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Quem Foi Lutero?

Quem foi Lutero E o que ele defendia?

O luteranismo é uma doutrina religiosa que surgiu a partir de Martinho Lutero, um monge alemão do século XVI. Tem como elemento central a crença na justificação pela fé, ou seja, que a salvação de uma pessoa é garantida exclusivamente pela fé. Foi a doutrina que iniciou a Reforma Protestante na Europa.

Quem foi Lutero para a Igreja Católica?

Resumo sobre Martinho Lutero –

Martinho Lutero foi monge agostiniano e questionou a cobrança de indulgências por parte do alto clero da Igreja Católica. Na Dieta de Worms, Lutero foi convocado a confirmar ou negar o que escrevera, e ele confirmou. Isso o fez ser banido do Sacro Império Germânico. Casou-se com uma ex-freira, o que incentivou outros religiosos a romperem o celibato. Fez a primeira tradução da Bíblia para o alemão.

Veja também: Invenção da imprensa – fator determinante para a propagação da tradução bíblica

O que o Lutero pregava?

95 teses – As 95 teses, documento no qual Lutero manifestava sua oposição teológica às práticas da Igreja de Roma, foram enviadas para o arcebispo de Mainz, Alberto de Brandemburgo, em 31 de outubro de 1517. A intenção de Lutero era levantar um debate para que reformas dentro da Igreja acontecessem.

  1. Martinho Lutero defendia, basicamente, que a Bíblia era a única referência para os fiéis e que as pessoas conseguiriam ser salvas sem a mediação de intermediários e sem precisar dar indulgências.
  2. A base teológica de Lutero baseava-se em um versículo bíblico que afirmava que «o justo viverá pela fé».
  3. Aqui, Lutero passou a defender a ideia de que não eram as boas ações que salvariam uma pessoa, mas sim a fé.

A construção teológica iniciada por Martinho Lutero deu origem a um princípio conhecido como Cinco Solas : 1. Sola fide (somente a fé) 2. Sola scriptura (somente a Escritura) 3. Solus Christus (somente Cristo) 4. Sola gratia (somente a graça) 5. Soli Deo gloria (glória somente a Deus) As 95 teses espalharam-se com rapidez pela Europa por conta da imprensa (criada em 1430 por Johann Gutenberg ), a qual permitia a cópia e a impressão de livros em uma velocidade inédita para a época.

Com isso, as ideias de Lutero propagaram-se e conquistaram seguidores em toda a Europa. Um registro importante é a famosa imagem de Martinho Lutero pregando as 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg. Muitos consideram esse o ponto de partida da Reforma Protestante, mas os historiadores nunca conseguiram comprovar se esse episódio de fato aconteceu.

Portanto, os historiadores consideram esse fato somente uma lenda.

Quem foi Lutero O que ele fez?

Quem foi Martinho Lutero? Martinho Lutero foi um monge e teólogo, nascido em Eisleben, Alemanha, em 10 de novembro de 1483 e falecido em 18 de fevereiro de 1546, na mesma cidade. Foi o responsável pelo início do movimento da Reforma Protestante, no século XVI.

Por que Lutero rompeu com a Igreja Católica?

Martinho Lutero – A insatisfação e as críticas à Igreja Católica tiveram seu ápice em Martinho Lutero, monge agostiniano e professor de Teologia. Lutero estava insatisfeito com certas condutas da Igreja, sobretudo com as indulgências, que eram comuns na Igreja Católica da época.

  • Nesse contexto, essa prática acontecia por meio dos dízimos feitos pelos fiéis para a Igreja em troca do perdão de seus pecados.
  • Além disso, o papa Leão X havia oferecido indulgências para aqueles que contribuíssem com dinheiro para a construção da Basília de São Pedro.
  • Lutero tinha também discordâncias de conteúdo teológico a respeito da salvação e de outras práticas e ações da Igreja.

Com isso, o monge elaborou um documento conhecido como 95 teses, Não pare agora. Tem mais depois da publicidade 😉 A partir de então, as ideias de Lutero espalharam-se pela Europa com rapidez. Nesse momento, a intenção de Lutero não era romper com a Igreja Católica, ele queria apenas que se realizasse uma reforma em determinadas questões.

Qual foi o Papa que mandou queimar a Bíblia?

Harry FreedmanBBC History Magazine

27 maio 2019 Quem Foi Lutero Crédito, Getty Images Legenda da foto, John Wycliffe (1330-1384) foi um dos principais pensadores ingleses do século XIV Em 1427, o papa Martinho 5º ordenou que os ossos de John Wycliffe fossem exumados de seu túmulo, queimados e jogados em um rio. Wycliffe morrera havia 40 anos, mas a fúria causada por sua ofensa ainda permanecia viva.

John Wycliffe (1330-1384) foi um dos principais pensadores ingleses do século 14. Teólogo de profissão, ele foi chamado para assessorar o Parlamento em suas negociações com Roma. Naquela época, a igreja era todo-poderosa, e quanto mais contato Wycliffe tinha com Roma, mais indignado ele se sentia. Em sua visão, o papado estava envenenado por corrupção e interesses pessoais.

E ele estava determinado a fazer algo sobre isso. Wycliffe começou a publicar panfletos argumentando que, em vez de buscar riqueza e poder, a igreja deveria se preocupar com os pobres. Em uma ocasião, descreveu o papa como «o anticristo, o sacerdote mundano de Roma e o mais amaldiçoado dos batedores de carteira». Quem Foi Lutero Crédito, Getty Images Legenda da foto, Audiência que condenou John Wycliffe foi uma farsa do começo ao fim O julgamento de Wycliffe na Catedral de São Paulo, em Londres, ocorreu em 3 de fevereiro de 1377. A audiência foi uma farsa do começo ao fim. Tudo começou com uma briga violenta sobre se Wycliffe deveria sentar-se ou não.

