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Quem Escreveu O Livro Macunaima?

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O que diz o livro Macunaíma?

Macunaíma é um famoso romance da primeira fase do modernismo brasileiro. Narra as aventuras de Macunaíma, herói sem nenhum caráter que sai da floresta amazônica e vai para São Paulo, onde enfrenta o gigante Piaimã. O vilão está de posse de uma muiraquitã, um amuleto que o herói recebeu de Ci, a Mãe do Mato.

Que escreveu o livro Macunaíma em português?

Mas não é só isso que faz a grandeza dessa obra-prima, o romance rapsódia Macunaíma – O herói sem nenhum caráter, que o modernista Mário de Andrade (1893-1945) publicou em 1928, há 90 anos.

O que quer dizer a palavra Macunaíma?

Roda de conversa retoma mitos indígenas para debater o Brasil atual Escrita em 1928, a obra-prima de Mário de Andrade, Macunaíma, ainda é motivo de debate no mundo literário. O livro, que conta a história de um herói indígena em busca de uma pedra preciosa, revolucionou a forma como era vista a cultura brasileira. Por isso, no próximo sábado, 16 de fevereiro, às 15h, o Espaço do Conhecimento UFMG promove a atividade Macunaíma: os mitos indígenas e o Brasil atual,

Além de ter elementos que ainda hoje representam o Brasil, a obra revela um enorme acervo de palavras indígenas, especificamente do tupi guarani. Muitos mitos desse povo também estão presentes no livro, como a origem do nome Macunaíma, que significa o «grande mal». A roda de conversa vai explorar o Brasil atual e sua relação com os indígenas.

A classificação indicativa é de 13 anos. Para participar, basta retirar uma senha na recepção do Espaço. A entrada é gratuita. A programação do Espaço ainda conta com outras diversas atrações para todas as idades. Oficinas, contação de histórias e percursos pelas exposições prometem agitar o mês de fevereiro.

Macunaíma: os mitos indígenas e o Brasil atual Quando: Sábado, 16 de fevereiro, às 15h Participação: gratuita mediante retirada de senha na recepção Classificação: 13 anos Onde: Espaço do Conhecimento UFMG – Praça da Liberdade, 700, Funcionários, BH

Roda de conversa retoma mitos indígenas para debater o Brasil atual

Qual foi o propósito de Mário de Andrade ao escrever Macunaíma?

Mário e Paulo, envolvidos no movimento cultural e intelectual denominado Modernismo, buscaram provavelmente, na confecção das obras em questão, revelar o caráter do brasileiro, a sua identidade, lançando mão da história da formação da sociedade brasileira, desde a colonização.

Qual a frase mais famosa de Macunaíma?

Macunaíma, o herói do nosso povo, possui uma marca lingüística, a famosa frase ‘Ai! que preguiça!’ ‘Ai, que preguiça’ – uma só frase, duas culturas, dois idiomas, uma onomatopéia e um pleonasmo.

Qual é a religião de Macunaíma?

E Macunaíma, o protagonista, caracteriza-se como um herói sincrético, inclusive, no próprio quesito religião já que não está intimamente vinculado a nenhuma delas, utilizando-se de símbolos e elementos sagrados de variadas crenças e participando também de rituais diversos.

Por que Macunaíma foi para São Paulo?

Macunaíma, de Mário de Andrade, é um livro modernista, publicado, pela primeira vez, em 1928. C onta a história de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, Índio nascido na Floresta Amazônica, depois de perder a muiraquitã dada por sua companheira, Ci, a Mãe do Mato, ele decide viajar até a cidade de São Paulo para recuperar o amuleto.

  • Na trajetória do herói, elementos da cultura indígena e afro-brasileira são mostrados ao leitor e à leitora.
  • Desse modo, a obra se configura em uma narrativa nacionalista, mas de caráter crítico, já que os personagens são apresentados sem nenhuma idealização.
  • Além disso, a língua portuguesa é mostrada em sua rica variedade,

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Qual foi o fim de Macunaíma?

Resumo da obra Macunaíma – Macunaíma nasceu em uma tribo indígena amazônica às margens do mítico Rio Uraricoera. Tinha particularidades que o caracterizavam e o diferenciavam das demais pessoas como, por exemplo, suas muitas travessuras e uma exacerbada preguiça.

  1. Uma de suas falas mais emblemáticas é «Ai, que preguiça!».
  2. Outro ponto bastante destacado na obra é a sexualidade precoce do protagonista; desde muito cedo teve relações sexuais, chegando, inclusive a se envolver sexualmente com Sofará, esposa de seu irmão Jiguê.
  3. Após o falecimento da mãe, Macunaíma decidiu ir embora para a cidade com seus irmãos Maanape e Jiguê.

Eis que, no percurso, conhece a índia Ci (chamada de «Mãe do Mato»), por quem acaba se apaixonando e que vem a se tornar seu único amor. Com a ajuda de Maanape e Jiguê, Macunaíma consegue dominar Ci e, assim, «brinca» com a índia. (o verbo «brincar» é utilizado na obra com o sentido de «ter relações sexuais».) Do envolvimento sexual nasce um filho que posteriormente vem a óbito.

  1. No dia seguinte ao falecimento, no local onde antes estava o corpo do bebê, havia nascido uma planta: um pé de guaraná.
  2. Desgostosa com o falecimento do filho, a índia Ci acaba por subir aos céus e virar uma estrela.
  3. Antes de partir, no entanto, deixa a Macunaíma um amuleto: a pedra muiraquitã.
  4. Na continuidade da trama, Macunaíma trava uma batalha com a cobra gigante Capei e, como consequência disso, acaba por perder o tão estimado amuleto.

Ao tomar conhecimento de que a muiraquitã estava em São Paulo sob a posse de Venceslau Pietro Pietra (o gigante Piaimã, conhecido como «comedor de gente»), Macunaíma parte para a cidade, com o objetivo de reaver o seu amuleto. Assim, juntamente com seus irmãos, segue em uma expedição rumo à recuperação do muiraquitã.

Durante o percurso, os irmãos atravessam um lago mágico. Quando banhou seu corpo nas águas do lago, Macunaíma, que assim como seus irmãos tinha a pele negra, notou que tinha ficado branco e loiro. Em seguida, foi a vez de Maanape. Ao passar pelas águas já turvas em consequência à passagem de Macunaíma, ele percebeu que seu corpo havia ficado com um tom avermelhado.

Por fim, foi a vez de Jiguê que, ao passar, já se deparou com as águas secando e, por isso, apenas conseguiu molhar as palmas das mãos e as solas dos pés. Essa passagem da obra, destaca três etnias existentes no Brasil: branco, índio e negro. Ao chegar a São Paulo, Macunaíma se deparou com uma realidade bem diferente daquela à qual estava acostumado; prédios, automóveis, etc., tudo era novidade.

Durante algum tempo, refletiu sobre a relação entre os homens e as máquinas, que concluiu se tratarem de deuses criados pelos próprios humanos. Após concluir suas reflexões, voltou a focar na recuperação de seu amuleto e dirigiu-se ao Pacaembu para ir ao encontro de Venceslau Pietro Pietra. Foi, então, recebido com uma flechada e teve seu corpo carregado para ser cozidos aos pedacinhos.

Eis que Maanape consegue invadir a casa de Piaimã, recolhe os pedacinhos do corpo de seu irmão, e com um sopro de fumo sobre eles, trouxe-o de volta à vida. Macunaíma não parou por aí; se disfarçou de francesa e tentou seduzir o gigante para assim, recuperar a pedra.

  1. Ao perceber que Piaimã apenas iria entregar o amuleto à «francesa» se ela «brincasse» com ele, Macunaíma foge em disparada e, com isso, percorre todo o território brasileiro.
  2. Nessas andanças, vivenciou diferentes experiências: passou por um terreiro de macumba no Rio de Janeiro; conheceu Vei (a Sol), que quis que ele se casasse com uma de suas três filhas; aprendeu as (línguas locais – o português escrito e o brasileiro falado); foi perseguido por Ceiuci, esposa de Piaimã, sob a forma de pássaro; dentre outras tantas.

