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Sintomas De Quem Cheira P?

Qual o comportamento de uma pessoa que cheira pó?

Alterações na rotina – Um dependente químico pode apresentar alterações também em seu metabolismo. Assim, sinais do abuso de drogas podem aparecer na alimentação: os mais evidentes são a falta ou o excesso de apetite. O semblante de um dependente químico também costuma refletir o abuso de drogas.

Como fica a boca de quem cheira pó?

Resumo Introdução A cocaína é uma das drogas psicoativas mais usadas no mundo, é extraída das folhas da Erytroxylus coca, Seu uso abusivo pode desencadear inúmeras consequências para o corpo humano, inclusive na cavidade oral. Objetivo Identificar quais as alterações orais mais comumente encontradas nos indivíduos que fazem uso abusivo de cocaína, além das principais formas de diagnóstico e tratamento.

Método Fez‐se uma revisão integrativa nas bases de dados Lilacs, BBO, LIS, Medline, SciELO, Science Direct e PubMed. Foram usados os descritores «cocaína», «boca», «palato» e «odontologia» junto de seus sinônimos e variações em inglês, retirados do DeCS e MeSH. Os critérios de inclusão foram artigos originais, artigos nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, estudos que envolveram pessoas e sem restrição quanto ao ano de publicação.

Foram excluídos estudos feitos em animais, revisões da literatura, capítulos de livros, teses e dissertações. Resultados Foram identificados 1.373 registros. Desses, 22 artigos foram selecionados para compor a revisão. Diversas alterações orais causadas por uso abusivo de cocaína foram encontradas.

As principais foram perfuração do palato, predisposição para doenças periodontais, desordens temporomandibulares, bruxismo, danos aos tecidos orais, cárie dentária, lesões destrutivas da linha média facial, xerostomia e ageusia. Entre as formas de diagnóstico usadas pelos profissionais, a anamnese, exames físicos intraorais e a tomografia computadorizada da região da cabeça e pescoço foram as mais mencionadas.

Como tratamento, nos pacientes com perfuração palatina, é feita a reconstrução da área afetada ou o uso de obturadores protéticos. Conclusão O manejo desses pacientes não é tarefa fácil, pois muitos usuários sequer procuram ajuda profissional. Os profissionais da saúde devem ser capazes de reconhecer tais alterações e manifestações para que sejam feitos diagnósticos e planejamentos de tratamentos oportunos e precisos.

Palavras‐chave: Transtornos relacionados ao uso de cocaína Manifestações bucais Diagnóstico Terapêutica Odontologia Texto Completo Introdução Uma droga psicoativa é definida como um produto químico, natural ou sintético, que, quando administrado por qualquer via (inalação, ingestão, intramuscular, intravenosa), atua no sistema nervoso central e desencadeia alterações físicas e/ou psiquiátricas, provoca mudanças nas sensações ou modifica o estado psicológico, isto é, altera o comportamento do indivíduo.1 O consumo de substâncias psicoativas pode sofrer influência do contexto social dos usuários e de fatores como renda familiar, nível educacional e local de moradia.2 Nesse sentido, o abuso de drogas é considerado um problema de saúde pública devido às consequências sistêmicas e comportamentais.3,4 Entre as drogas ilícitas mais comuns e usadas no mundo encontram‐se principalmente a Cannabis sativa, conhecida popularmente como maconha.5,6 Além dessa, existem as anfetaminas, ecstasy, opiáceos e a cocaína.7 A benzoilmetilecgonina é uma droga relativamente recente entre os tipos de substâncias psicoativas usadas pelo homem ao longo dos tempos, pode ser encontrada e extraída nas folhas da planta da coca ( Erytroxylus coca ) e pode chegar ao consumidor de três maneiras: sob a forma de sal, o cloridrato de cocaína, pó ou farinha, serve, portanto, para ser aspirada ou dissolvida em água para uso endovenoso.8 Derivado da cocaína, o crack, sob a forma de uma base, transformada em pedra, é pouco solúvel em água e volatiliza quando aquecido, pode ser fumado em cachimbos.

Independentemente da forma de uso dessa droga, todos os efeitos provocados ocorrem pelo uso de ambas. Todavia, ao ser fumado tem maior potência.8 Atualmente, a cocaína é classificada como uma substância psicoativa pertencente às drogas estimulantes que alteram o funcionamento do cérebro, deixam‐no mais ativo, atuam no sistema nervoso central.9,10 O consumo dessa droga pode ser feito de diversas maneiras e uma das principais formas de administração da cocaína é por via intranasal.11 Poucos minutos após a inalação, ocorre uma sensação de euforia que dura em torno de 20 a 90 minutos.

Além disso, os usuários de cocaína podem esfregar a droga no tecido gengival devido à semelhança da arquitetura da mucosa nasal e oral e à abundante vascularização.12 Porém, nesse uso, ao ser esfregada na superfície da gengiva para que ocorra uma absorção mais eficaz, a cocaína em pó pode levar à irritação dessa mucosa.

A absorção pela mucosa de E. coca pode ocasionar lesões orais como consequência da diminuição do aporte sanguíneo devido à vasoconstrição da região afetada, o que resulta na necrose tecidual.13 Como consequência, o uso abusivo de drogas pode causar ou propiciar a ocorrência de problemas físicos, como complicações cardíacas, depressão respiratória, cirrose hepática, nefropatia, de forma indireta podem ocorrer doenças infecciosas como hepatite, Aids e tuberculose, e também pode causar incapacidade e distúrbios mentais, como depressão.

Essas condições podem progredir para estágios mais avançados e causar desordens significativas, pois os pacientes dependentes demoram a procurar atendimento médico e o fazem quando os sintomas se agravam.14 Além das consequências do uso da cocaína para a saúde geral e os efeitos sistêmicos, é preciso considerar também a ocorrência de alterações bucais nos usuários, 15 pois o uso da substância pode afetar diretamente o tecido dentário e a mucosa oral, pode causar xerostomia, alterações no fluxo salivar, erosão e abrasão do esmalte, cárie atípica, perda dentária 14 e lesões gengivais.10 Em adição, o uso regular da cocaína pode ter efeitos orofaciais graves, como perfuração do septo nasal e palato, lesão gengival e erosão da superfície dentária, além de estar associado a alterações no olfato e sinusite crônica.16 Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo identificar as alterações orais mais comumente encontradas nos indivíduos que fazem uso abusivo de cocaína, além de seus diagnósticos e tratamentos, disponíveis nas publicações científicas.

Método As etapas da presente revisão integrativa da literatura foram feitas independentemente por três pesquisadores seguindo de acordo com as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta‐Analyses (Prisma).17 Para melhor construção do presente estudo, foi usada a estratégia de formulação Pico (população, intervenção, comparação e outcome /desfecho) para enquadramento da questão.18 A partir dessa estratégia a seguinte pergunta foi formulada: «Quais são as lesões mais encontradas na cavidade oral dos usuários que fazem uso abusivo de cocaína?» Estratégia de busca A busca para obtenção dos estudos foi feita de setembro a novembro de 2020, nas bases de dados Lilacs, BBO, LIS e Medline via portal da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Science Direct e Medline via PubMed.