Juan de Gaunt, filho do rei e aliado de Wycliffe, reiterou que os acusados permanecessem sentados; já o bispo exigiu que ele se levantasse. Quando o Papa ouviu falar sobre o fiasco do julgamento, emitiu uma bula em que acusou Wycliffe de «vomitar do calabouço sujo de seu coração as mais perversas e condenáveis heresias».

Wycliffe foi acusado de heresia e colocado em prisão domiciliar. Mais tarde, acabou forçado a deixar seu posto como professor do Balliol College, em Oxford.

Qual era a religião de Lutero?

Há 500 anos, Martinho Lutero criava o protestantismo Um padre nascido em Eisleben, na Alemanha, provocou o cisma da Igreja Católica e criou o protestantismo 08/11/2017 – Publicado há 6 anos Na entrevista de hoje, o tema é o protestantismo. Há 500 anos, Martinho Lutero, então um clérigo católico romano, nascido na cidade alemã de Eisleben, se insurgia contra o Vaticano e proclamava que não era preciso uma intermediação de um padre para colocar um homem em contato com Deus.

Quem foi que fundou a Igreja Católica?

Provenientes das ideias de Jesus Cristo, fundador e considerado o maior apóstolo do cristianismo, surgiu e ficou conhecida no mundo antigo (Antiguidade).

Qual foi a crítica que Lutero fez a Igreja Católica?

Martinho Lutero – A insatisfação e as críticas à Igreja Católica tiveram seu ápice em Martinho Lutero, monge agostiniano e professor de Teologia. Lutero estava insatisfeito com certas condutas da Igreja, sobretudo com as indulgências, que eram comuns na Igreja Católica da época.

  1. Nesse contexto, essa prática acontecia por meio dos dízimos feitos pelos fiéis para a Igreja em troca do perdão de seus pecados.
  2. Além disso, o papa Leão X havia oferecido indulgências para aqueles que contribuíssem com dinheiro para a construção da Basília de São Pedro.
  3. Lutero tinha também discordâncias de conteúdo teológico a respeito da salvação e de outras práticas e ações da Igreja.

Com isso, o monge elaborou um documento conhecido como 95 teses, Não pare agora. Tem mais depois da publicidade 😉 A partir de então, as ideias de Lutero espalharam-se pela Europa com rapidez. Nesse momento, a intenção de Lutero não era romper com a Igreja Católica, ele queria apenas que se realizasse uma reforma em determinadas questões.

Por que Lutero fundou a Igreja?

Edison VeigaDe Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil

2 fevereiro 2023 Legenda do áudio, Lutero, o monge católico que abriu portas para surgimento de igrejas evangélicas Para muitos, ele é só um nome relevante naquelas aulas de história da escola, sobretudo quando são estudados os movimentos socioculturais da Europa no século 16.

Para aqueles que professam a fé cristã fora da Igreja Católica, contudo, mesmo que não saibam, ele tem uma importância fundamental. Estamos falando de Martinho Lutero (1483-1546), monge agostiniano germânico que acabou, meio que sem querer, promovendo o que ficou conhecido como Reforma Protestante, um movimento que abriu as portas da religião, quebrando o monopólio da Igreja Católica e permitindo que passassem a existir, no mundo ocidental, diversas outras igrejas cristãs.

Meio que sem querer porque ele próprio nunca pareceu querer romper com a Igreja Católica. Mas, intelectual respeitado que era, ele propôs uma série de mudanças na organização do catolicismo de então. E o que era para ser um movimento intramuros da fé católica acabou significando o nascedouro de vertentes do cristianismo.

«Ele abriu uma porta, mas ele próprio acabou vivendo a consequência disso», comenta a historiadora Jaquelini de Souza, professora na Universidade Regional do Cariri e pesquisadora nas Faculdades EST (antiga Escola Superior de Teologia), instituição da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

«Ele queria, na verdade, fazer uma reforma em que, na cabeça dele, seria um melhoramento, Lutero não queria criar uma nova igreja, suas 95 teses foram movidas pelo grande amor que ele tinha à Igreja Católica.» Na época, Lutero já era um religioso renomado, com respeitável carreira acadêmica.

  • Teólogo e doutor em bíblia, lecionava desde 1508 na Universidade de Wittenberg (Alemanha) e, estudioso de grego e hebraico, trabalhava em uma tradução das escrituras,
  • Como sacerdote, parecia incomodado com o monopólio da fé que a Igreja Católica detinha, sobretudo porque notou haver uma mercantilização das indulgências, o perdão pleno dos pecados que, naquele momento histórico, vinha sendo negociado por religiosos em troca de pagamentos em dinheiro.

Em 31 de outubro de 1517, Lutero afixou 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. Basicamente, ele questionava esse comércio de graças e o poder absoluto da Igreja na fé popular — e afirmava que a Bíblia era o texto primordial que deveria ser considerado, acima de qualquer autoridade papal. Quem Foi Lutero Crédito, Reprodução Legenda da foto, Lutero, recusando-se a se retratar, em obra de Anton Von Werner «Lutero promoveu o fim do monopólio católico em relação aos bens de salvação», pontua o historiador, teólogo e filósofo Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

  • Isto porque, principalmente ao longo da Idade Média na Europa, o entendimento predominante era de que, para ser salvo, era preciso ser batizado e seguir os ensinamentos da Igreja Católica.
  • Não estar na Igreja Católica era estar no inferno, era ser alguém destituído da graça de Deus.
  • Era assim que funcionava», completa Moraes.

O lema latino era «extra ecclesiam nulla salus», ou seja, vigorava a ideia de que não havia salvação que fosse fora da Igreja. «Lutero não queria romper com a Igreja, mas ele rompe com isso, com essa ideia. E o processo todo leva a sua saída «, explica o teólogo.

  • Afinal, depois da publicação das teses e do julgamento religioso, Lutero acabou excomungado.
  • Em outras palavras, ele se tornou exatamente isso: alguém que estava fora da Igreja, portanto, na condição de não salvo.
  • Mas o que ninguém imaginava era que ele encontraria apoio de uma elite germânica e, em pouco tempo, cerca de três ou quatro anos depois, suas ideias já tinham encontrado solo fértil em tantas mentes e corações que uma nova religiosidade acabou surgindo.