O desfecho da busca pelo muiraquitã deu-se na própria casa de Piaimã; Macunaíma conseguiu recuperar o amuleto após convencer o gigante a se balançar em um local que, na verdade, era uma máquina de tortura. No fim da vida, Macunaíma foi contaminado com a malária e passou boa parte do seu tempo deitado em uma rede e na companhia de um papagaio que ouvia suas histórias.

O que é ser filho de Macunaíma?

O documento político – Por Vitor Velloso Filhos de Macunaíma O novo filme de Miguel Antunes Filho, «Filhos de Macunaíma», é uma provocação política que se permite existir pela configuração daqueles corpos antes a reestruturação do governo. Seu título surge em meio a oposição estatal à cultura e o nacionalismo tóxico crescente.

  1. O longa compreende que seus personagens são forças imagéticas por si só e em um ato de emancipação do dever do cineasta enquanto um documentarista que fosse se inclinar às perguntas, decide observar sem interferência.
  2. Tal escolha traz aos personagens uma independência na tela muita bem vinda que situa a obra em um espectro internacional, que vem abarcar o assunto da imigração e do êxodo de maneira latino-americana e não apenas nacional.

Os índios que assistimos conquistando espaços em um meio social, ou buscando os mesmos, contornam o preceito dos reacionários, ainda que estejam à margem da sociedade. O documentário possui diversos capítulos para situar as diferentes estruturas geográficas, econômicas e sociais, partindo do dançarino, que possui uma resistência à alguns padrões culturais, indo ao homem que trabalha em prol de sua comunidade.

Todos os arcos possuem o tempo necessário para se desenvolver uma proposta específica de debate acerca daquele tempo e espaço. O arco da mulher que transita entre a Guiana Inglesa e o Brasil, é especialmente delicado, pois sua ausência com os filhos infringe problemáticas ao desenvolvimento deles, mas é a única maneira possível de sustentar a família, além disso a residência onde vivem permanece alagada a maior parte do tempo em período de chuva e não há recursos para uma reforma, o que a força ao garimpo.

O contundente retrato da realidade nacional é uma constatação que a segregação segue perseguindo as minorias com uma força avassaladora, seja no campo econômico, religioso ou político. Aquilo que converge tais narrativas e que dá título ao filme, é uma apresentação de um grupo, em praça pública, onde aquela região de Roraima se faz presente.

  • E essa é uma das belezas do projeto, pois aquilo que o Brasil segrega, a regionalização agrega.
  • A resistência enquanto meio cultural atinge as camadas mais íntimas das discussões que se iniciam a partir do retrato.
  • Miguel compreende muito bem o que deve ser feito para que sua imagem possua senso crítico para onde se aponta, pois não há imagem que evoque uma postura política.

E o diretor possui algumas decisões inusitadas neste campo, realizando um travelling com todos os personagens, enquanto caminham para algum destino específico. São os corpos peregrinos que estão em constante movimento. Os planos de «Filhos de Macunaíma» possuem uma força única, já que surge como uma anunciação pungente da inserção de todos em outro espaço, o deslocamento que se deve fazer, sempre a pé, para que haja flexibilização em suas vidas.

  • Mas nunca por um incentivo exterior, pelo contrário, é uma caminhada que urge em ir contra a maré.
  • Não à toa, é raro vermos a figura do Estado surgir na tela, a polícia tirando foto das placas de aviso nas casas, é um desses momentos, outro é a Dilma no projeto «Minha casa, minha vida» visitando os moradores.

Neste momento, o olhar não torna-se dúbio, já que não se toma partido do quão funcional é a medida, apenas que sua necessidade se faz através da desigualdade histórica. E a visita da presidente ecoa por mais tempo na montagem, pois escutamos os moradores comentando sobre o momento e assim o documentarista deixa claro que a aproximação do Estado, em medidas públicas, é de fundamental importância para a resolução, ou redução, de determinados problemas.

«Filhos de Macunaíma», participante da Competição Latino-Americana da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental de 2019, não abre perspectivas para o atual momento do país, ainda que seja por uma questão de fim da produção, enxergamos que não há como vislumbrar o fim do contínuo genocídio, seja dos fazendeiros, ou dos engravatados.

Não se pode prever políticas públicas de um governo que promete extinguir cada centímetro de quilombola no país, assim, o vigor que estima-se das ações locais, não pode ser diferente do que a comunidade mostrada no filme realiza. Ainda que com problemas estruturais, o medo é uma constante que não se pode mensurar em relatório.4 Nota do Crítico 5 1

Por que Macunaíma é considerado um herói?

90 anos de Macunaíma: o herói sem caráter como personificação do movimento Antropofágico. Por que em 2018 ainda é importante refletir sobre o «herói sem caráter», alvo de elogios e críticas em torno da noção de cultura que ele representa? Em 2018 a obra Macunaíma, de Mário de Andrade, completa 90 anos desde seu lançamento. 1) Movimento Modernista: o rompimento com o tradicional e a inauguração do Brasil mítico. O movimento modernista brasileiro caracterizou-se pelo rompimento com a arte e a literatura tradicionalista, tendo como grande marco de inauguração a Semana de Arte Moderna de 1922.

O Modernismo inseriu-se em um contexto histórico de profundas mudanças e insatisfações políticas e econômicas, sendo São Paulo o palco do movimento. Á época, polo industrial do país, diferente do restante do país de características rurais. São Paulo era reflexo do desenvolvimento, cenário das novas indústrias, da maquinaria, do surgimento do «gênero burguês», advindo do início do processo de industrialização, assim como o surgimento do proletariado, do imigrante e, consequentemente, palco das contradições modernas.

O intuito inicial dos modernistas era recusar a literatura parnasiana e a de linguagem acadêmica, se colocando contra o gosto da época. Como reflexo, vieram às revistas modernistas, como Klaxon, Terra Roxa e Outras Terras. Para a consolidação dessas ideias surge o «Manifesto Pau-brasil» e «Manifesto Antropofágico» de Oswald de Andrade, pregando a necessidade de repensar a figura do brasileiro, o considerando em sua natureza, ficcional e estética, habitante de um Brasil mítico e selvagem, para além da visão triunfante do colonizador.

Pode-se dizer que a leitura do Brasil realizada pelos modernistas é de um país poliformo, que se apresentaria sob diversas formas, modificando-se e adaptando-se.2) Movimento Antropofágico: a deglutição de múltiplas culturas. O Movimento Antropofágico surge em 1928, sendo a síntese «radical» das reflexões artísticas modernas, propondo uma formação cultural para o país.

O Movimento teve entre os líderes Oswald de Andrade com a proposta de «deglutição» das demais culturas e estéticas artísticas. O nome do Movimento faz referencia aos rituais antropofágicos, comuns entre os povos nativos Tupinambás, que praticavam a antropofagia como um ritual de guerra.

  • Este se define pelo ato de consumir a carne dos guerreiros inimigos e absorver, pegar para si, a bravura e a coragem do vencido.
  • Por este motivo, ser devorado era uma das formas mais honráveis de morte.
  • Nesse sentido, Oswald de Andrade declara que «Só a ANTROPOFAGIA nos une.
  • Socialmente.
  • Economicamente.

Filosoficamente». (OSWALD, 1976). Releva a essência do Movimento: retratar a busca pela consolidação da cultura nacional com base na fusão de todas as suas heterogeneidades e dos opostos da realidade brasileira. A noção de identidade brasileira era até então abstrato devido à herança colonial e as múltiplas culturas e etnias que formaram esta sociedade – muitas vezes massacradas pela História e reprimidas em suas diversas manifestações.

Analisando e defendendo a imagem do índio antes da colonização como o «tipo ideal», em seu estado mais puro de natureza, Oswald aponta para a importante ligação do mesmo para com o solo, de seus valores que foram soterrados pelos princípios portugueses. O Movimento Antropofágico procurou digerir tanto o que estava dentro, enraizado, como o que vinha de fora do país, a partir da defesa de liberdade de criação e incorporação do vocabulário cotidiano se faz relevante por sua originalidade.