  • Foram usadas combinações variáveis dos descritores obtidos no DeCS (Descritores em Ciências de Saúde) e MeSH ( Medical Subject Headings ) nas línguas inglês e português ( tabela 1 ).
  • Critérios de elegibilidade dos estudos Foram incluídos estudos que apresentaram resultados referentes às lesões encontradas na cavidade oral dos usuários abusadores de cocaína.

Os critérios de inclusão foram: artigos originais, artigos nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, artigos de relatos de caso, estudos transversais, estudos experimentais, estudos observacionais e estudos de campo. Não houve restrição quanto ao ano de publicação.

  • Foram excluídos estudos feitos em animais, revisões da literatura, capítulos de livros, teses e dissertações.
  • Seleção dos estudos Após as buscas nas bases de dados, os títulos e resumos foram listados de forma padronizada.
  • Em seguida os artigos em duplicata foram excluídos e com base nos critérios de inclusão e exclusão foi feita a seleção inicial dos estudos com potencial para indicação de leitura de texto completo.

Em caso de desacordo um quarto revisor foi consultado e a decisão foi tomada em consenso. Os textos completos não disponíveis nas bases de dados foram requisitados diretamente a seus autores. Uma busca manual nas referências dos artigos considerados elegíveis também foi feita.

  • Após a leitura dos textos na íntegra e decisão pela inclusão dos artigos no presente estudo, os resultados mais relevantes foram extraídos para análise sequencial.
  • Resultados A busca eletrônica e manual resultou na identificação de 1.373 textos.
  • Desses, após exclusão inicial por títulos e resumos, 26 artigos foram selecionados de acordo com os critérios de elegibilidade.

Finalmente, após leitura na íntegra, 22 artigos foram incluídos. O fluxograma da pesquisa pode ser observado na figura 1, Os aspectos gerais dos 22 artigos selecionados podem ser verificados na tabela 2, O número de indivíduos nos estudos variou de no mínimo um participante (relatos de caso) até o máximo de 212 participantes.

  • A idade média dos indivíduos que participaram nas pesquisas variou de 13 a 70 anos.
  • Quanto ao tipo de estudo, entre os 22 analisados, 13 eram relatos de casos, 20–23,28–34,36,38,39 5 estudos transversais, 15,19,26,35,37 um estudo experimental, 24 2 estudos observacionais, 26,35 um estudo de campo.25 Apesar de as revisões da literatura serem um critério de exclusão, 2 estudos 20,31 foram incluídos pois apresentavam mais de um tipo metodológico, eram relatos de caso que continham revisões de literatura na sua metodologia.

Diversas alterações orais causadas por uso abusivo de cocaína foram encontradas nos estudos: perfuração do palato, 20,22,26–29,31,33,34 desordens temporomandibulares (DTM), 25,33 bruxismo, 25,33 predisposição para doenças periodontais, principalmente a gengivite, 24–26,35 danos aos tecidos orais, 19,24 experiência de cárie, 24–26,33 lesões destrutivas da linha média facial, 21,23 xerostomia 19,33,39 e ageusia.24 Na maioria dos estudos o uso de cocaína foi feito de forma associada com outras drogas.

Em apenas 10 estudos o uso de cocaína foi descrito de forma isolada.22,23,27,29–31,33,34,36,38 Foram encontradas ainda alterações no tecido mole, 15,37 respostas inflamatórias, 15,19 aumento da queratinização do epitélio.15 Entre as formas de diagnóstico usadas pelos profissionais para a identificação das enfermidades orais, anamnese, 31,34 exames físicos intraorais, 20,22,23,25,29,32,33,35 tomografia computadorizada (TC) da região da cabeça e pescoço, 21–23,28,31–33 exames histopatológicos 19,32,38 e testes com sabor 24 foram as mencionadas.

No que tange aos tratamentos, alguns autores afirmaram que se deve levar em consideração a manifestação oral que o paciente apresenta e a partir dela determinar qual a melhor forma de tratamento que pode ser feita. Em pacientes que apresentam perfuração palatina, normalmente a reconstrução da área afetada é necessária e foi feita através de retalhos da mesma região palatal ou não, 20,21,23,27,34 uso do tecido adiposo da bola de Bichat 34 ou de obturadores protéticos, 20,21,27,29,32,33 reconstituição cirúrgica da linha média da face 23 ou ainda estimulantes salivares.19 Discussão Esta revisão integrativa abordou as alterações orais mais comumente encontradas nos indivíduos que fazem uso abusivo de cocaína.

Os estudos incluídos foram em sua maioria do tipo relatos de caso e estudos transversais. Os resultados demonstraram que os tipos mais frequentes de alterações orais foram perfuração do palato, 20,22,26–29,31,33,34 bruxismo, 25,33 doenças periodontais, 24–26,35 experiência de cárie.24–26,33 As principais estratégias usadas para exame e diagnóstico foram exames físicos intraorais 20,22,23,25,29,32,33,35 e TC.21–23,28,31–33 Apenas alguns autores mencionaram estratégias para reabilitar ou repor tecidos orais parcial ou completamente destruídos pelo uso da cocaína.20,21,23,27,34 No tocante às manifestações orais mais comuns é preciso considerar que devido à cocaína ter um alto poder vasoconstrictor, é possível que seu uso leve à isquemia em tecidos moles e duros da cavidade oral e consequentemente à necrose.20 Tal processo destrutivo pode causar úlcera ou perfuração no palato duro e mole e culmina numa comunicação oronasal e consequente voz nasalizada, 23,25,32 dificuldades ao comer e beber, 20,39 além de regurgitação nasal.20,22,27,29,31 Essas foram as principais motivações para levar o paciente a procurar ajuda profissional.

Contudo, alguns estudos mencionaram que parte dos usuários não permitiram essa identificação por permanecer na negação do uso das drogas, a fim de evitar a internação ou julgamentos.20,21 As perfurações podem acontecer durante o período abusivo da droga ou até mesmo após anos de sobriedade do indivíduo.

Para isso, é necessário que haja um processo inflamatório, por meio de infecções bacterianas, virais 40 ou fúngicas, que normalmente também estão associadas a perda do paladar.24 Além dessas, doenças inflamatórias associadas à doenças sistêmicas 21,30 ou agressões físicas ou químicas podem ser relacionadas a esse tipo de alteração.

No caso relatado por Dovigi e Natarajan, 28 um indivíduo que tinha uma grande perda óssea no palato e septo nasal advinda dos anos em que era usuário de cocaína, ao queimar o «céu da boca» teve o aparecimento de uma comunicação oronasal, que o impossibilitou de se alimentar confortavelmente, pois tudo invadia sua passagem nasal.

