas sim vários «povos de Luzia».

Quais os fósseis encontrados em Lagoa Santa?

Bem perto de Belo Horizonte, na região de Lagoa Santa (Minas Gerais), existem heranças surpreendentes de um mundo muito antigo. Heranças estas que devemos preservar e sobre as quais ainda temos muito a aprender. Em 1835, o cientista dinamarquês Peter Lund, considerado o pai da Paleontologia brasileira, instalou-se em Lagoa Santa, colocando a pequena cidadezinha no mapa da ciência. Qual O Tema Do Mapa Foto: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-biologicas/dna-antigo-conta-nova-historia-sobre-o-povo-de-luzia O Homem de Lagoa Santa O «Homem de Lagoa Santa», como foi batizado o conjunto de fósseis humanos, contribuiu muito com a pesquisa arqueológica brasileira e ajudou a reconstruir um importante período da nossa pré-história. Qual O Tema Do Mapa Foto: Sydney Picasso Crânio do acervo do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG A teoria de Lund, porém, só chegou a ser confirmada muito tempo depois, em 2002, com base em análises das ossadas. Isso porque, na época em que foi realizada a escavação, não se utilizava o método do carbono-14 para datações. Qual O Tema Do Mapa Antes desse método de datação, a idade dos ossos era baseada na suposta fossilização e nos aspectos geológicos e geomorfológicos da região. Analisando a morfologia craniana do «Homem de Lagoa Santa», Lund considerou-a «primitiva», pensando ser um tipo de crânio com arcos superciliares.

  1. O famoso conjunto está entre os esqueletos humanos mais antigos até hoje descobertos no continente americano.
  2. Luzia Atualmente, a mais antiga e famosa descoberta fóssil da América do Sul é conhecida como Luzia, também localizada em Lagoa Santa, na década de 1970.
  3. O esqueleto, descrito pela equipe do arqueólogo Walter Neves, fortaleceu a hipótese de que o continente tenha sido ocupado por diversas correntes migratórias.

De acordo com esta hipótese, o grupo de Luzia teria habitado o sul da China e o sudeste da Ásia e migrado para a América e para a Oceania. Qual O Tema Do Mapa Museu Arqueológico da Lapinha Gostou de saber que bem pertinho de Belo Horizonte existem muitos registros importantes sobre o nosso passado? Que tal conhecer mais um pouco desse passado e descobrir ainda mais vestígios? A cidade de Lagoa Santa fica 50 km ao norte de Belo Horizonte, a cerca de uma hora da capital, e possui um museu aberto para visitação, o Museu Arqueológico da Lapinha,

DA-GLÓRIA, P.; NEVES, W.A. HUBBE, M. Histórias das pesquisas bioarqueológicas em Lagoa Santa, Minas Gerais, Brasil. Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Cienc. Hum., Belém, v.12, n.3, p.919-936, set-dez.2017. NEVES, W.A.; DA-GLORIA, P.; HUBBE, M. Lagoa Santa: em busca dos primeiros americanos. Ciência e Cultura, v.68, n.4, out.-dez., 2016. Museu da Lapinha. Histórico.2020 SOUZA, S.M.F.M. de; RODRIGUES-CARVALHO, C.; SILVA, H.P. LOCKS, M. Revisitando a discussão sobre o Quaternário de Lagoa Santa e o povoamento das Américas: 160 anos de debates científicos. In: RODRIGUES-CARVALHO, C.; SILVA, H.P. LOCKS, M. (Orgs.) Nossa Origem: o povoamento das Américas. Visões Multidisciplinares. Rio de Janeiro: Vieira e Lent, 2006. NEVES, W.A.; DA-GLORIA, P.; HUBBE, M. Lagoa Santa: em busca dos primeiros americanos. Ciência e Cultura, v.68, n.4, out.-dez., 2016.

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