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Como colocado por Oswald, a Antropofagia é a «transformação permanente do Tabu em totem.» (OSWALD, 1976). Ou seja, transformar o «estranho» em parte significativa da identidade. Macunaíma pode ser considerado a personificação do Movimento Antropofágico, tornando-se, assim, um dos livros mais importantes da literatura brasileira.

  1. Afinal, é nele em que há uma ruptura linguística, mesclando a linguagem urbana e escrita com gírias populares, abandonando a língua rebuscada.
  2. Mario de Andrade opta pela linguagem regional e de tradição oral, como termos da cultura indígena.3) Macunaíma: herói ou anti-herói da nossa gente? Macunaíma: o herói sem nenhum caráter procurava romper com a realidade, realizar a modernização e a nacionalização da cultura brasileira.

No momento inicial do texto, Mario de Andrade descreve as características do herói desde seu nascimento em uma tribo indígena no meio da selva amazônica. «No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói da nossa gente». (ANDRADE, 1970). Descrito como «preto retinto e filho do medo da noite», Macunaíma ficou mais de seis anos sem falar uma única frase além de «Ai! Que preguiça».

Preguiçoso, passava seus dias monitorando o trabalho dos demais, principalmente de seus dois irmãos, Maanape e Jiguê. Descrito como interesseiro, só despertava e se colocava de pé para «ganhar vintém», Macunaíma seria comparado como o reflexo da síntese das heterogeneidades que compõe o homem brasileiro – indivíduo capaz de oscilar entre o bem e o mal, herói e vilão.

Deglutindo as formas exteriores e as transformando em vantagem. Por este motivo, Macunaíma pode ser colocado como a personificação do ideal antropofágico, da valorização das raízes da cultura brasileira, da junção de todas as diversidades que compõe esta sociedade em um único personagem.4) Piaimã: das etnias à cidade grande No capítulo V do livro chamado «Piaimã» são retratadas passagens fundamentais da obra, como a transformação de Macunaíma em «homem branco» e sua chegada a São Paulo.

A caminho da cidade, Macunaíma decide deixar guardada sua consciência em um lugar seguro. Consciência esta ligada à cultura indígena na qual cresceu. A partir daí é possível indagar qual a intenção do personagem: proteger sua cultura de origem dos males da civilização ou deixa-la para trás a fim de se aproximar da figura do homem da cidade grande? Macunaíma se banha em uma poça d’água, percebendo que esta correspondia a marca do «pezão de Sumé», que, pela descrição, fora um jesuíta, missionário da catequização indígena, impondo a moral portuguesa.

Por esta razão, a água é colocada como encantada, capaz de transformar Macunaíma de negro em branco, loiro e de olhos azuis, um típico homem europeu. Jiguê, seu irmão, ao perceber a transformação também se ariscou, porém, a água já estava escura, conseguindo apenas ficar «da cor do bronze».

Maanape, por sua vez, tentou se lavar com o resto de água que sobrara, continuando negro. Neste trecho do livro é possível destacar três etnias capazes de formar o indivíduo brasileiro e, consequentemente, a identidade brasileira: o português (colonizador), o índio (catequizado) e o negro (explorado pela formação escravista desta sociedade).

Conforme se pode observar na visão do autor, a fusão dessas culturas (europeia, indígena e africana) é capaz de dar origem, a partir de suas heterogeneidades, a cultura a brasileira. Os pássaros que acompanhavam o herói de Mario de Andrade o abandonam ao se aproximar da cidade.

Macunaíma, ao adentrar a capital, fica perturbado com as máquinas. O herói estranha todas as invenções tecnológicas feitas pelos homens, explorando as forças da natureza. Para tentar se adequar a uma realidade diferente da sua utiliza termos de sua cultura para nomear as máquinas. Macunaíma se depara com uma sociedade que perdeu suas raízes em relação à tecnologia e ao «progresso».

Em reflexão, passa uma semana sem comer e sem «brincar». Conclui, então, que «os homens é que eram máquinas e as máquinas é que eram homens» (ANDRADE, 1970, p.40). Desse modo, o protagonista percebe que o homem, apesar de ser o criador da máquina, se tornou submisso a ela no cenário civilizado.5) Carta pras Icamiabas: o português que se fala é diferente do português que se escreve.

  • No capítulo, «Carta pras Icamiabas», Mário de Andrade coloca em prática a feroz crítica à linguagem da Academia, rebuscada e provinciana, e, ao longo do capítulo, deixa explícita a ideia de que a língua falada, coloquial, é diferente da que se escreve.
  • Macunaíma é quem redige a carta às Icamiabas, na forma erudita.

Neste capítulo há uma tentativa de Macunaíma se expressar por meio da linguagem culta, tentando se afastar de suas raízes indígenas e se aproximar dos homens da cidade grande. Nessa passagem, Andrade critica a forma rebuscada de escrita a partir da ridicularizarão dessa norma, da hipercorreção, do rebuscamento e do exagero da norma culta.

  1. Mario de Andrade, enquanto Modernista, tem a intenção de ridicularizar as normas cultas da literatura parnasiana e ao homem «letrado», que não utiliza da linguagem local, abrasileirada.
  2. Este homem letrado estaria apenas procurando reproduzir a linguagem que vem de fora.
  3. Há, então, uma sátira retratando a relação do homem com a linguagem ao buscar a «perfeição» no rebuscado e provinciano.

CONCLUSÃO: Pode-se concluir que o intuito inicial dos modernistas, expresso na Semana de Arte Moderna de 1922, era recusar a literatura tradicional e parnasiana. Entre os líderes do Movimento, encontrava-se Oswald e Mario de Andrade, ambos empenhados em construir a cultura brasileira, expandida e ensinada em âmbito nacional.

  1. Esta noção de cultura que buscavam estava fortemente relacionada a «Antropofagia».
  2. A noção de cultura antropofágica denunciava que, apesar do país ter conquistado a independência política há mais de um século à época, ainda não havia proclamado a independência cultural.
  3. Essa noção de cultura encontra-se na síntese das várias etnias que compõe a formação da sociedade brasileira (indígena, africana, europeia e imigrante).

O símbolo do Movimento Antropofágico seria o índio pré-colonial, aquele que não havia sido corrompido pelo contato europeu. Pode-se dizer que a obra Macunaíma de Mario de Andrade sintetiza, conforme a visão dos modernistas, as heterogeneidades da realidade brasileira, transformando tabu em totem.

Macunaíma pode ser considerado a personificação do Movimento Antropofágico. Afinal, o «herói sem nenhum caráter» buscou retratar o que é o brasileiro: indivíduo que, conforme a obra de Oswald de Andrade, consegue oscilar entre o bem e o mal, o moral e o imoral, o herói e o anti-herói, possuindo um éthos elástico.

Podemos refletir se hoje, depois de 90 anos da publicação da obra, a sua atualidade se mantém presente no imaginário que constitui o que é a cultura brasileira e o que é ser brasileiro no século XIX. Bibliografia: ANDRADE, M. Macunaíma. O herói sem nenhum caráter.

  • São Paulo: Martins; 1970.
  • ANDRADE, Oswald de.
  • O manifesto antropófago.
  • In: TELES, Gilberto Mendonça.
  • Vanguarda européia e modernismo brasileiro: apresentação e crítica dos principais manifestos vanguardistas.3ª ed.
  • Petrópolis: Vozes; Brasília: INL, 1976. BOSI, A.
  • Moderno e modernista na literatura brasileira.

In: Temas de Ciências Humanas, no 6. São Paulo, 1979. : 90 anos de Macunaíma: o herói sem caráter como personificação do movimento Antropofágico.

Quem Macunaíma representa?

Continua após publicidade Com uma narrativa de caráter mítico, em que os acontecimentos não seguem as convenções realistas, a obra procura fazer um retrato do povo brasileiro, por meio do «herói sem caráter». – Leia a análise de Macunaíma Resumo Macunaíma nasce à margem do Uraricoera na Floresta Amazônica e já manifesta uma de suas características mais fortes: a preguiça.

Desde pequeno ele busca prazeres amorosos com a mulher de seu irmão Jiguê. Em uma de suas «brincadeiras» amorosas, Macunaíma se transforma em um príncipe lindo. Por suas traquinagens, Macunaíma é abandonado pela mãe. No meio do mato, encontra o Curupira, que arma uma cilada para o herói, da qual acaba escapando por preguiça de seguir o falso conselho do Curupira.