No que diz respeito às comunicações oronasais, a literatura aponta que elas podem ser pequenas de forma circunstancial, 20,28,31 extensas 23 ou também múltiplas.29,33,39 Por estar anatomicamente muito próximas da região do palato e ter uma vascularização cartilaginosa carente, é possível também serem comumente acompanhadas de perfurações e destruição do septo nasal.22,30–32 Além das consequências já mencionadas, pacientes viciados em cocaína podem apresentar também distúrbios musculares e, portanto, uma possível disfunção temporomandibular (DTM).33 Chaparro‐González 25 corrobora esse achado ao identificar que usuários de drogas como cocaína, metanfetamina e opiáceos sofrem de bruxismo, o que resulta em maior frequência de DTM.

Uma avaliação da presença de hábitos orais prejudiciais na amostra analisada mostra que 59,4% tinham bruxismo e 37,5% apresentavam onicofagia.25 A forma de uso da cocaína pode ser variável e a aplicação direta de cocaína na gengiva é uma delas. Esse tipo de aplicação é usado como um teste de pureza da substância e pode causar recessão gengival, ulceração e necrose.20,36 Em um estudo observacional revelou‐se que nenhum dos adictos tinha periodontite.

Entretanto, 28 dos 43 pacientes apresentavam alguma forma de doença gengival. Do total de acometidos, 5 apresentaram gengivite leve, 17 gengivite moderada e 6 gengivite com bolsa de acordo com o índice de Russel.35 A respeito das manifestações orais em dependentes químicos, a condição mais frequente em tecidos duros orais é uma alta prevalência de cárie, 25 devido ao fato de os usuários de droga negligenciavam sua higiene bucal.24,26 Foi observada uma redução significativa do fluxo salivar entre os usuários de cocaína, com relatos de xerostomia.19,33,39 Ademais, foram descritos casos de ageusias, quando comparados viciados e não usuários, houve uma perda em especial para os sabores doces, amargos e salgados, nos dependentes, indicou que o uso abusivo de cocaína traz alterações salivares e gustatórias, 24 devido ao dano causado a receptores gustativos, seja de forma direta ou por meio de processos secundários, produção e composição alterada da saliva e elementos da mucosa, mudanças no processamento de informações sensoriais relacionadas ao palato e córtex 24 e secura da mucosa oral.19,33,39 Para identificação das lesões do palato, o exame físico é o meio mais rápido e eficiente.25,29,35 Para planejamentos individuais, exames bidimensionais não devem ser a única forma de diagnóstico, o uso de imagens tridimensionais se faz essencial, uma vez que os pontos de referências, linhas e planos facilitam uma melhor compreensão de casos de maior gravidade.41,42 Quando necessário, para comprovação da extensão das lesões e ter um melhor conhecimento de sua localização, TC de cabeça e pescoço pode ser requisitada, 20,22,23,32,33 para evidenciar as relações estruturais em profundidade, mostrar imagens do corpo humano de maneira individualizada, o que reduz a sobreposição de estruturas, obtém‐se uma imagem clara.43 Ainda nesse contexto, é importante ressaltar que uma boa anamnese pode direcionar melhor o profissional para um diagnóstico e tratamento mais assertivos.31,44 Como as lesões investigadas no presente estudo são associadas ao uso de substâncias ilícitas, por vezes o usuário/paciente pode negar o uso delas, 21 o que dificulta o diagnóstico e atrasa o início da terapêutica.

Além de tomografia, podem ser usados exames histopatológicos de biópsias incisionais dessas lesões, por meio das quais, muitas vezes, é possível notar a existência de características inflamatórias agudas, crônicas e necrosantes, 19,32 ou ainda sem características necrosantes.38 Tais exames podem ser de extrema importância no diagnóstico clínico, pois diferentes tipos de doenças causam lesões destrutivas na cavidade oral similares às lesões ocasionadas pelo uso de cocaína.31 A incidência de perfurações palatinas causadas pelo uso de cocaína tem probabilidade de aumentar, quando não tratadas.20 Defeitos mais extensos podem prejudicar diretamente funções como fala e mastigação.

Entretanto, próteses obturadoras podem minimizar esses problemas por ser uma forma conservadora e não invasiva de tratamento.20 Outra terapia possível é a de natureza cirúrgica.20,21,23,27,34 Contudo, observa‐se que o tratamento com próteses obturadoras como medida paliativa e menos invasiva torna‐se suficiente.28,33,39 Em casos específicos de lesão destrutiva de linha média de face, causadas pelo abuso de cocaína, 23 são recomendados procedimentos cirúrgicos de reconstrução.

Essa reconstrução cirúrgica pode ser especialmente indicada quando o defeito é no palato mole.27 Em casos onde há comprometimento dos tecidos do palato duro e palato mole, existe uma opção na qual ocorre a remoção dessas estruturas e posterior substituição por uma prótese, parte dela de acrílico para palato duro e a outra feita de um material de revestimento resistente e maleável para ficar no local do palato mole.29 Outra opção é o uso da técnica cirúrgica de osteotomia Le Fort I e o uso do retalho do corpo de Bichat bilateral, o qual constitui um método eficaz para a correção de comunicações oronasais de pequeno e médio porte, apresenta fácil execução, com mínimo impacto na aparência estética do paciente.34 Nesse sentido, esse procedimento é uma opção eficaz para pacientes jovens e idosos, garante uma excelente abordagem intraoral, além de um ótimo resultado estético.

O presente estudo apresenta limitações que devem ser consideradas, como: os estudos usados para construção desse artigo podem não representar a população em geral, 15,19 tinham uma amostra pequena, 26,37 dificuldade de localizar os usuários exclusivos de uma única droga.37 No estudo de Cury, 26 um erro amostral de 5% foi encontrado e nenhum fator de correção foi usado, os homens viciados em cocaína foram menos cooperativos durante o exame oral e também existiu a possibilidade de viés na resposta dos questionários aplicados aos participantes.

Conclusão Inúmeras manifestações bucais causadas por uso abusivo de cocaína foram encontradas. As principais: perfuração do palato, predisposição para doenças periodontais, danos aos tecidos orais e cárie dentária. Para o diagnóstico, foram feitas diferentes abordagens, as quais refletiam diretamente no tratamento.

  • Dessa forma, torna‐se necessário que os profissionais da saúde sejam capazes de reconhecer tais alterações e manifestações para que sejam feitos diagnósticos e planejamentos de tratamentos precisos e assertivos.
  • Um programa de saúde pública voltado para o diagnóstico precoce e tratamento de lesões decorrentes do uso abusivo é vital para melhorar o estado de saúde bucal de indivíduos que fazem uso abusivo cocaína.