«Um movimento que, enfim, colocou fim ao monopólio católico», diz Moraes. «O protestantismo nasceu assim, como um movimento plural e sem papa», pontua o teólogo. «E este é o legado de Lutero, um movimento de não obediência ao bispo de Roma, uma religiosidade cristã que não ficava abaixo do guarda-chuva católico.

  1. Não era mais preciso ser católico para ser salvo, já que, no novo entendimento, o único mediador entre Deus e os homens é Jesus, e não mais o papa.» «Nesse sentido», completa Moraes, «Lutero pode ser o pai de todas as igrejas que daí surgiram.
  2. Mas é pai mesmo de todas? Difícil dizer.
  3. O que ele é, sem dúvida, é pai de um movimento que rompe com a Igreja Católica.» O fundamento do luteranismo não era mais uma figura absolutista teocrática, no caso, o papa.
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Mas, sim, a Bíblia, ou seja, os textos considerados sagrados. «Nos fundamentos de Lutero, há a centralidade da Bíblia», comenta Moraes. E, claro, para contrapor ao comércio das indulgências, a ideia de que a salvação vem da graça divina, da fé. «Lutero acabou sendo a grande pedra fundamental para o surgimento de outras tradições cristãs porque para ele, entre bíblia e autoridade papal, a primazia era da bíblia», pontua Souza. Quem Foi Lutero Crédito, Reprodução Legenda da foto, Lutero, em retrato de Lucas Cranach, hoje em domínio público A historiadora lembra que, por outro lado, essa ideia de incentivar a livre interpretação da bíblia também possibilitou leituras equivocadas e interpretações rasas que perduram até hoje.

Lutero tinha na cabeça regras hermenêuticas de interpretação das sagradas escrituras e a importância de caminhar ao lado dos doutores da igreja, mas isso abriu caminho para as demais pessoas, abriu a caixa de Pandora e ficou incontrolável», diz. «Não foi a intenção dele. Não foi a intenção dele nem criar uma nova Igreja, mas ele abriu a caixa de Pandora.» Mas pesquisadores ressaltam que Lutero mesmo nunca pretendeu sair do catolicismo e muito menos criar uma própria igreja.

«Existe uma tradição que diz que quando ele estava próximo da morte e a igreja daqueles que seguiam suas ideias já vinha sendo chamada de luterana, ele não gostava», afirma Souza. «Ele dizia que a igreja era de Cristo e não dele.» O que seria então a igreja de Lutero? «Acho que não existe.

  • Não posso afirmar que tal igreja seja a luterana pura e todas as outras sejam versões, isso não existe por conta da especificidade da própria história de cada localidade e como o luteranismo se desenvolveu», diz a historiadora.
  • Para ela, a razão de não existir uma igreja propriamente seguidora de Lutero é que o norte dos que praticam a religiosidade segundo tal preceito nunca é o fundador, mas sim, a figura de Jesus Cristo.

Por outro lado, ela aponta algumas nuances que seriam características dos luteranos, em comparação com católicos ou cristãos de outras denominações. «Eu diria que a liberdade de consciência, a liberdade de viver a fé. Isso é forte no luteranismo. O luterano não aceita um legalismo, mas vive aquilo que ele crie em liberdade, por amor», comenta.

A herdeira natural do luteranismo é a Igreja Luterana, mas podemos dizer que o movimento inicial de Lutero acabou sendo apropriado e ressignificado por todas as igrejas ditas protestantes porque essas acabaram, de alguma maneira, também seguindo essa trilha que foi aberta por ele», acrescenta Moraes.

«Lutero deixou um tesouro, que possibilita novas interpretações e ressignificações porque estamos lidando com esse negócio vivo chamado religião», complementa o teólogo.

Qual foi a crítica de Lutero?

Críticas às indulgências Bom, o ponto principal da crítica de Lutero é a questão das indulgências.

O que Lutero descobriu ao estudar a Bíblia?

A leitura da Bíblia levou Lutero a realizar novas interpretações da fé cristã e isso o levou a concluir que a salvação de cada pessoa era obtida pela fé, pois, de acordo com o texto bíblico, ‘o justo viverá pela fé’.

Qual foi o fim de Lutero?

Vida pessoal de Martinho Lutero – Lutero abandonou o celibato, que marcava a vida daqueles que seguem a vida religiosa na Igreja Católica. Em 1525, ele casou-se com Catarina de Bora (Katharina von Bora), uma freira que abandonou seu convento com o advento da Reforma Protestante.

Lutero e Catarina tiveram seis filhos : Hans, Elisabeth, Magdalena, Martin, Paul e Margarethe. Martinho Lutero morreu no dia 18 de fevereiro de 1546, aos 62 anos de idade, por razões desconhecidas. Por toda a sua vida, Lutero teve a saúde debilitada por conta de diversos problemas crônicos, como a doença de Ménière.

Acredita-se também que ele tinha problemas intestinais causados por uma enterocolite e que sofria com pedras nos rins. Nota |1| 95 teses de Lutero. Para acessar, clique aqui, Por Daniel Neves Professor de História

O que Lutero quis dizer com a tese 28?

28 Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, podem aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.

O que Lutero crítica na tese 32?

O que são as 95 teses de Lutero? – Brasil Escola O fenômeno da Protestante, ocorrido na Europa do século XVI, foi um dos mais importantes da chamada Idade Moderna. Foi sob influência dessa reforma que nasceram alguns dos mais importantes Estados Nacionais Modernos, como o holandês, o inglês e o americano (estadunidense).

  • Foi também essa reforma que desencadeou as Guerras Civis Religiosas dos séculos XVI e XVII, que dariam origem ao movimento da Contrarreforma, à reunião do Concílio de Trento e à criação da Companhia de Jesus, na Espanha.
  • O fato é que toda a amplitude que o movimento reformista alcançou começou com um ato de um monge agostiniano alemão, no ano de 1517, na cidade de Wittenberg,

Seu nome, Martinho Lutero. O ato de Martinho Lutero (1483-1546) consistiu em afixar 95 teses na parede do Castelo de Wittenberg desafiando autoridades em teologia para uma disputa escolástica, isto é, uma discussão típica das universidades medievais na qual os debatedores argumentavam e contra-argumentavam a respeito de um tema predefinido.