Depois de contar à cotia como enganou o monstro, ela joga calda de aipim envenenada em Macunaíma, fazendo seu corpo crescer, com exceção da cabeça, que ele consegue desviar do caldo. Com a ajuda dos irmãos, Macunaíma consegue fazer sexo com Ci, a Mãe do Mato, que engravida e perde o filho.

Após a morte do filho, Ci sob ao céu e se transforma em uma estrela. Antes disso, ela dá a Macunaíma a famosa muiraquitã, um tipo de talismã ou amuleto. Triste, Macunaíma segue seu caminho após se despedir das Icamiabas (tribo das índias sem marido). Encontra o monstro Capei e luta contra ele. Nessa batalha, perde o muiraquitã e fica sabendo que uma tartaruga apanhada por um mariscador havia encontrado o talismã, e esse o tinha vendido a Venceslau Pietro Pietra, rico fazendeiro, residente em São Paulo.

Continua após a publicidade O herói, acompanhado dos irmãos, vai para São Paulo, com o objetivo de recuperar a pedra. Na cidade, descobre que Venceslau Pietro Pietra é o gigante Piaimã, devorador de gente que era amigo da Ceiuci, também apreciadora de carne humana.

Macunaíma disfarça-se de francesa para seduzir o gigante Piaimã e recuperar a muiraquitã. O gigante propõe dar a pedra ao herói disfarçado se esse aceitasse dormir com ele. Macunaíma, então, foge numa correria por todo o Brasil. Macunaíma vai para um terreiro de macumba no Rio de Janeiro e pede à macumbeira que dê uma sova cruel no gigante.

Ainda no Rio, o herói encontra Vei, a deusa-sol. O herói promete a Vei que iria casar-se com uma de suas filhas. Na mesma noite, no entanto, Macunaíma «brinca» (ou seja, faz sexo) com uma portuguesa, enfurecendo a deusa. Ela manda um monstro pavoroso atrás do herói, que foge deixando a portuguesa com o monstro.

No retorno a São Paulo, Macunaíma escreve a famosa «Carta pras Icamiabas», na qual descreve, em estilo afetadíssimo, a agitação e as mazelas da vida paulistana. Continua após a publicidade Com Venceslau Pietro Pietra adoentado por conta da surra que levou de Exu, Macunaíma fica impossibilitado de recuperar a pedra.

Assim, ele gasta seu tempo aprendendo as difíceis línguas da terra: «o brasileiro falado e o português escrito». Depois de arrumar uma saborosa confusão na cidade, o herói vai visitar o gigante, que ainda se recuperava. Resolve fazer uma pescaria no Tietê, onde também costumava pescar Ceiuci.

Além de brincar com a filha da caapora, Macunaíma foge de Ceiuci em um cavalo que percorre de forma surrealista a América Latina: em algumas linhas, faz o incrível trajeto de Manaus à Argentina. Disfarçando-se de pianista, Macunaíma tenta obter uma bolsa de estudo para seguir no encalço de Venceslau Pietro Pietra, que fora para a Europa.

Não conseguindo ludibriar o governo, decide viajar pelo Brasil com os irmãos. Numa das andanças, com fome, o herói encontra um macaco comendo coquinhos. O macaco diz cinicamente que estava comendo os próprios testículos. Macunaíma, ingenuamente, pega então um paralelepípedo e bate com toda a força nos seus, ditos, coquinhos.

O herói morre e é ressuscitado pelo irmão Manaape, que lhe restitui os testículos com dois cocos-da-baía. Jiguê se enamora de uma moça piolhenta, que brinca toda hora com Macunaíma. Quando descobre a traição, Jiguê dá uma sova no herói e uma porretada na amante, que vai para o céu com seus piolhos, transformada em estrela que pula.

Macunaíma mata o gigante Piaimã, jogando-o num buraco com água fervendo, onde Ceiuci preparava uma imensa macarronada. Depois de matar Venceslau Pietro Pietra, o herói consegue recuperar a muiraquitã. Continua após a publicidade Macunaíma e os irmãos resolvem voltar para o Uraricoera, levando consigo alguns pertences e uma dose de saudade de São Paulo.

Na volta, o herói tem vários casos amorosos. Perseguidos pelo Minhocão Oibê, Macunaíma o transforma num cachorro-do-mato e segue viagem. Chegando ao Uraricoera, o herói se entristece ao ver a maloca da tribo destruída. Uma sombra leprosa devora os irmãos, e Macunaíma fica só. Todas as aves o abandonam, apenas um papagaio, a quem conta toda a sua história, permanece com ele.

Vei, a Sol, vinga a desfeita que Macunaíma havia feito a uma de suas filhas e cria uma armadilha para o herói, que, ao ver a uiara em uma lagoa, se deixa seduzir e acaba sendo mutilado pelo monstro. Macunaíma consegue recuperar suas partes mutiladas, abrindo a barriga do bicho, mas não encontra sua perna nem a muiraquitã.

  • O herói vai para o céu, transformado na constelação da Ursa Maior.
  • Por fim, no epílogo o narrador conta que ficou conhecendo essa história através do papagaio ao qual Macunaíma havia relatado suas aventuras.
  • Continua após a publicidade Lista de personagens Macunaíma: personagem principal do livro, é individualista, preguiçoso e faz o que deseja sem se preocupar com nada.

Além disso, é vaidoso, mente com a maior facilidade e gosta, acima de tudo, de se entregar aos prazeres carnais. Maanape: irmão de Macunaíma. Tinha fama de feiticeiro e representa o povo negro. Jiguê: outro irmão de Macunaíma. Representante do povo indígena.

  1. Sofará: companheira de Jiguê com quem Macunaíma «brincou» diversas vezes.
  2. Iriqui: segunda mulher de Jiguê.
  3. Macunaíma também «brincou» com ela diversas vezes, vindo a ganha-la de presente porque Jiguê achou que não valia a pena brigar por causa de uma mulher.
  4. Continua após a publicidade Ci: a Mãe do Mato.

Foi o grande e único amor de Macunaíma. Engravidou dele, mas perdeu o filho e transformou-se em estrela. Foi ela quem deu a Muiraquitã a Macunaíma. Venceslau Pietro Pietra ou Piaimã: gigante comedor de gente, que roubou a muiraquitã de Macunaíma. Vei: é «a sol».

  1. Tem duas filhas e quer que Macunaíma case com uma delas.
  2. Ceiuci: mulher do gigante Piaimã, é uma velha gulosa comedora de gente.
  3. Sobre Mario de Andrade Mário Raul de Morais Andrade nasceu na cidade de São Paulo em 9 de outubro de 1893.
  4. Seu pai era de origem humilde, mas conseguiu alcançar uma situação financeira estável através de muito trabalho e esforço.

Sua mãe, apesar de ser descendente de bandeirantes, também não era rica. Quando pequeno tinha baixo rendimento na escola, ao contrário de seus irmãos, que eram muito elogiados. Porém, em dado momento Mário começou a estudar, ler muito e passava até nove horas por dia estudando música.

Assim, em 1917, ele conclui o curso de piano no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, publica seu livro de estreia, Há uma gota de sangue em cada poema. Além disso, conhece Anita Malfatti e Oswald de Andrade. Como um dos principais organizadores, participa da Semana de Arte Moderna, que foi realizada em 1922 no Teatro Municipal de São Paulo.

Neste mesmo ano, publica o livro de poesia Paulicéia Desvairada. Em 1927 publica o polêmico Amar, verbo intransitivo, criticando a hipocrisia sexual da alta sociedade paulistana. Em 1934 é nomeado diretor do Departamento de Cultura do Município de São Paulo, onde fica até 1938, quando se muda para o Rio de Janeiro.

Em 1940 resolve voltar para São Paulo, vindo a trabalhar no Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 1942, publica O Movimento Modernista, onde faz o balanço e a crítica de sua geração. A partir dessa época, seu estado de saúde, que já era frágil, piora. Em 25 de fevereiro de 1945, Mário de Andrade sofre um ataque cardíaco e morre.