Conflitos de interesse Os autores declaram não haver conflitos de interesse. Referências P.C. Gigena, L.S. Cornejo, A. Lescano-de-Ferrer. Oral health in drug addict adolescents and non psychoactive substance users. Acta Odontol Latinoam., 28 (2015), pp.48-57 G.M.

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Oral changes in cocaine abusers: an integrative review. Braz J Otorhinolaryngol.2022;88:633–41. A revisão por pares é da responsabilidade da Associac¸ão Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico‐Facial. Copyright © 2021. Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial

O que a cocaína faz com o corpo?

A cocaína também aumenta a frequência cardíaca, elevando a chance de infarto, mesmo em pessoas jovens. Com a persistência no uso de cocaína, é possível que ocorra: Sangramentos pelo nariz, Náuseas, Perda de controle, Euforia E agressividade. Além disso, a dependência começa a se tornar inevitável.

Quanto tempo dura o efeito do pó?

A cocaína pode ser consumida de várias maneiras, mas a mais comum é aspirada, já que normalmente apresenta a forma de pó. O efeito dura de 20 a 30 minutos e é seguido de irritabilidade, cansaço e depressão. O uso em altas doses pode provocar alucinações, agitação, extrema paranóia e agressividade.

Como saber se a pessoa usa algum tipo de droga?

EFEITOS DO ABUSO – sonolência, apatia, língua enrolada, embriaguês sem hálito, depressão, confusão, desorientação, falta de coordenação, tremores, irritabilidade, agressividade, variação de humor, falta de memória, vertigens, atenção e reflexos diminuidos, náuseas e vômitos.

Como saber se a pessoa está sob efeito de droga?

EFEITOS DA FALTA – apatia, sono prolongado, irritabilidade, depressão, delírio, desorientação, alucinações, agressividade, tendências suicidas, surto psicótico.

Como fica o nariz de quem cheira cocaína?

Nariz e boca – Cheirar cocaína danifica as membranas mucosas do nariz, criando um ambiente seco com menos fluxo sanguíneo. Isso pode danificar seriamente os tecidos moles e a cartilagem, e o uso pesado pode fazer com que uma pessoa perfure o septo, levando ao colapso da estrutura nasal.

Qual o efeito da cocaína na língua?

Resumo Introdução A cocaína é uma das drogas psicoativas mais usadas no mundo, é extraída das folhas da Erytroxylus coca, Seu uso abusivo pode desencadear inúmeras consequências para o corpo humano, inclusive na cavidade oral. Objetivo Identificar quais as alterações orais mais comumente encontradas nos indivíduos que fazem uso abusivo de cocaína, além das principais formas de diagnóstico e tratamento.

  • Método Fez‐se uma revisão integrativa nas bases de dados Lilacs, BBO, LIS, Medline, SciELO, Science Direct e PubMed.
  • Foram usados os descritores «cocaína», «boca», «palato» e «odontologia» junto de seus sinônimos e variações em inglês, retirados do DeCS e MeSH.
  • Os critérios de inclusão foram artigos originais, artigos nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, estudos que envolveram pessoas e sem restrição quanto ao ano de publicação.

Foram excluídos estudos feitos em animais, revisões da literatura, capítulos de livros, teses e dissertações. Resultados Foram identificados 1.373 registros. Desses, 22 artigos foram selecionados para compor a revisão. Diversas alterações orais causadas por uso abusivo de cocaína foram encontradas.

  1. As principais foram perfuração do palato, predisposição para doenças periodontais, desordens temporomandibulares, bruxismo, danos aos tecidos orais, cárie dentária, lesões destrutivas da linha média facial, xerostomia e ageusia.
  2. Entre as formas de diagnóstico usadas pelos profissionais, a anamnese, exames físicos intraorais e a tomografia computadorizada da região da cabeça e pescoço foram as mais mencionadas.

Como tratamento, nos pacientes com perfuração palatina, é feita a reconstrução da área afetada ou o uso de obturadores protéticos. Conclusão O manejo desses pacientes não é tarefa fácil, pois muitos usuários sequer procuram ajuda profissional. Os profissionais da saúde devem ser capazes de reconhecer tais alterações e manifestações para que sejam feitos diagnósticos e planejamentos de tratamentos oportunos e precisos.

Palavras‐chave: Transtornos relacionados ao uso de cocaína Manifestações bucais Diagnóstico Terapêutica Odontologia Texto Completo Introdução Uma droga psicoativa é definida como um produto químico, natural ou sintético, que, quando administrado por qualquer via (inalação, ingestão, intramuscular, intravenosa), atua no sistema nervoso central e desencadeia alterações físicas e/ou psiquiátricas, provoca mudanças nas sensações ou modifica o estado psicológico, isto é, altera o comportamento do indivíduo.1 O consumo de substâncias psicoativas pode sofrer influência do contexto social dos usuários e de fatores como renda familiar, nível educacional e local de moradia.2 Nesse sentido, o abuso de drogas é considerado um problema de saúde pública devido às consequências sistêmicas e comportamentais.3,4 Entre as drogas ilícitas mais comuns e usadas no mundo encontram‐se principalmente a Cannabis sativa, conhecida popularmente como maconha.5,6 Além dessa, existem as anfetaminas, ecstasy, opiáceos e a cocaína.7 A benzoilmetilecgonina é uma droga relativamente recente entre os tipos de substâncias psicoativas usadas pelo homem ao longo dos tempos, pode ser encontrada e extraída nas folhas da planta da coca ( Erytroxylus coca ) e pode chegar ao consumidor de três maneiras: sob a forma de sal, o cloridrato de cocaína, pó ou farinha, serve, portanto, para ser aspirada ou dissolvida em água para uso endovenoso.8 Derivado da cocaína, o crack, sob a forma de uma base, transformada em pedra, é pouco solúvel em água e volatiliza quando aquecido, pode ser fumado em cachimbos.

Independentemente da forma de uso dessa droga, todos os efeitos provocados ocorrem pelo uso de ambas. Todavia, ao ser fumado tem maior potência.8 Atualmente, a cocaína é classificada como uma substância psicoativa pertencente às drogas estimulantes que alteram o funcionamento do cérebro, deixam‐no mais ativo, atuam no sistema nervoso central.9,10 O consumo dessa droga pode ser feito de diversas maneiras e uma das principais formas de administração da cocaína é por via intranasal.11 Poucos minutos após a inalação, ocorre uma sensação de euforia que dura em torno de 20 a 90 minutos.

Além disso, os usuários de cocaína podem esfregar a droga no tecido gengival devido à semelhança da arquitetura da mucosa nasal e oral e à abundante vascularização.12 Porém, nesse uso, ao ser esfregada na superfície da gengiva para que ocorra uma absorção mais eficaz, a cocaína em pó pode levar à irritação dessa mucosa.