Mas em que consistiam essas 95 teses ? O conteúdo dos argumentos das 95 teses luteranas tinha como alvo o tema das indulgências (perdão concedido pela autoridade eclesial para absolvição de pecados), praticadas de forma iníqua por parte do clero católico da época, como pode ser observado a seguir no texto das teses 31 a 35: 31.

Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo.32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.33. Quem Foi Lutero Castelo de Wittenberg, onde Lutero fixou suas 95 teses Lutero criticava aquilo que ele encarava como uma espécie de «negociação da salvação» por meio das indulgências. Por exemplo, algum nobre ofertava à Igreja uma determinada quantia para reforma de determinada Catedral e, em troca, era recompensado com uma carta de indulgências do Papa, que o absolvia dos pecados cometidos durante determinado período.

Os que se julgavam salvos ou remidos por uma carta de indulgências, para Lutero, corriam o risco de estarem cometendo um pecado ainda maior do que aqueles que estavam querendo ver absolvidos. Mas antes mesmo da publicação das 95 teses, concentradas no tema das indulgências, Lutero havia escrito, em 1516, a obra «Comentários da Carta aos Romanos», na qual buscava discutir três pontos da doutrina católica: o conceito de pecado, a questão das boas obras e a questão do livre arbítrio.

Como pode ser visto em obras de historiadores como Christopher Dawson, em sua obra «A Divisão da Cristandade», o pecado, para Lutero, estava associado às paixões que acometem o indivíduo. Para a doutrina católica, o pecado está na vontade, isto é, no ato da escolha deliberada.

Desse modo, não poderia haver, para Lutero, uma completa abnegação, uma completa santificação. As penitências e busca da santidade de nada adiantariam, já que o homem nasce e morre em estado de pecado. Para Lutero, o homem só poderia ser realmente salvo por sua fé. Como diz Dawson, » o máximo que o homem pode alcançar é a certeza de que isso não será computado contra ele – que o sofrimento redentor de Cristo tudo abarca.

Consequentemente, a justiça só é imputada: eis o conceito luterano que se torna o contro da controvérsia.» Não pare agora. Tem mais depois da publicidade 😉 A controvérsia instala-se a partir do ponto acima porque, para o catolicismo, a justificação não está associada apenas à fé, mas também continua por meio dos sacramentos, sobretudo da eucaristia, e das boas obras, auxiliadas pela graça santificante, que nos é dada com o batismo e confirmada na crisma,

Além disso, «Lutero diz que as boas obras não tornam um homem bom, ou obras más tornam a pessoa má, mas que o homem bom faz boas obras e o homem mau faz obras más.» O problema é que, segundo a doutrina católica, um homem não é inteiramente bom ou inteiramente mau, é ambas as coias simultaneamente, e o exercício das boas obras pode transformar, por meio do hábito, as características más desse homem em boas características.

Desde a publicação de suas teses até o ano de 1521, Lutero enfrentou uma miríade de disputas teológicas sobre o tema em questão, bem como sobre outros pontos fundamentais da doutrina da Igreja, tornando, assim, ainda mais radicais as suas críticas. Seus adversários eram doutores em teologia indicados pelo Papa Leão X (1475-1521).

  • Em todas as disputas, pelo menos metade das teses luteranas foi refutada.
  • Mas o problema maior não foi a discussão teológica que transcorria durante esse período, mas, sim, o uso inadvertido que nobres alemães fizeram das teses protestantes de Lutero.
  • A Alemanha naquela época não era unificada, mas formada por uma série de pequenos principados, que estavam sob o jugo do Sacro Império Romano-Germânico,

Alguns nobres desses principados aproveitaram-se da celeuma provocada pelas teses de Lutero para contestar as posses de terra da Igreja Católica e de outros nobres fiéis à Igreja e expropriá-las. Esse uso político do pensamento luterano acabou por gerar as primeiras guerras civis religiosas da Europa moderna.

O que são indulgências da Igreja?

Artigos Publicado em 19 de setembro de 2019 – 14:41:45 Na doutrina católica, Indulgência (do latim indulgentia, que provém de indulgeo, «para ser gentil») é a remissão, total ou parcial, da pena temporal devida, para a justiça de Deus, pelos pecados que foram perdoados, ou seja, do mal causado como consequência do pecado já perdoado através da confissão sacramental, a remissão é concedida pela Igreja Católica no exercício do poder das chaves, por meio da aplicação dos superabundantes méritos de Cristo e dos santos, por algum motivo justo e razoável.

  • Embora no sacramento da Penitência a culpa do pecado é removida, e com ele o castigo eterno devido aos pecados mortais, ainda permanece a pena temporal exigida pela Justiça Divina, e essa exigência deve ser cumprida na vida presente ou na depois da morte, isto é, no Purgatório.
  • Uma indulgência oferece ao pecador penitente meios para cumprir esta dívida durante sua vida na terra, reparando o mal que teria sido cometido pelo pecado.

No início da Igreja, especialmente a partir do século III, as autoridades eclesiásticas concediam aos cristãos indulgências para reduzir as penitências muito longas e severas. No século VI os participantes do Concílio de Borgonha substituíram para a prática de graves penitências canônicas por penitências mais leves.

  • Tornou-se habitual a penitência de obras menos exigentes, tais como orações, esmolas e jejuns.
  • Até o século X as indulgências consistiam em donativos piedosos, peregrinações e outras boas obras.
  • Em seguida, no século XI e XII, o reconhecimento do valor destas obras começaram a associar-se não tanto com a penitência canônica, mas com remissão da pena temporal devida ao pecado.
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Em 22 de fevereiro de 1300, o Papa Bonifácio VIII institui o primeiro jubileu cristão por meio da bula Antiquorum habet fida relatio – Um documento digno de fé dos antigos relata, que concedeu uma indulgência extraordinária e plenária aos fiéis que fizessem uma peregrinação a Roma, ao túmulo de São Pedro.