Além de romances, poemas e contos, Mário deixou uma grande coleção como crítico literário («O movimento modernista» (1942), » Aspectos da literatura brasileira » (1943) e outros livros). Seus principais romances são: » Paulicéia Desvairada » (1922), » Amar, verbo intransitivo » (1927) e «Macunaíma» (1928).

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Por que Macunaíma é importante?

Seu impacto na literatura brasileira, deve-se principalmente ao fato de ter sido um dos pioneiros do Modernismo no Brasil ; foi um dos responsáveis pela Semana de Arte Moderna de 1922, marco do início do movimento modernista brasileiro.

Por que Macunaíma teve que ficar branco?

| BLACKTUDE Por Leticia Santos Devem-se lembrar que, quando falei sobre o filme Pantera Negra e sobre o que é representação social, expliquei que a forma como os negros são retratados em arte e cultura é uma maneira de formar uma representação universalmente aceita pela sociedade de como imaginar e reagir à figura do negro. A literatura é uma importante forma de transmissão de conhecimento e de entretenimento, sendo portanto, parte importante na formação social de todas as pessoas. Ao longo da história da humanidade, vimos o negro ser entrelaçado a uma imagem negativa, imortalizados em páginas de livros consagrados. Centenas de personagens vilanescos e de índole perversa permeiam nosso imaginário graças aos dedos de escritores talentosos que sabiam encantar as palavras e as pessoas. Agora vocês podem estar torcendo o nariz e questionando em que sociedade livros racistas são permitidos? É um absurdo inimaginável, você pode falar para esse texto – se tem como eu a mania de conversar com as letras. Bem, digo que fatalmente vou ter que estourar essa bolha de incredulidade ingênua com um único exemplo hoje: Macunaíma, de Mário de Andrade. Sim, vou usar uma das minhas obras favoritas, de um de meus autores mais amados, para mostrar que o racismo nosso de cada dia passa despercebido ainda que esteja enraizado em nossa mente. Pegarei aqui emprestadas as palavras de um grande estudioso da Literatura Brasileira, Telê Porto Ancona Lopez, para que meus leitores possam se lembrar da época em que leram Macunaíma, essa narrativa entremeada de termos exóticos, palavras difíceis e referência étnicas: Construindo uma rapsódia, Mário de Andrade pôde, através do sentimento nacional encontrado, pôr em prática duas teses suas: o primitivismo do povo brasileiro e a legitimidade estética da literatura popular e oral, para auxiliar a criação erudita. A elaboração do enredo usou dos três elementos formadores da nacionalidade: índio, português, negro, girando em torno do eixo estruturador: as aventuras do herói Macunaíma () A busca da brasilidade, da essência do que representa o brasileiro, teve no Modernismo a primeira inclusão ativa do negro como parte essencial na formação de nossa sociedade. O reconhecimento da mistura racial, que está na base da identidade brasileira – aqui devemos reconhecer que essa mistura é fatalmente fruto não de um amor exótico e tropical, mas, muitas vezes, da brutalidade do estupro das mulheres índias e negras, ainda que esse não seja nosso foco hoje –, lançou uma nova concepção de cultura, colocando o negro como peça de destaque na formação da identidade brasileira. A renovação da concepção da identidade nacional passou no Modernismo e em Macunaíma. Trata-se de uma revolução que trouxe o negro para o centro da discussão da elite intelectual desse país. E é aí que a coisa fica interessante, não é? Mário estava exaltando o povo negro? Ele tentou, mas como isso ficou registrado em suas páginas, trata-se de algo que sempre deve ser analisado com um olho crítico. É no sétimo capítulo de Macunaíma que se concentra um dos momentos mais relevantes da narrativa para o assunto do negro, trata-se do capítulo da macumba. O herói negro recorre a uma famosa mãe-de-santo, Tia Ciata, personagem histórica importante para a cultura negra – quando sua raiva por não recuperar seu muiraquitã era demasiado forte. Neste capítulo, o leitor é confrontado com uma das mais evidentes realidades da cultura brasileira: a miscigenação. A macumba que se realiza neste capítulo é mais do que um ritual vindo dos negros, é uma celebração pagã que envolve brasileiros de todas as raças e crenças. Há uma enumeração das ocupações e da raça de cada participante da macumba, tudo visto pelos olhos de Macunaíma. É o herói que vê e descreve a polaca que incorpora Exu, é ele também que apresenta ao leitor como as tradições e crenças católicas foram incorporadas ao culto dos orixás vindos da África. Macunaíma constata num terreiro e em uma macumba o fato de que no Brasil não existe um só deus, e que do negro mais pobre ao político de alto cargo, todos têm um pouco da cultura negra e da macumba dentro de si. A incorporação da cultura negra foi feita na obra, isto é um fato, mas a escolha do autor na caracterização de dita cultura peca pelo preconceito. A começar pelo título do capítulo, macumba, é conhecida no Brasil até os dias atuais como um ritual de magia negra, altamente condenável por parte dos cristãos – basta buscar as notícias recentes sobre ataques aos terreiros por todo o país, um deles chegando ao máximo do desprezo, onde os bandidos gravaram a situação em que obrigavam uma mãe de santo a destruir seu local de culto – e que faz com que a maior parte das pessoas olhe com desconfiança para o candomblé. Crenças populares à parte, é visível que a escolha de um terreiro de macumba para o palco de uma vingança violenta de Macunaíma contra seu inimigo não foi diplomático da parte do autor. Este capítulo reforçou – ainda reforça? – a crença popular de que macumba é um ritual obscuro e demoníaco dos negros comandados por uma mãe-de-santo, incorporada no livro por tia Ciata, que é figura histórica marcante da difusão da cultura negra no Rio de Janeiro, ou seja, uma personagem que existiu realmente e que no livro é apresentada como uma figura consciente de sua cultura e que a defende. No entanto, ao mesmo tempo essa inovação, essa valorização, feita a uma personagem histórica perde o brilho diante da constatação, evidente ao fim do capítulo, de que a macumba é um ritual dos negros, onde os brancos só participam porque foram tentados pelo ganho fácil da magia negra. O capítulo reflete o racismo que sempre esteve entranhado na sociedade brasileira, o Modernismo merece louvores por ter inovado e colocado o negro num papel central da cultura brasileira, mas não devemos nos esquecer de que os modernistas e o autor de Macunaíma representavam a elite intelectual deste país, de famílias latifundiárias em sua maioria, e que mesmo tentando se libertar do preconceito, manifestava-o a olhos vistos. Lembram-se do que Macunaíma fez no final para se tornar o herói ideal, representante do povo brasileiro? Ele tomou um banho! Isso mesmo, um banho, ele se lavou. O ato que universalmente significa purificação e limpeza foi o que Macunaíma fez para tornar-se branco no capítulo V do livro. Em palavras da própria narrativa: << Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele>>, o negro da pele de Macunaíma era sujeira que precisava ser lavada. Esta transformação ocorre quando o herói está com seus dois irmãos na viagem para São Paulo e não passa despercebido que quando Jiguê entra na água, ansiando por se tornar branco como o irmão, a sujeira do banho de Macunaíma impede que essa transformação seja completa, sendo que Jiguê fica, então, da cor do bronze novo. O último a tentar essa purificação racial é Maanape, que só consegue clarear as palmas de suas mãos e pés. A associação do negro ser sujo está aí para quem quiser ver, e, para parar de me alongar, deixo com vocês um relato muito similar de uma professora em um evento literário, analisem suas palavras, analisem o livro. O racismo está no nosso dia-a-dia disfarçado de conceitos, de elogios, de exaltações, e nunca confundam, não quero que queimem os livros, longe disso, mas gostaria de ler num manual didático de língua portuguesa para que essa discussão aconteça em sala de aula. O racismo está na literatura há séculos, mas, ele só mudará quando não for mais dado como simples característica da obra. Lázaro Ramos chora ouvindo depoimento da professora Diva Guimarães sobre educação e racismo no BR. – YouTube orgulhosamente preto 19,8 mil inscritos Lázaro Ramos chora ouvindo depoimento da professora Diva Guimarães sobre educação e racismo no BR. orgulhosamente preto Pesquisar Informações Compras Toque para ativar som Se a reprodução não começar em instantes, reinicie seu dispositivo. Você não fez login Os vídeos que você assistir poderão ser adicionados ao histórico de visualização da TV e influenciarão as recomendações dela. Para evitar isso, cancele e faça login no YouTube em um computador. Cancelar Confirmar Compartilhar Incluir lista de reprodução Ocorreu um erro ao recuperar informações de compartilhamento. Tente novamente mais tarde. Assistir mais tarde Compartilhar Copiar link Assistir no 0:00 0:00 / 13:16 • Ao vivo •

Em que Macunaíma se transforma?