A absorção pela mucosa de E. coca pode ocasionar lesões orais como consequência da diminuição do aporte sanguíneo devido à vasoconstrição da região afetada, o que resulta na necrose tecidual.13 Como consequência, o uso abusivo de drogas pode causar ou propiciar a ocorrência de problemas físicos, como complicações cardíacas, depressão respiratória, cirrose hepática, nefropatia, de forma indireta podem ocorrer doenças infecciosas como hepatite, Aids e tuberculose, e também pode causar incapacidade e distúrbios mentais, como depressão.

Essas condições podem progredir para estágios mais avançados e causar desordens significativas, pois os pacientes dependentes demoram a procurar atendimento médico e o fazem quando os sintomas se agravam.14 Além das consequências do uso da cocaína para a saúde geral e os efeitos sistêmicos, é preciso considerar também a ocorrência de alterações bucais nos usuários, 15 pois o uso da substância pode afetar diretamente o tecido dentário e a mucosa oral, pode causar xerostomia, alterações no fluxo salivar, erosão e abrasão do esmalte, cárie atípica, perda dentária 14 e lesões gengivais.10 Em adição, o uso regular da cocaína pode ter efeitos orofaciais graves, como perfuração do septo nasal e palato, lesão gengival e erosão da superfície dentária, além de estar associado a alterações no olfato e sinusite crônica.16 Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo identificar as alterações orais mais comumente encontradas nos indivíduos que fazem uso abusivo de cocaína, além de seus diagnósticos e tratamentos, disponíveis nas publicações científicas.

Método As etapas da presente revisão integrativa da literatura foram feitas independentemente por três pesquisadores seguindo de acordo com as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta‐Analyses (Prisma).17 Para melhor construção do presente estudo, foi usada a estratégia de formulação Pico (população, intervenção, comparação e outcome /desfecho) para enquadramento da questão.18 A partir dessa estratégia a seguinte pergunta foi formulada: «Quais são as lesões mais encontradas na cavidade oral dos usuários que fazem uso abusivo de cocaína?» Estratégia de busca A busca para obtenção dos estudos foi feita de setembro a novembro de 2020, nas bases de dados Lilacs, BBO, LIS e Medline via portal da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Science Direct e Medline via PubMed.

  1. Foram usadas combinações variáveis dos descritores obtidos no DeCS (Descritores em Ciências de Saúde) e MeSH ( Medical Subject Headings ) nas línguas inglês e português ( tabela 1 ).
  2. Critérios de elegibilidade dos estudos Foram incluídos estudos que apresentaram resultados referentes às lesões encontradas na cavidade oral dos usuários abusadores de cocaína.

Os critérios de inclusão foram: artigos originais, artigos nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, artigos de relatos de caso, estudos transversais, estudos experimentais, estudos observacionais e estudos de campo. Não houve restrição quanto ao ano de publicação.

Foram excluídos estudos feitos em animais, revisões da literatura, capítulos de livros, teses e dissertações. Seleção dos estudos Após as buscas nas bases de dados, os títulos e resumos foram listados de forma padronizada. Em seguida os artigos em duplicata foram excluídos e com base nos critérios de inclusão e exclusão foi feita a seleção inicial dos estudos com potencial para indicação de leitura de texto completo.

Em caso de desacordo um quarto revisor foi consultado e a decisão foi tomada em consenso. Os textos completos não disponíveis nas bases de dados foram requisitados diretamente a seus autores. Uma busca manual nas referências dos artigos considerados elegíveis também foi feita.

Após a leitura dos textos na íntegra e decisão pela inclusão dos artigos no presente estudo, os resultados mais relevantes foram extraídos para análise sequencial. Resultados A busca eletrônica e manual resultou na identificação de 1.373 textos. Desses, após exclusão inicial por títulos e resumos, 26 artigos foram selecionados de acordo com os critérios de elegibilidade.

Finalmente, após leitura na íntegra, 22 artigos foram incluídos. O fluxograma da pesquisa pode ser observado na figura 1, Os aspectos gerais dos 22 artigos selecionados podem ser verificados na tabela 2, O número de indivíduos nos estudos variou de no mínimo um participante (relatos de caso) até o máximo de 212 participantes.

A idade média dos indivíduos que participaram nas pesquisas variou de 13 a 70 anos. Quanto ao tipo de estudo, entre os 22 analisados, 13 eram relatos de casos, 20–23,28–34,36,38,39 5 estudos transversais, 15,19,26,35,37 um estudo experimental, 24 2 estudos observacionais, 26,35 um estudo de campo.25 Apesar de as revisões da literatura serem um critério de exclusão, 2 estudos 20,31 foram incluídos pois apresentavam mais de um tipo metodológico, eram relatos de caso que continham revisões de literatura na sua metodologia.

Diversas alterações orais causadas por uso abusivo de cocaína foram encontradas nos estudos: perfuração do palato, 20,22,26–29,31,33,34 desordens temporomandibulares (DTM), 25,33 bruxismo, 25,33 predisposição para doenças periodontais, principalmente a gengivite, 24–26,35 danos aos tecidos orais, 19,24 experiência de cárie, 24–26,33 lesões destrutivas da linha média facial, 21,23 xerostomia 19,33,39 e ageusia.24 Na maioria dos estudos o uso de cocaína foi feito de forma associada com outras drogas.

Em apenas 10 estudos o uso de cocaína foi descrito de forma isolada.22,23,27,29–31,33,34,36,38 Foram encontradas ainda alterações no tecido mole, 15,37 respostas inflamatórias, 15,19 aumento da queratinização do epitélio.15 Entre as formas de diagnóstico usadas pelos profissionais para a identificação das enfermidades orais, anamnese, 31,34 exames físicos intraorais, 20,22,23,25,29,32,33,35 tomografia computadorizada (TC) da região da cabeça e pescoço, 21–23,28,31–33 exames histopatológicos 19,32,38 e testes com sabor 24 foram as mencionadas.

No que tange aos tratamentos, alguns autores afirmaram que se deve levar em consideração a manifestação oral que o paciente apresenta e a partir dela determinar qual a melhor forma de tratamento que pode ser feita. Em pacientes que apresentam perfuração palatina, normalmente a reconstrução da área afetada é necessária e foi feita através de retalhos da mesma região palatal ou não, 20,21,23,27,34 uso do tecido adiposo da bola de Bichat 34 ou de obturadores protéticos, 20,21,27,29,32,33 reconstituição cirúrgica da linha média da face 23 ou ainda estimulantes salivares.19 Discussão Esta revisão integrativa abordou as alterações orais mais comumente encontradas nos indivíduos que fazem uso abusivo de cocaína.