  1. A partir de então os jubileus e o anuncio de uma indulgência extraordinária foram comemorados com uma periodicidade de 50 anos, que se baseava no costume judaico (Ex 23, 10-11).
  2. A partir de 1475, o Papa Paulo II determinou que um Jubileu ordinário seja a cada 25 anos, para possibilitar que pelo menos uma geração se beneficiasse da graça do Jubileu.

O Papa pode, conforme as circunstâncias, instituir um Ano Santo, ou Jubileu extraordinário. As esmolas das indulgências eram utilizadas em diversas obras de caridade, em igrejas, hospitais, leprosários, instituições beneficentes e escolas. Abusos e Comércio de indulgências Durante a Idade Média documentos declaravam que indulgências de caráter extraordinário foram concedidas.

Documentos divulgavam indulgências de centenas ou mesmo milhares de anos. A fim de corrigir tais abusos, o Quarto Concílio de Latrão (1215) decretou que as indulgências não devem ter mais de 40 dias. A mesma restrição foi promulgada pelo Concílio de Ravena, em 1317. Em 1392, o Papa Bonifácio IX escreveu ao Bispo de Ferrara proibindo a prática de certos membros de ordens religiosas que falsamente alegavam que indulgências concederiam o perdão de todos os tipos de pecados.

Diversos outros papas, tais como Clemente IV, João XXII, Martinho V e Sisto IV lutaram e proibiram abusos em relação às práticas das indulgências em sua época. Apesar das restrições, o final da Idade Média viu o crescimento considerável de abusos, tais como a livre venda de indulgências por profissionais «perdoadores» ( quaestores em latim).

A pregação destes, em alguns casos era falsa, atribuindo às indulgências características muito além da doutrina oficial, alguns afirmaram que «Assim que uma moeda tilinta no cofre, uma alma sai do purgatório», Reforma Protestante A Igreja Católica reconheceu a existência de abusos ao longo dos séculos, e usou sua autoridade para corrigi-las.

Porém, distúrbios posteriores na concessão indulgenciaria, seriam contestadas na Reforma Protestante. Em 1517, o Papa Leão X ofereceu indulgências para aqueles que dessem esmolas para reconstruir a Basílica de São Pedro, em Roma. O agressivo marketing de Johann Tetzel em promover esta causa e diversas divergências teológicas descritas posteriormente no manifesto dos Cinco Solas provocaram Martinho Lutero a escrever as 95 Teses (Tetzel seria inclusive punido por Leão X por seus sermões, que ia muito além dos ensinamentos reais sobre as indulgências).

Embora Lutero não negasse o direito do Papa ou da Igreja de conceder perdões e penitências, ele afirmava que as indulgências não levariam a alma diretamente ao céu, uma vez que «o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.» Concílio de Trento O Concílio de Trento debateu longamente sobre a natureza das indulgências.

Em 16 de julho de 1562, este concílio em seu decreto «Sobre as indulgências» (Sess. XXV) declara: «Na concessão de indulgências, o Concílio deseja que a moderação seja observada de acordo com o antigo costume aprovado da Igreja Católica, contra a facilidade excessiva e o enfraquecimento da disciplina eclesiástica, e ainda mais, buscando corrigir os abusos que se infiltraram nesta, decreta que todo o ganho criminal ligado com ela deve ser considerado como uma fonte de abuso grave entre os fiéis, como outras doenças decorrentes da superstição, ignorância, irreverência, ou qualquer outra causa.

O Concílio estabelece que cada bispo tem o dever de descobrir os abusos, tais como existem em sua própria diocese, trazê-los para o sínodo provincial, e denunciá-los, com o consentimento dos outros bispos, ao Romano Pontífice, em que serão tomadas medidas com autoridade e prudência para o bem-estar da Igreja em geral, de modo que o benefício das indulgências possa ser concedido a todos os fiéis por meio de uma via piedosa, santa, e livre de corrupção».

Apesar dessas punições, a ação dos quaestores continuou, assim o Concílio ordenou que estes deviam ser totalmente abolidos, e que as «indulgências e outros favores espirituais de que o fiel não deve ser privado», devia ser dado pelos bispos de maneira gratuita, «de modo que todos pudessem finalmente compreender que estes tesouros celestes foram dispensados por causa da piedade e não do lucro» (Sess.

XXI, c. ix). Em 1567, o Papa São Pio V cancelou definitivamente todas as concessões de indulgências, envolvendo quaisquer taxas, ou outras transações financeiras. Comissão e Congregação de Indulgências Após o Concílio de Trento, Clemente VIII estabeleceu uma comissão de cardeais para tratar da doutrina e concessão de indulgências.

Esta comissão continuou o seu trabalho durante o pontificado de Paulo V, e publicou diversos decretos sobre o assunto. Posteriormente Clemente IX estabeleceu uma «Congregação das Indulgências e Relíquias», em 6 de julho de 1669. Em um Motu Proprio (De modo próprio) de 28 de janeiro de 1904, São Pio X fundiu a Congregação das Indulgências com a Congregação dos Ritos.

Com a reestruturação da Cúria Romana, em 1908 todas as questões relativas as indulgências foram atribuídas à Congregação do Santo Ofício. Em um Motu Proprio de 25 de março de 1915, Bento XV transferiu as concessões de indulgências para a Penitenciaria Apostólica, embora o Santo Ofício e seu substituto, a Congregação para a Doutrina da Fé, manteve a responsabilidade para as questões relativas à doutrina das indulgências.

Para a doutrina católica, as indulgências são concedidas para reparar as penas temporais causadas pelo pecado, ou seja, para reparar o mal causado como consequência do pecado, através de boas obras, sendo que o pecado já foi perdoado pelo Sacramento da Confissão.