Continua após publicidade Com uma narrativa de caráter mítico, em que os acontecimentos não seguem as convenções realistas, a obra procura fazer um retrato do povo brasileiro, por meio do «herói sem caráter». – Leia a análise de Macunaíma Resumo Macunaíma nasce à margem do Uraricoera na Floresta Amazônica e já manifesta uma de suas características mais fortes: a preguiça.

Desde pequeno ele busca prazeres amorosos com a mulher de seu irmão Jiguê. Em uma de suas «brincadeiras» amorosas, Macunaíma se transforma em um príncipe lindo. Por suas traquinagens, Macunaíma é abandonado pela mãe. No meio do mato, encontra o Curupira, que arma uma cilada para o herói, da qual acaba escapando por preguiça de seguir o falso conselho do Curupira.

Depois de contar à cotia como enganou o monstro, ela joga calda de aipim envenenada em Macunaíma, fazendo seu corpo crescer, com exceção da cabeça, que ele consegue desviar do caldo. Com a ajuda dos irmãos, Macunaíma consegue fazer sexo com Ci, a Mãe do Mato, que engravida e perde o filho.

Após a morte do filho, Ci sob ao céu e se transforma em uma estrela. Antes disso, ela dá a Macunaíma a famosa muiraquitã, um tipo de talismã ou amuleto. Triste, Macunaíma segue seu caminho após se despedir das Icamiabas (tribo das índias sem marido). Encontra o monstro Capei e luta contra ele. Nessa batalha, perde o muiraquitã e fica sabendo que uma tartaruga apanhada por um mariscador havia encontrado o talismã, e esse o tinha vendido a Venceslau Pietro Pietra, rico fazendeiro, residente em São Paulo.

Continua após a publicidade O herói, acompanhado dos irmãos, vai para São Paulo, com o objetivo de recuperar a pedra. Na cidade, descobre que Venceslau Pietro Pietra é o gigante Piaimã, devorador de gente que era amigo da Ceiuci, também apreciadora de carne humana.

  1. Macunaíma disfarça-se de francesa para seduzir o gigante Piaimã e recuperar a muiraquitã.
  2. O gigante propõe dar a pedra ao herói disfarçado se esse aceitasse dormir com ele.
  3. Macunaíma, então, foge numa correria por todo o Brasil.
  4. Macunaíma vai para um terreiro de macumba no Rio de Janeiro e pede à macumbeira que dê uma sova cruel no gigante.

Ainda no Rio, o herói encontra Vei, a deusa-sol. O herói promete a Vei que iria casar-se com uma de suas filhas. Na mesma noite, no entanto, Macunaíma «brinca» (ou seja, faz sexo) com uma portuguesa, enfurecendo a deusa. Ela manda um monstro pavoroso atrás do herói, que foge deixando a portuguesa com o monstro.

  • No retorno a São Paulo, Macunaíma escreve a famosa «Carta pras Icamiabas», na qual descreve, em estilo afetadíssimo, a agitação e as mazelas da vida paulistana.
  • Continua após a publicidade Com Venceslau Pietro Pietra adoentado por conta da surra que levou de Exu, Macunaíma fica impossibilitado de recuperar a pedra.

Assim, ele gasta seu tempo aprendendo as difíceis línguas da terra: «o brasileiro falado e o português escrito». Depois de arrumar uma saborosa confusão na cidade, o herói vai visitar o gigante, que ainda se recuperava. Resolve fazer uma pescaria no Tietê, onde também costumava pescar Ceiuci.

  • Além de brincar com a filha da caapora, Macunaíma foge de Ceiuci em um cavalo que percorre de forma surrealista a América Latina: em algumas linhas, faz o incrível trajeto de Manaus à Argentina.
  • Disfarçando-se de pianista, Macunaíma tenta obter uma bolsa de estudo para seguir no encalço de Venceslau Pietro Pietra, que fora para a Europa.

Não conseguindo ludibriar o governo, decide viajar pelo Brasil com os irmãos. Numa das andanças, com fome, o herói encontra um macaco comendo coquinhos. O macaco diz cinicamente que estava comendo os próprios testículos. Macunaíma, ingenuamente, pega então um paralelepípedo e bate com toda a força nos seus, ditos, coquinhos.

O herói morre e é ressuscitado pelo irmão Manaape, que lhe restitui os testículos com dois cocos-da-baía. Jiguê se enamora de uma moça piolhenta, que brinca toda hora com Macunaíma. Quando descobre a traição, Jiguê dá uma sova no herói e uma porretada na amante, que vai para o céu com seus piolhos, transformada em estrela que pula.

Macunaíma mata o gigante Piaimã, jogando-o num buraco com água fervendo, onde Ceiuci preparava uma imensa macarronada. Depois de matar Venceslau Pietro Pietra, o herói consegue recuperar a muiraquitã. Continua após a publicidade Macunaíma e os irmãos resolvem voltar para o Uraricoera, levando consigo alguns pertences e uma dose de saudade de São Paulo.

Na volta, o herói tem vários casos amorosos. Perseguidos pelo Minhocão Oibê, Macunaíma o transforma num cachorro-do-mato e segue viagem. Chegando ao Uraricoera, o herói se entristece ao ver a maloca da tribo destruída. Uma sombra leprosa devora os irmãos, e Macunaíma fica só. Todas as aves o abandonam, apenas um papagaio, a quem conta toda a sua história, permanece com ele.

Vei, a Sol, vinga a desfeita que Macunaíma havia feito a uma de suas filhas e cria uma armadilha para o herói, que, ao ver a uiara em uma lagoa, se deixa seduzir e acaba sendo mutilado pelo monstro. Macunaíma consegue recuperar suas partes mutiladas, abrindo a barriga do bicho, mas não encontra sua perna nem a muiraquitã.

  • O herói vai para o céu, transformado na constelação da Ursa Maior.
  • Por fim, no epílogo o narrador conta que ficou conhecendo essa história através do papagaio ao qual Macunaíma havia relatado suas aventuras.
  • Continua após a publicidade Lista de personagens Macunaíma: personagem principal do livro, é individualista, preguiçoso e faz o que deseja sem se preocupar com nada.

Além disso, é vaidoso, mente com a maior facilidade e gosta, acima de tudo, de se entregar aos prazeres carnais. Maanape: irmão de Macunaíma. Tinha fama de feiticeiro e representa o povo negro. Jiguê: outro irmão de Macunaíma. Representante do povo indígena.

Sofará: companheira de Jiguê com quem Macunaíma «brincou» diversas vezes. Iriqui: segunda mulher de Jiguê. Macunaíma também «brincou» com ela diversas vezes, vindo a ganha-la de presente porque Jiguê achou que não valia a pena brigar por causa de uma mulher. Continua após a publicidade Ci: a Mãe do Mato.

Foi o grande e único amor de Macunaíma. Engravidou dele, mas perdeu o filho e transformou-se em estrela. Foi ela quem deu a Muiraquitã a Macunaíma. Venceslau Pietro Pietra ou Piaimã: gigante comedor de gente, que roubou a muiraquitã de Macunaíma. Vei: é «a sol».

Tem duas filhas e quer que Macunaíma case com uma delas. Ceiuci: mulher do gigante Piaimã, é uma velha gulosa comedora de gente. Sobre Mario de Andrade Mário Raul de Morais Andrade nasceu na cidade de São Paulo em 9 de outubro de 1893. Seu pai era de origem humilde, mas conseguiu alcançar uma situação financeira estável através de muito trabalho e esforço.