Os estudos incluídos foram em sua maioria do tipo relatos de caso e estudos transversais. Os resultados demonstraram que os tipos mais frequentes de alterações orais foram perfuração do palato, 20,22,26–29,31,33,34 bruxismo, 25,33 doenças periodontais, 24–26,35 experiência de cárie.24–26,33 As principais estratégias usadas para exame e diagnóstico foram exames físicos intraorais 20,22,23,25,29,32,33,35 e TC.21–23,28,31–33 Apenas alguns autores mencionaram estratégias para reabilitar ou repor tecidos orais parcial ou completamente destruídos pelo uso da cocaína.20,21,23,27,34 No tocante às manifestações orais mais comuns é preciso considerar que devido à cocaína ter um alto poder vasoconstrictor, é possível que seu uso leve à isquemia em tecidos moles e duros da cavidade oral e consequentemente à necrose.20 Tal processo destrutivo pode causar úlcera ou perfuração no palato duro e mole e culmina numa comunicação oronasal e consequente voz nasalizada, 23,25,32 dificuldades ao comer e beber, 20,39 além de regurgitação nasal.20,22,27,29,31 Essas foram as principais motivações para levar o paciente a procurar ajuda profissional.

Contudo, alguns estudos mencionaram que parte dos usuários não permitiram essa identificação por permanecer na negação do uso das drogas, a fim de evitar a internação ou julgamentos.20,21 As perfurações podem acontecer durante o período abusivo da droga ou até mesmo após anos de sobriedade do indivíduo.

Para isso, é necessário que haja um processo inflamatório, por meio de infecções bacterianas, virais 40 ou fúngicas, que normalmente também estão associadas a perda do paladar.24 Além dessas, doenças inflamatórias associadas à doenças sistêmicas 21,30 ou agressões físicas ou químicas podem ser relacionadas a esse tipo de alteração.

No caso relatado por Dovigi e Natarajan, 28 um indivíduo que tinha uma grande perda óssea no palato e septo nasal advinda dos anos em que era usuário de cocaína, ao queimar o «céu da boca» teve o aparecimento de uma comunicação oronasal, que o impossibilitou de se alimentar confortavelmente, pois tudo invadia sua passagem nasal.

No que diz respeito às comunicações oronasais, a literatura aponta que elas podem ser pequenas de forma circunstancial, 20,28,31 extensas 23 ou também múltiplas.29,33,39 Por estar anatomicamente muito próximas da região do palato e ter uma vascularização cartilaginosa carente, é possível também serem comumente acompanhadas de perfurações e destruição do septo nasal.22,30–32 Além das consequências já mencionadas, pacientes viciados em cocaína podem apresentar também distúrbios musculares e, portanto, uma possível disfunção temporomandibular (DTM).33 Chaparro‐González 25 corrobora esse achado ao identificar que usuários de drogas como cocaína, metanfetamina e opiáceos sofrem de bruxismo, o que resulta em maior frequência de DTM.

Uma avaliação da presença de hábitos orais prejudiciais na amostra analisada mostra que 59,4% tinham bruxismo e 37,5% apresentavam onicofagia.25 A forma de uso da cocaína pode ser variável e a aplicação direta de cocaína na gengiva é uma delas. Esse tipo de aplicação é usado como um teste de pureza da substância e pode causar recessão gengival, ulceração e necrose.20,36 Em um estudo observacional revelou‐se que nenhum dos adictos tinha periodontite.

Entretanto, 28 dos 43 pacientes apresentavam alguma forma de doença gengival. Do total de acometidos, 5 apresentaram gengivite leve, 17 gengivite moderada e 6 gengivite com bolsa de acordo com o índice de Russel.35 A respeito das manifestações orais em dependentes químicos, a condição mais frequente em tecidos duros orais é uma alta prevalência de cárie, 25 devido ao fato de os usuários de droga negligenciavam sua higiene bucal.24,26 Foi observada uma redução significativa do fluxo salivar entre os usuários de cocaína, com relatos de xerostomia.19,33,39 Ademais, foram descritos casos de ageusias, quando comparados viciados e não usuários, houve uma perda em especial para os sabores doces, amargos e salgados, nos dependentes, indicou que o uso abusivo de cocaína traz alterações salivares e gustatórias, 24 devido ao dano causado a receptores gustativos, seja de forma direta ou por meio de processos secundários, produção e composição alterada da saliva e elementos da mucosa, mudanças no processamento de informações sensoriais relacionadas ao palato e córtex 24 e secura da mucosa oral.19,33,39 Para identificação das lesões do palato, o exame físico é o meio mais rápido e eficiente.25,29,35 Para planejamentos individuais, exames bidimensionais não devem ser a única forma de diagnóstico, o uso de imagens tridimensionais se faz essencial, uma vez que os pontos de referências, linhas e planos facilitam uma melhor compreensão de casos de maior gravidade.41,42 Quando necessário, para comprovação da extensão das lesões e ter um melhor conhecimento de sua localização, TC de cabeça e pescoço pode ser requisitada, 20,22,23,32,33 para evidenciar as relações estruturais em profundidade, mostrar imagens do corpo humano de maneira individualizada, o que reduz a sobreposição de estruturas, obtém‐se uma imagem clara.43 Ainda nesse contexto, é importante ressaltar que uma boa anamnese pode direcionar melhor o profissional para um diagnóstico e tratamento mais assertivos.31,44 Como as lesões investigadas no presente estudo são associadas ao uso de substâncias ilícitas, por vezes o usuário/paciente pode negar o uso delas, 21 o que dificulta o diagnóstico e atrasa o início da terapêutica.

Além de tomografia, podem ser usados exames histopatológicos de biópsias incisionais dessas lesões, por meio das quais, muitas vezes, é possível notar a existência de características inflamatórias agudas, crônicas e necrosantes, 19,32 ou ainda sem características necrosantes.38 Tais exames podem ser de extrema importância no diagnóstico clínico, pois diferentes tipos de doenças causam lesões destrutivas na cavidade oral similares às lesões ocasionadas pelo uso de cocaína.31 A incidência de perfurações palatinas causadas pelo uso de cocaína tem probabilidade de aumentar, quando não tratadas.20 Defeitos mais extensos podem prejudicar diretamente funções como fala e mastigação.

Entretanto, próteses obturadoras podem minimizar esses problemas por ser uma forma conservadora e não invasiva de tratamento.20 Outra terapia possível é a de natureza cirúrgica.20,21,23,27,34 Contudo, observa‐se que o tratamento com próteses obturadoras como medida paliativa e menos invasiva torna‐se suficiente.28,33,39 Em casos específicos de lesão destrutiva de linha média de face, causadas pelo abuso de cocaína, 23 são recomendados procedimentos cirúrgicos de reconstrução.

Essa reconstrução cirúrgica pode ser especialmente indicada quando o defeito é no palato mole.27 Em casos onde há comprometimento dos tecidos do palato duro e palato mole, existe uma opção na qual ocorre a remoção dessas estruturas e posterior substituição por uma prótese, parte dela de acrílico para palato duro e a outra feita de um material de revestimento resistente e maleável para ficar no local do palato mole.29 Outra opção é o uso da técnica cirúrgica de osteotomia Le Fort I e o uso do retalho do corpo de Bichat bilateral, o qual constitui um método eficaz para a correção de comunicações oronasais de pequeno e médio porte, apresenta fácil execução, com mínimo impacto na aparência estética do paciente.34 Nesse sentido, esse procedimento é uma opção eficaz para pacientes jovens e idosos, garante uma excelente abordagem intraoral, além de um ótimo resultado estético.