Há um equívoco comum que indulgências seria o perdão dos pecados, contudo, elas só perdoam a pena temporal causada pelo pecado. Uma pessoa continua a ser obrigada a ter os seus pecados isentos por um sacerdote para receber a salvação. A Igreja Católica considera a indulgência semelhante ao «ladrão, que conseguindo o perdão daquele que foi roubado, deve restituir o dono com o dinheiro equivalente ao que foi extorquido».

«Outro exemplo é o da tábua com pregos: nossa vida, comparada a uma tábua, tem nos pregos os pecados, que são retirados no sacramento da Penitência, restando, todavia, os furos, os buracos, que precisam ser tapados por boas obras (mortificação procurada, penitência imposta, e penas da vida).» A Igreja Católica acredita que a salvação tornada possível por Jesus Cristo permite ao pecador fiel a admissão no céu.

  1. O batismo livra o registro do pecador e resulta no perdão completo de todos os pecados, mas qualquer pecado cometido após o batismo origina uma penalidade que não foi perdoada.
  2. Pecados mortais, que são praticados por malícia ou por livre consentimento, extinguem a graça santa da alma do fiel e condenam-no ao inferno.

Para estes pecadores, a graça tem de ser restaurada pela perfeita contrição, administrada através do Sacramento da Confissão; mesmo nesse caso, permanece uma penalidade temporal devida a Deus que deverá ser expiada neste mundo ou após a vida terrena.

Outros pecados, menos graves, são perdoáveis e provocam uma penalidade devida a Deus, mesmo que não percam a salvação. Exemplos bíblicos de como a pena temporal deve ser paga podem ser vistos no fato de Davi, culpado por homicídio e adultério, mesmo depois de perdoado, teve como pena a morte de seu filho; também temos Moisés e Aarão que, embora foram perdoados por Deus, tiveram que sofrer a pena de não entrar na terra prometida.

As indulgências católicas removeriam, assim, algumas ou todas estas penalidades devidas pelos pecados dos fiéis; e pode ser feita em favor de si mesmo ou em favor de um defunto que se purifica no Purgatório pelas suas penas temporais, dependendo da obra de indulgência.

Visitar uma Igreja e ou o cemitério na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (02/11) concede-se Indulgência Plenária aplicável apenas aos fiéis falecidos. Esta Indulgência se pode obter também até o dia 08 de novembro, com a piedosa visita ao Cemitério. O perdão total da pena temporal é a chamada Indulgência Plenária, as demais são Indulgências Parciais.

As indulgências parciais possuem um certo número de dias, significando que, se o fiel rezar uma oração indulgenciada 300 dias, cumprindo as condições ordinárias (confissão, comunhão e visita a uma igreja ou oratório público) terá pago 300 dias de sua pena temporal.

  1. Em resposta às sugestões feitas ao Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI, esclareceu substancialmente a aplicação prática das indulgências, escrevendo: «Indulgências não podem ser adquiridas sem uma sincera conversão de perspectivas e de unidade com Deus».
  2. É conveniente, mas não é necessário que a Confissão sacramental, e em especial a sagrada Comunhão e a oração pelas intenções do Papa sejam feitas no mesmo dia em que se cumpre a obra indulgenciada, mas é suficiente que estes ritos sagrados e orações se cumpram dentro de alguns dias (cerca de 20), antes ou depois do ato indulgenciado.

A oração segundo a intenção do Papa é deixada à escolha do fiel, mas sugere-se um «Pai Nosso» e uma «Ave Maria». Para diversas Indulgências plenárias, é suficiente uma Confissão sacramental, mas requerem-se uma distinta sagrada Comunhão e uma distinta prece, segundo a intenção do Santo Padre, para cada Indulgência plenária.

Exemplos de práticas Entre as práticas que levam o católico a obter uma indulgência, há, por exemplo, a reza do Santo Rosário, os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, a leitura piedosa das Sagradas Escrituras, o uso e devoção ao Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, a visita ao Santíssimo Sacramento durante pelo menos 30 minutos, bem como o uso constante de um objeto de piedade, como cruzes, crucifixos, medalhas, que se forem devidamente benzidos pelo Papa ou por um Bispo podem conceder Indulgência Plenária.

Ou ainda por um padre ou diácono que podem conceder indulgência parcial. Além disso, certas orações aprovadas pela autoridade eclesiástica também conferem indulgências, são algumas delas: – «Nós vos damos graças, Senhor, por todos os vossos benefícios.

Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém». – Santo Anjo (oração ao Anjo da Guarda). – Angelus, Regina Caeli. – Alma de Cristo. – Creio. – Ladainhas aprovadas pela Igreja. – Magnificat. – Lembrai-vos. – Miserere (Sl 50). – Ofício da Paixão de Cristo. – O Ofício do Sagrado Coração de Jesus. – O Ofício da Santíssima Virgem Maria.

– O Ofício da Imaculada Conceição. – O Ofício de São José. – Oração mental. – Salve Rainha. – Sinal da Cruz. – Veni Creator. – Santo Rosário. Das primeiras formas de indulgências às que temos hoje em dia houve grandes modificações, visto que as antigas eram muito mais físicas, o que impossibilitava o cumprimento pelas pessoas mais idosas.

  1. Recorda-se que para a aquisição das Indulgências, plenária ou parcial requer-se sempre as condições de costume, ou seja: confissão sacramental, comunhão sacramental, rezar na intenção do Santo Padre, ter a intenção de lucrar a indulgência e o desapego ao pecado.
  2. O que uma indulgência não é A Catholic Encyclopedia, antes de conceituar o que é indulgência segundo a doutrina católica, possuí uma secção intitulada «What an indulgence is not» («O que uma indulgência não é»), uma vez que segundo esta enciclopédia, «noções absurdas» tornaram-se corriqueiras na descrição do que é indulgência, e que isso «é óbvio para qualquer um que tem uma correta ideia do que a Igreja Católica realmente ensina sobre este assunto».
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A Catholic Encyclopedia cita como erros comuns daquilo que a indulgência não é: – Não é uma permissão para cometer o pecado, nem o perdão do futuro pecado, que nem poderia ser concedida por qualquer poder. – Não é o perdão da culpa do pecado, pois supõe que o pecado já foi perdoado.