Sua mãe, apesar de ser descendente de bandeirantes, também não era rica. Quando pequeno tinha baixo rendimento na escola, ao contrário de seus irmãos, que eram muito elogiados. Porém, em dado momento Mário começou a estudar, ler muito e passava até nove horas por dia estudando música.

  • Assim, em 1917, ele conclui o curso de piano no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, publica seu livro de estreia, Há uma gota de sangue em cada poema.
  • Além disso, conhece Anita Malfatti e Oswald de Andrade.
  • Como um dos principais organizadores, participa da Semana de Arte Moderna, que foi realizada em 1922 no Teatro Municipal de São Paulo.
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Neste mesmo ano, publica o livro de poesia Paulicéia Desvairada. Em 1927 publica o polêmico Amar, verbo intransitivo, criticando a hipocrisia sexual da alta sociedade paulistana. Em 1934 é nomeado diretor do Departamento de Cultura do Município de São Paulo, onde fica até 1938, quando se muda para o Rio de Janeiro.

Em 1940 resolve voltar para São Paulo, vindo a trabalhar no Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 1942, publica O Movimento Modernista, onde faz o balanço e a crítica de sua geração. A partir dessa época, seu estado de saúde, que já era frágil, piora. Em 25 de fevereiro de 1945, Mário de Andrade sofre um ataque cardíaco e morre.

Além de romances, poemas e contos, Mário deixou uma grande coleção como crítico literário («O movimento modernista» (1942), » Aspectos da literatura brasileira » (1943) e outros livros). Seus principais romances são: » Paulicéia Desvairada » (1922), » Amar, verbo intransitivo » (1927) e «Macunaíma» (1928).

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Onde foi escrito Macunaíma?

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter foi escrito na chácara de Pio Lourenço, benfeitor de Araraquara, em uma semana de rede e muito cigarro, de 16 a 23 de dezembro de 1926.

Quem era a esposa de Macunaíma?

Macunaíma encontra Ci, a mãe do mato, e a toma como esposa, tornando-se o Imperador do Mato Virgem. Depois de perderem um filho, Ci morre e lhe dá uma pedra verde que serve de amuleto: o muiraquitã.

Qual é a linguagem da obra Macunaíma?

Introdução – «Macunaíma, o herói sem nenhum caráter» é um romance escrito por Mário de Andrade, publicado em 1928. A obra pertence ao Modernismo e traz consigo uma tentativa de representar a identidade brasileira, além de valorizar suas raízes e sua diversidade cultural,

Além disso, Macunaíma possui uma linguagem que mistura linguagem coloquial à palavras indígenas, criticando a linguagem culta, Essa mistura de linguagens combina muito com o jeito como o livro foi escrito: na forma de rapsódia, Mas afinal, o que é isso? Se você já ouviu Bohemian Rhapsody, do grupo Queen, tem uma boa ideia do que é uma rapsódia! A rapsódia vem da Grécia Antiga, quando os poetas recitavam os poemas épicos, principalmente de Homero.

Ela também foi incorporada na música e traz consigo uma mistura de temas, de modos de escrever e de intensidade. Assim, Macunaíma é escrito de modo a misturar diversos temas, episódios, discursos e linguagens, trazendo uma narração que vai desde a terceira pessoa até o uso do discurso direto, e uma narrativa totalmente não-linear, pois mistura passado, presente e futuro.

Como Macunaíma fica branco?

Capítulo V: Piaimã – Antes de ir para São Paulo, Macunaíma deixa sua consciência na ilha de Marapatá. Ele toma banho em uma água mágica e sua pele fica branca, os olhos azuis e os cabelos loiros. Jiguê também decide se banhar na piscina natural, mas como o irmão já tomou banho nela, o máximo que ele consegue é obter a cor do bronze.

Maanape fica com o restinho da água e só molha a palma das mãos e dos pés. Eles pretendem se sustentar com o cacau, mas ele não vale como moeda de troca em São Paulo. Macunaíma teme ter que arranjar um emprego. Na primeira noite nessa cidade o herói dorme com três prostitutas brancas. A princípio o herói fica desnorteado, principalmente ao conhecer as máquinas, que ele confunde com os ruídos dos animais na floresta.

Ele e os irmãos se hospedam em uma pensão. Jiguê é convertido em telefone e faz uma ligação para os cabarés, pedindo lagostas e francesas. O herói descobre que Pietro Pietra é o gigante Piaimã, que come as pessoas e vive com a Caapora. Na primeira vez em que eles se encontram, o titã mata Macunaíma com uma flechada e o fatia em partes pequenas.

Como era conhecido Macunaíma?

MACUNAÍMA – O HERÓI SEM NENHUM CARÁTER Macunaíma, índio tapanhuma, era o filho mais novo de uma família (a mãe e os irmãos Maanape e Jiguê) que vivia nas margens do rio Uraricoera, na Amazônia. Preguiçoso, manhoso, matreiro e mentiroso, desde pequeno não deixa de arranjar encrenca com os irmãos, principalmente com Jiguê, de quem sempre levava as esposas para «brincar».

Com a morte da mãe, os irmãos resolvem sair pelo mundo, que sempre se mostra mágico e cheio de personagens míticos. Macunaíma encontra Ci, a mãe do mato, e a toma como esposa, tornando-se o Imperador do Mato Virgem. Depois de perderem um filho, Ci morre e lhe dá uma pedra verde que serve de amuleto: o muiraquitã.

Num confronto entre os irmãos e um monstro chamado de Boiúna Capei (que logo se torna a rechonchuda lua), Macunaíma perde o seu amuleto. Sabe, por intermédio de um pássaro, que a tal pedra foi engolida por uma tartaruga tracajá na praia do rio. Segundo o pássaro, um homem pegou o bicho e encontrou o amuleto, vendendo-o a um mascate peruano que mora na cidade de São Paulo, de nome Venceslau Pietro Pietra.

  1. Os três irmãos vão até São Paulo resgatar a pedra e descobrem que o mascate peruano é, na verdade, o gigante Piaimã, comedor de gente.
  2. Seguem-se várias aventuras entre eles, sendo que dessas aventuras, contadas como se fossem lendas, nascem várias tradições e costumes do povo brasileiro, como o jogo de truco e a festa do Bumba-meu-boi.

Por fim, trava-se o confronto final entre Macunaíma e Venceslau Pietro Pietra: a casa deste possuía um cipó que ficava logo acima de uma grande panela de macarronada fervendo. Persuadindo as pessoas a se balançar, o gigante Piaimã conseguia derrubar sua vítima e obter comida.

Macunaíma, no entanto, emprega a mesma técnica contra ele, matando-o na panela e recuperando o amuleto. De volta à Amazônia com os irmãos, Macunaíma recebe da deusa-sol, Vei, suas duas filhas. Envolve-se, no entanto, com uma portuguesa, o que causa insatisfação em Vei. Esta, por vingança, atrai Macunaíma até um lago onde uma moça de nome Uiara o seduz.

O índio acaba por se entregar aos desejos da moça do lago e tem os membros de seu corpo comidos pelos peixes. Recupera a todos, menos a perna e o amuleto muiraquitã, engolidos pelo monstro Ururau. Desgostoso da vida, sem o amuleto e sem os irmãos (transformados, numa das peripécias, na sombra leprosa e segunda cabeça do pai do urubu), vai até o feiticeiro Piauí-Pódole, que o transforma na constelação de Ursa Maior.

Por que Macunaíma é considerado um anti-herói?

O anti-herói Macunaíma é o retrato do próprio povo brasileiro. O herói preguiçoso, mulherengo, cheio de astúcia porém frágil. Incorpora o famigerado jeitinho brasileiro do qual muitos se vangloriam e tantos, entre os quais me incluo, se envergonham.

Quais são as principais características de Macunaíma?

Personagens principais –

Macunaíma: é o protagonista do livro, podendo ser considerado um anti-herói. É um índio negro cujas características mais fortes são ser preguiçoso e ninfomaníaco. Em um momento da narrativa, mergulha num poço encantado e se transforma em um homem branco, loiro e de olhos azuis. Maanape: irmão de Macunaíma, acaba simbolizando a figura do negro. Jiguê: outro irmão de Macunaíma, que simboliza a figura do índio. Ci: a Mãe do Mato. Foi o verdadeiro amor de Macunaíma, e, ao morrer de desgosto depois da morte de seu filho, dá a muiraquitã para o nosso anti-herói. Piaimã: é o gigante que, disfarçado de Venceslau Pietro Pietra, rouba a muiraquitã de Macunaíma, tornando-se seu principal inimigo. No final, o herói mata Piaimã e toma de volta a pedra.