O presente estudo apresenta limitações que devem ser consideradas, como: os estudos usados para construção desse artigo podem não representar a população em geral, 15,19 tinham uma amostra pequena, 26,37 dificuldade de localizar os usuários exclusivos de uma única droga.37 No estudo de Cury, 26 um erro amostral de 5% foi encontrado e nenhum fator de correção foi usado, os homens viciados em cocaína foram menos cooperativos durante o exame oral e também existiu a possibilidade de viés na resposta dos questionários aplicados aos participantes.

Conclusão Inúmeras manifestações bucais causadas por uso abusivo de cocaína foram encontradas. As principais: perfuração do palato, predisposição para doenças periodontais, danos aos tecidos orais e cárie dentária. Para o diagnóstico, foram feitas diferentes abordagens, as quais refletiam diretamente no tratamento.

Dessa forma, torna‐se necessário que os profissionais da saúde sejam capazes de reconhecer tais alterações e manifestações para que sejam feitos diagnósticos e planejamentos de tratamentos precisos e assertivos. Um programa de saúde pública voltado para o diagnóstico precoce e tratamento de lesões decorrentes do uso abusivo é vital para melhorar o estado de saúde bucal de indivíduos que fazem uso abusivo cocaína.

Conflitos de interesse Os autores declaram não haver conflitos de interesse. Referências P.C. Gigena, L.S. Cornejo, A. Lescano-de-Ferrer. Oral health in drug addict adolescents and non psychoactive substance users. Acta Odontol Latinoam., 28 (2015), pp.48-57 G.M.

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Oral changes in cocaine abusers: an integrative review. Braz J Otorhinolaryngol.2022;88:633–41. A revisão por pares é da responsabilidade da Associac¸ão Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico‐Facial. Copyright © 2021. Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial

O que a cocaína faz no estômago?

Colite isquêmica induzida por cocaína

  • IMAGEM EM MEDICINA
  • Colite isquêmica induzida por cocaína
  • Jarbas Faraco Maldonado Loureiro I ; Roberto Mansur II ; Paulo Alberto Falco Pires Correa III ; Juliana Marques Drigo IV ; Carolina Viana Teixeira IV ; Cláudio Rogério Solak IV ; Elias Jirjoss Ilias V
  • I Médico do Serviço de Endoscopia do Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, SP, Brasil
  • II Cirurgião do Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, SP, Brasil
  • III Médico do Serviço de Endoscopia e Cirurgião do Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, SP, Brasil
  • IV Médicos Residentes do Serviço de Endoscopia do Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, SP, Brasil
  • V Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, São Paulo, SP, Brasil
  • INTRODUÇÃO

A colite isquêmica em adultos jovens é um fenômeno incomum. Dentre as etiologias não oclusivas, o uso de cocaína pode ser citado como causador desse tipo de lesão, já que é demonstrado que essa droga pode ocasionar alterações cardiovasculares, como infarto do miocárdio, arritmias e eventos cerebrovasculares, independentemente da via de consumo.

  1. As consequências gastrointestinais do uso de cocaína são pouco frequentes; porém, quando ocorrem, podem se manifestar como úlceras gastroduodenais, infarto mesentérico e isquemia intestinal.
  2. Os mecanismos propostos são multifatoriais e incluem toxicidade direta da mucosa intestinal, vasoconstrição mesentérica e alteração da agregação plaquetária, os quais geram isquemia focal.

O quadro clínico associado ao uso da droga geralmente é evidente entre 24 e 72 horas de uso consecutivo. O processo inflamatório e a isquemia são mais frequentes no cólon distal 1,2,

  1. OBJETIVO
  2. Relatar um caso de colite isquêmica em homem adulto jovem, usuário de cocaína, que se apresentou com dor abdominal e hematoquezia.
  3. RELATO DO CASO

Homem, 43 anos, com dor abdominal difusa, sem sinais de irritação peritoneal, com antecedente de uso prolongado e recente de grande quantidade de cocaína inalatória. Submetido a TC abdominal sem alterações. Melhora insuficiente com analgésicos, evoluindo com hematoquezia e discreta leucocitose após uma semana.

Realizada colonoscopia que revelou úlceras lineares e irregulares, edema e enantema no cólon sigmoide (). A biópsia evidenciou colite crônica com raros capilares ectásicos superficiais, não afastando colite isquêmica. A propedêutica cardiológica com ecocardiograma e cintilografia não mostrou alterações.

Observou-se melhora com tratamento clínico. Controle colonoscópico foi realizado após quatro meses de suporte clínico e suspensão do uso da droga, quando se evidenciou regressão total das alterações endoscópicas prévias (). DISCUSSÃO As complicações isquêmicas intestinais associadas ao uso de cocaína são raras.

  • Estariam explicadas pela atividade vasoconstritora da droga, a qual depende de sua capacidade de manter a estimulação alfa-adrenérgica intestinal inibindo a recaptação de dopamina e noradrenalina na membrana pré-sináptica.
  • Além disso, com o uso da cocaína há também um aumento no influxo de cálcio na membrana endotelial.

Ambos os mecanismos ocasionam vasoconstrição e consequente diminuição do aporte sanguíneo. É demonstrado que a cocaína aumenta a agregação plaquetária e a formação de trombos por meio do aumento de tromboxano A2 e diminuição de eicosanoides. Estudos em coronárias colocam em evidência o dano endotelial direto, assim como outros estudos em animais demonstram dano direto sobre a mucosa intestinal.

  • Na revisão de literatura observa-se que os casos de colite isquêmica secundária ao uso de cocaína independem da forma de administração da droga (endovenosa ou inalatória) e, em geral, os pacientes são consumidores frequentes e em quantidades representativas.
  • Na grande maioria dos casos, o quadro clínico se iniciou com dor abdominal e sangramento digestivo baixo.

Nos casos em que a endoscopia digestiva alta foi realizada previamente à colonoscopia, algumas alterações endoscópicas foram notadas, como edema da mucosa gástrica, enantema difuso, ulcerações e hemorragias subepiteliais 1,2, CONCLUSÃO Em pacientes com história clínica de dor abdominal, hematoquezia e uso de cocaína, deve-se considerar a hipótese de colite isquêmica, mesmo sem evidências clínicas de alterações cardíacas ou neurológicas.

Quais doenças a cocaína pode causar?

Os malefícios se tornam ainda mais sérios, como a destruição dos neurônios, lesões no fígado, como câncer hepático, grande chance de infarto, esquizofrenia, mau funcionamento dos rins e dos nervos, doenças psíquicas e muito mais.