Não é uma isenção de qualquer lei ou dever, pelo contrário, significa um pagamento mais completo da dívida que o pecador deve a Deus. Não confere imunidade contra a tentação ou remove a possibilidade de lapsos subsequentes em pecado. – Muito menos uma indulgência é a compra de um perdão que assegura ao comprador a salvação ou libera a alma de outro do Purgatório.

(Texto extraído de várias fontes e adaptado pelo Padre José Eduardo Sesso) Piracicaba, 12 de setembro de 2019 – Memória do Santíssimo Nome de Maria.

Quem escreveu os cinco solas?

O monge Lutero e as 5 solas Esta mensagem passou a ser defendida fervorosamente e o dia 31 de outubro de 1517 foi o marco do movimento e de forma ousada, foram fixadas as 95 teses contra as indulgências na porta Igreja do Castelo de Wittemberg.

Quem foi Martinho Lutero para os evangélicos?

Edison VeigaDe Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil

2 fevereiro 2023 Legenda do áudio, Lutero, o monge católico que abriu portas para surgimento de igrejas evangélicas Para muitos, ele é só um nome relevante naquelas aulas de história da escola, sobretudo quando são estudados os movimentos socioculturais da Europa no século 16.

Para aqueles que professam a fé cristã fora da Igreja Católica, contudo, mesmo que não saibam, ele tem uma importância fundamental. Estamos falando de Martinho Lutero (1483-1546), monge agostiniano germânico que acabou, meio que sem querer, promovendo o que ficou conhecido como Reforma Protestante, um movimento que abriu as portas da religião, quebrando o monopólio da Igreja Católica e permitindo que passassem a existir, no mundo ocidental, diversas outras igrejas cristãs.

Meio que sem querer porque ele próprio nunca pareceu querer romper com a Igreja Católica. Mas, intelectual respeitado que era, ele propôs uma série de mudanças na organização do catolicismo de então. E o que era para ser um movimento intramuros da fé católica acabou significando o nascedouro de vertentes do cristianismo.

«Ele abriu uma porta, mas ele próprio acabou vivendo a consequência disso», comenta a historiadora Jaquelini de Souza, professora na Universidade Regional do Cariri e pesquisadora nas Faculdades EST (antiga Escola Superior de Teologia), instituição da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

«Ele queria, na verdade, fazer uma reforma em que, na cabeça dele, seria um melhoramento, Lutero não queria criar uma nova igreja, suas 95 teses foram movidas pelo grande amor que ele tinha à Igreja Católica.» Na época, Lutero já era um religioso renomado, com respeitável carreira acadêmica.

Teólogo e doutor em bíblia, lecionava desde 1508 na Universidade de Wittenberg (Alemanha) e, estudioso de grego e hebraico, trabalhava em uma tradução das escrituras, Como sacerdote, parecia incomodado com o monopólio da fé que a Igreja Católica detinha, sobretudo porque notou haver uma mercantilização das indulgências, o perdão pleno dos pecados que, naquele momento histórico, vinha sendo negociado por religiosos em troca de pagamentos em dinheiro.

Em 31 de outubro de 1517, Lutero afixou 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. Basicamente, ele questionava esse comércio de graças e o poder absoluto da Igreja na fé popular — e afirmava que a Bíblia era o texto primordial que deveria ser considerado, acima de qualquer autoridade papal. Quem Foi Lutero Crédito, Reprodução Legenda da foto, Lutero, recusando-se a se retratar, em obra de Anton Von Werner «Lutero promoveu o fim do monopólio católico em relação aos bens de salvação», pontua o historiador, teólogo e filósofo Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

  1. Isto porque, principalmente ao longo da Idade Média na Europa, o entendimento predominante era de que, para ser salvo, era preciso ser batizado e seguir os ensinamentos da Igreja Católica.
  2. Não estar na Igreja Católica era estar no inferno, era ser alguém destituído da graça de Deus.
  3. Era assim que funcionava», completa Moraes.

O lema latino era «extra ecclesiam nulla salus», ou seja, vigorava a ideia de que não havia salvação que fosse fora da Igreja. «Lutero não queria romper com a Igreja, mas ele rompe com isso, com essa ideia. E o processo todo leva a sua saída «, explica o teólogo.

Afinal, depois da publicação das teses e do julgamento religioso, Lutero acabou excomungado. Em outras palavras, ele se tornou exatamente isso: alguém que estava fora da Igreja, portanto, na condição de não salvo. Mas o que ninguém imaginava era que ele encontraria apoio de uma elite germânica e, em pouco tempo, cerca de três ou quatro anos depois, suas ideias já tinham encontrado solo fértil em tantas mentes e corações que uma nova religiosidade acabou surgindo.

«Um movimento que, enfim, colocou fim ao monopólio católico», diz Moraes. «O protestantismo nasceu assim, como um movimento plural e sem papa», pontua o teólogo. «E este é o legado de Lutero, um movimento de não obediência ao bispo de Roma, uma religiosidade cristã que não ficava abaixo do guarda-chuva católico.

  1. Não era mais preciso ser católico para ser salvo, já que, no novo entendimento, o único mediador entre Deus e os homens é Jesus, e não mais o papa.» «Nesse sentido», completa Moraes, «Lutero pode ser o pai de todas as igrejas que daí surgiram.
  2. Mas é pai mesmo de todas? Difícil dizer.
  3. O que ele é, sem dúvida, é pai de um movimento que rompe com a Igreja Católica.» O fundamento do luteranismo não era mais uma figura absolutista teocrática, no caso, o papa.