Vei: deusa do sol, acaba se vingando de Macunaíma depois que ele a enfureceu ao dormir com outra mulher depois de sua promessa de casar com uma das filhas da deusa. Exercício de fixação UFU-MG Leia as afirmativas seguintes sobre a obra Macunaíma, de Mário de Andrade, e assinale a alternativa INCORRETA: A Sendo uma rapsódia, a obra caracteriza-se pelo acolhimento e assimilação de elementos variados de nossa cultura.

  1. Por esse caráter multifacetado, Macunaíma é inviável enquanto representação de nossa identidade.
  2. B O herói Macunaíma é um tipo criado a partir de contos populares e está ligado a personagens do folclore brasileiro, como Pedro Malazarte.
  3. Mais recentemente, pode-se aproximá-lo a João Grilo, da peça Auto da Compadecida.

C São elementos da obra a mitologia indígena, o folclore nacional, a nossa língua falada, os costumes brasileiros. Os costumes brasileiros, Mário de Andrade retira-os da cidade de São Paulo, onde Macunaíma passa um bom tempo. D Há um acentuado procedimento parodístico sustentando a obra.

Qual o tema do filme Macunaíma?

A rapsódia ‘Macunaíma’, de Mario de Andrade, é freqüentemente compreendida como um emblema antropófago: o índio negro que vira branco, a natureza que vai para a cidade, o enfrentamento entre o anti-herói preguiçoso e o gigante acumulador e, finalmente, a metamorfose de Macunaíma em constelação.

Por que Macunaíma é considerado um herói sem caráter?

Boletim Outras Palavras – Receba por email, diariamente, todas as publicações do site Ai, que preguiça! Estejam certos, não é a frase ideal para começar um texto. Com ela, o leitor-navegador pode entendê-la como seu desejo perante a leitura. Ou abrir um sorriso e lembrar-se de Macunaíma. Ainda bem. Meu objetivo aqui é homenagear o personagem.

  1. Tão bem construído por Mário de Andrade em 1928 que ganhou vida própria.
  2. Magistralmente adaptado por Joaquim Pedro de Andrade no cinema em 1969 que adquiriu rosto.
  3. Melhor, rostos, como Jano: Grande Otelo e Paulo José.
  4. A Constituição de 1988 tem de pedir bênção ao herói de nossa gente.
  5. No ano em que ela completou trinta anos, ele completou noventa.

A rapsódia de Mário de Andrade foi inspirada nos mitos descritos pelo etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg sobre os povos indígenas da região da tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana Inglesa. Alfredo Bosi observa que «a mediação entre o material folclórico e o tratamento literário modernos faz-se via Freud».

  • E as transformações do protagonista obedecem à estrutura do pensamento selvagem, descrito por Claude Lévi-Strauss como «pensamento capaz de compor e» – continua Bosi – «recompor configurações a partir de conteúdos díspares esvaziados de suas primitivas funções» 1,
  • Macunaíma é o herói sem nenhum caráter porque está em constante transformação, espécie de argila a ser moldada pelo medo e pelo prazer.

Índio nascido preto, sem pai, torna-se branco. Malandro a cair na conversa dos mais espertos. Mentiroso incorrigível que mente para sobreviver e tirar vantagem. Egoísta tragado pelo egoísmo dos outros. Mulherengo a sofrer por causa de uma mulher. Nasce no fundo do mato-virgem, renasce na metrópole. Tendo em mente o protagonista amorfo da rapsódia de Mário de Andrade, Joaquim Pedro de Andrade é fiel a Macunaíma – o herói sem nenhum caráter por não ser canônico. No press book de 1969 afirma que considera o filme um comentário ao livro 2, Realmente é.

Quem estiver a fim de ver literatura no cinema está indo ao lugar errado. Não tente inovar, vá à biblioteca. As mudanças do longa-metragem são precisas e circunstanciais, produtos de um homem consciente da histórica do Brasil e do modernismo. Não só, da transposição da linguagem literária para a cinematográfica.

Em 1969 o herói de nossa gente estava com 41 anos. O cineasta tinha clareza dos propósitos do escritor: de voltar-se contra a arte dos salões, representada pelo Parnasianismo, com sua dicção afrancesada, através do uso da linguagem oral e da cultura popular, parodiando os discursos empolados dos oradores.

  1. Uma afronta iniciada em 1922 que se consolidou ao longo dos anos, através das obras iniciais do modernismo e de seus manifestos.
  2. Mas a iconoclastia ganhou forma no Manifesto Antropofágico.
  3. Joaquim Pedro de Andrade digeriu Mário de Andrade com o estômago de Oswald de Andrade e o olhar aguçado da sua câmera.

Atualizou Macunaíma à conjuntura política (Ci era guerrilheira), parodiou a estética julgada ultrapassada da chanchada (o humor burlesco), ironizou o kitsch tropicalista (o figurino de Anísio Medeiros) e deu algumas cutiladas na ditadura militar (a canção ufanista em momentos grotescos ou trágicos).

  • Se havia sutileza no livro, na película ela tornou-se mau gosto, exagero e grossura.
  • Humor de menino criado na rua, empinando pipa, andando de carrinho de rolimã, jogando bola, caçando passarinho com estilingue, entre tantas outras brincadeiras.
  • Quem pensa como a mãe a dar tapa na boca do filho por falar sujeiras se incomodará com o Macunaíma de 1969.

Se bobear, até com a lascívia do de 1928. «Procurei fazer um filme sem estilo predeterminado. Seu estilo seria não ter estilo. Uma antiarte, no sentido tradicional da arte», começa o cineasta no press book para logo depois arrematar: «Não existem nele concessões ao bom gosto.

  1. Já me disseram que ele é porco.
  2. Acho que é mesmo, assim como a graça popular é freqüentemente porca, inocentemente porca como as porcarias ditas pelas crianças» 3,
  3. Apesar de imerso na estética antropofágica e no momento histórico, a fita é atual, por se manter como nossa imagem refletida no espelho.
  4. Sim, é um reflexo distorcido.

«Mesmo quando uns e outros enfatizam apenas aspectos da situação ou acontecimento, mesmo esquecendo outros aspectos, ainda assim, nesses casos, ocorre alguma forma de esclarecimento», segundo as palavras de Octavio Ianni 4, Não é em vão, portanto, comparar Paulo Guedes, Ministro da Economia, a Pietro Pietra (Jardel Filho), o gigante comedor de gente,

E nós com Macunaíma (Grande Otelo e Paulo José). Apesar disso, ainda nos divertimos com eles e Ci (Dina Sfat), Jiguê (Milton Gonçalves) e Maanape (Rodolfo Arena). Ai, que preguiça! Para que falar do enredo se todos o conhecem de cor e salteado? Contudo sou obrigado a dar os parabéns ao filme Macunaíma, por completar 50 anos em 2019.

Com Joaquim Pedro de Andrade, o herói de nossa gente esteve em boas mãos. Mas o câncer do cineasta o levou alguns dias antes de ver um de seus sonhos realizados, uma constituição a ver o povo como cidadão. Apesar de a Constituição de 1988 estar sob ameaça no Governo Bolsonaro, temos duas obras-primas, uma a dignificar nossa literatura e outra o nosso cinema.1 BOSI, Alfredo. Quem Escreveu O Livro Macunaima 2 ANDRADE, Joaquim Pedro de. «Com a palavra Joaquim Pedro de Andrade». In: MACUNAÍMA. Rio de Janeiro: Filmes do Serro, p.6-7, 1969.16 p. Encarte elaborado para o DVD Macunaíma,3 Ibidem, p.7.4 IANNI, Octávio. «Tipos e mitos do pensamento brasileiro». Sociologias, Porto Alegre, ano 4, n.7, p.185, jan./jun.2002.