Mas, sim, a Bíblia, ou seja, os textos considerados sagrados. «Nos fundamentos de Lutero, há a centralidade da Bíblia», comenta Moraes. E, claro, para contrapor ao comércio das indulgências, a ideia de que a salvação vem da graça divina, da fé. «Lutero acabou sendo a grande pedra fundamental para o surgimento de outras tradições cristãs porque para ele, entre bíblia e autoridade papal, a primazia era da bíblia», pontua Souza. Quem Foi Lutero Crédito, Reprodução Legenda da foto, Lutero, em retrato de Lucas Cranach, hoje em domínio público A historiadora lembra que, por outro lado, essa ideia de incentivar a livre interpretação da bíblia também possibilitou leituras equivocadas e interpretações rasas que perduram até hoje.

  1. Lutero tinha na cabeça regras hermenêuticas de interpretação das sagradas escrituras e a importância de caminhar ao lado dos doutores da igreja, mas isso abriu caminho para as demais pessoas, abriu a caixa de Pandora e ficou incontrolável», diz.
  2. Não foi a intenção dele.
  3. Não foi a intenção dele nem criar uma nova Igreja, mas ele abriu a caixa de Pandora.» Mas pesquisadores ressaltam que Lutero mesmo nunca pretendeu sair do catolicismo e muito menos criar uma própria igreja.

«Existe uma tradição que diz que quando ele estava próximo da morte e a igreja daqueles que seguiam suas ideias já vinha sendo chamada de luterana, ele não gostava», afirma Souza. «Ele dizia que a igreja era de Cristo e não dele.» O que seria então a igreja de Lutero? «Acho que não existe.

Não posso afirmar que tal igreja seja a luterana pura e todas as outras sejam versões, isso não existe por conta da especificidade da própria história de cada localidade e como o luteranismo se desenvolveu», diz a historiadora. Para ela, a razão de não existir uma igreja propriamente seguidora de Lutero é que o norte dos que praticam a religiosidade segundo tal preceito nunca é o fundador, mas sim, a figura de Jesus Cristo.

Por outro lado, ela aponta algumas nuances que seriam características dos luteranos, em comparação com católicos ou cristãos de outras denominações. «Eu diria que a liberdade de consciência, a liberdade de viver a fé. Isso é forte no luteranismo. O luterano não aceita um legalismo, mas vive aquilo que ele crie em liberdade, por amor», comenta.

«A herdeira natural do luteranismo é a Igreja Luterana, mas podemos dizer que o movimento inicial de Lutero acabou sendo apropriado e ressignificado por todas as igrejas ditas protestantes porque essas acabaram, de alguma maneira, também seguindo essa trilha que foi aberta por ele», acrescenta Moraes.

«Lutero deixou um tesouro, que possibilita novas interpretações e ressignificações porque estamos lidando com esse negócio vivo chamado religião», complementa o teólogo.

Quantas vezes Lutero casou?

Martinho Lutero
Martinho Lutero Lutero em 1529 por Lucas Cranach, o Velho
Nome completo Martinus Luter ( Martin Luther )
Nascimento 10 de novembro de 1483 Eisleben, Sacro Império Romano-Germânico
Morte 18 de fevereiro de 1546 (62 anos) Eisleben, Sacro Império Romano-Germânico
Progenitores Mãe: Margarethe Lindemann Pai: Hans Luther
Cônjuge Catarina von Bora (1525–1546)
Filho(a)(s) Johannes (Hans) (1526–75) Elizabeth (1527–28) Magdalena (1529–42) Martin Jr. (1531–1565) Paul (1533–93) Margarete (1534–70)
Educação Universidade de Erfurt
Ocupação teólogo
Principais trabalhos 95 Teses Catecismo Maior Catecismo Menor Liberdade de um Cristão
Ideias notáveis Lei e Evangelho, Sola fide, Teologia da Cruz, Doutrina dos dois reinos
Religião Católico Romano (até 1519) Protestantismo (desde 1519)
Assinatura

Martinho Lutero (em alemão : Martin Luther ; Eisleben, 10 de novembro de 1483 – Eisleben, 18 de fevereiro de 1546 ) foi um monge agostiniano e professor de teologia germânico que tornou-se uma das figuras centrais da Reforma Protestante, Levantou-se veementemente contra diversos dogmas do catolicismo romano, contestando sobretudo a doutrina de que o perdão de Deus poderia ser adquirido pelo comércio das indulgências,

Essa discordância inicial resultou na publicação de suas famosas 95 Teses em 1517, em um contexto de conflito aberto contra o vendedor de indulgências Johann Tetzel, Sua recusa em retratar-se de seus escritos, a pedido do Papa Leão X em 1520 e do imperador Carlos V na Dieta de Worms em 1521, resultou em sua excomunhão da Igreja Romana e em sua condenação como um fora-da-lei pelo imperador do Sacro Império Romano Germânico,

Lutero propôs, com base em sua interpretação das Sagradas Escrituras, especialmente da Epístola de Paulo aos Romanos, que a salvação não poderia ser alcançada pelas boas obras ou por quaisquer méritos humanos, mas tão somente pela fé em Cristo Jesus ( sola fide ), único salvador dos homens, sendo gratuitamente oferecida por Deus aos homens.

Sua teologia desafiou a infalibilidade papal em termos doutrinários, pois defendia que apenas as Escrituras ( sola scriptura ) seriam fonte confiável de conhecimento da verdade revelada por Deus. Opôs-se ao sacerdotalismo romano (isto é, à consagrada divisão católica entre clérigos e leigos), por considerar todos os cristãos batizados como sacerdotes e santos.

Aqueles que se identificaram com os ensinamentos de Lutero acabaram sendo chamados de luteranos, Em seus últimos anos, Lutero mostrou-se radical em suas propostas contrárias aos judeus alemães, tendo sido inclusive considerado posteriormente um antissemita,

Qual a diferença entre a Igreja Católica e luterana?

Os católicos veem a Eucaristia como uma constante repetição do sacrifício de Jesus Cristo. Em sua interpretação, a hóstia se transforma no corpo de Jesus e pode ser adorada. Já para os luteranos, a Santa Ceia é o verdadeiro corpo e sangue de Jesus, no pão e no vinho.