Como limpar o nariz depois de ter cheirado?

O que é bom para nariz escorrendo remédio caseiro? – Existem algumas evidências científicas limitadas que sugerem que alguns remédios caseiros podem ajudar a aliviar os sintomas de nariz escorrendo. No entanto, é importante lembrar que esses remédios não são um substituto para o tratamento médico adequado e podem não ser eficazes em todos os casos.

Inalação de vapor: A inalação de vapor pode ajudar a aliviar os sintomas de nariz escorrendo, pois ajuda a soltar as secreções nasais e reduzir a inflamação. Um estudo de 2013 publicado no International Journal of Pediatrics descobriu que a inalação de vapor pode ajudar a melhorar os sintomas de resfriado em crianças. No entanto, é importante lembrar que a inalação de vapor pode não ser segura para todas as pessoas, especialmente aquelas com problemas respiratórios subjacentes. Soro fisiológico: O uso de solução salina para lavar o nariz pode ajudar a limpar as secreções nasais e reduzir a inflamação. Um estudo de 2008 publicado no Archives of Otolaryngology-Head & Neck Surgery descobriu que o uso de solução salina para lavar o nariz pode ajudar a aliviar os sintomas de rinite alérgica. É importante lembrar que a solução salina deve ser preparada corretamente e aplicada com segurança para evitar complicações.

Conclusão Embora existam algumas evidências científicas limitadas que sugerem que alguns remédios caseiros podem ajudar a aliviar os sintomas de nariz escorrendo, é importante lembrar que esses remédios não são um substituto para o tratamento médico adequado e podem não ser eficazes em todos os casos. Se você está sofrendo de nariz escorrendo persistente

Por que a cocaína entope o nariz?

Especialistas recomendam evitar a inalação em altas temperaturas e indicam a busca por apoio psicológico e médico. A inalação de drogas como cocaína e crack provocam efeitos de gravidade variada no nariz, a depender da quantidade de droga consumida. As substâncias podem causar sangramento, vermelhidão, secreção e constrição dos vasos sanguíneos; e também podem tornar a região mais suscetível a infecções, necrose dos tecidos e perda de estruturas anatômicas como o septo nasal.

Por isso, o tratamento dos pacientes deve conciliar a melhora funcional e estética do nariz e, em simultâneo, abranger questões psicológicas que motivam o consumo de drogas. É o que recomenda a otorrinolaringologista Luthiana Frick Carpes. «A cocaína representa uma agressão à mucosa do órgão. Naturalmente, temos camadas protetoras e a substância agressiva destrói os cílios – que servem para filtrar germes, bactérias e partículas indesejáveis», informa.

A médica relembra um caso bastante delicado em sua carreira. Em 2007, uma paciente de 34 anos foi internada em Porto Alegre (RS), com lesões gravíssimas no nariz. Ela foi atendida pela profissional devido à destruição do septo nasal e outras estruturas anatômicas que, inicialmente, não foram relacionadas ao uso de cocaína.

  • A paciente omitiu o uso da substância, então levou um tempo para o diagnóstico.
  • Realizamos até exames complexos como a biópsia da lesão a fim de verificar se não havia doenças relacionadas», relembra a médica.
  • Após a confirmação do uso da substância, a paciente foi encaminhada à equipe de cirurgia plástica do hospital para a realização de cirurgias reconstrutivas com a utilização de retalhos de cartilagem.

Ela também recebeu apoio do serviço de psiquiatria para orientá-la sobre a adição. «A cocaína diminui o aporte de sangue nos vasos sanguíneos e, quando isso acontece, os tecidos que estão sendo alimentados pelo vaso são prejudicados, e podem até morrer», explica a otorrinolaringologista.

Qual é o efeito da droga na boca?

Sintomas De Quem Cheira P O uso de drogas, mais do que causar dependência, agride de forma drástica a saúde, principalmente a saúde bucal. O consumo de qualquer droga afeta de forma imediata a integridade dos dentes e pode até provocar câncer de boca. A dentista Sara Regina Ribeiro levou estas informações para os participantes do Grupo de Acompanhamento, Informação e Educação do Núcleo Psicossocial (Nups) do Juizado Especial Criminal Unificado (Jecrim) de Cuiabá. Sintomas De Quem Cheira P Embora algumas drogas sejam mais agressivas do que outras, todas são prejudiciais à saúde quando usadas regularmente, até porque o hábito interfere na manutenção da higiene pessoal. Existem malefícios comuns a diversas substâncias, como a diminuição do fluxo salivar, que é um efeito típico da cocaína, do crack, da maconha e do ecstasy.

  1. O ressecamento dificulta a limpeza da cavidade oral, gerando mau hálito, acúmulo de placa bacteriana e infecções.
  2. Por serem drogas que induzem ao consumo de doces, a maconha e o ecstasy potencializam o surgimento de cáries, e a última piora o desgaste dos dentes por causar bruxismo (mania de ranger os dentes) e apertamento da mandíbula.

Os participantes do grupo, cerca de 30 jovens, ouviram atentos as informações da dentista. Muitos não tinham nem noção do que a droga pode causar à saúde bucal. Eles confirmam que o acesso à informação é um mecanismo eficiente de combate ao consumo de drogas.

  1. A participação dos usuários no Grupo de Acompanhamento é uma previsão da Lei de Drogas (lei 11.343/2016), que no art.28 determina como pena aos usuários a aplicação de medidas educativas.
  2. Mais do que aplicar a lei, o Grupo de Acompanhamento do Nups quer estender a mão a essas pessoas que necessitam de ajuda.

Mário de Araújo relatou a sua trajetória pelo mundo das drogas. Foram 27 anos mergulhados no submundo da dependência química até que conseguiu sair. Passou 22 anos «limpo», mas teve uma recaída e agora tenta novamente se reerguer. Diz que está há mais de sete meses sem usar drogas. Sintomas De Quem Cheira P A psicóloga do Nups, Vera Camargo, confirma a informação de Mário e diz que sem apoio e sem incentivo é muito difícil que um dependente consiga abandonar o vício. Ela explica que os melhores resultados são conseguidos com pessoas que ainda estão no início, com índice de recuperação próximo a 50%.

O que fazer para parar de cheirar cocaína?

Tratamento da dependência de cocaína – Apesar de não ter cura, a dependência da cocaína pode ser tratada. Isso significa que a pessoa consegue ficar sem usar a droga, mas precisa se manter em abstinência pelo resto da vida, caso contrário os sintomas da dependência voltam.

O tratamento geralmente é feito combinando o uso de medicamentos com psicoterapia, especialmente a psicoterapia cognitivo-comportamental. Não existe um medicamento específico para a dependência da cocaína, mas alguns medicamentos psiquiátricos, como antidepressivos e ansiolíticos, ajudam a controlar o vício.

A terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a pessoa a lidar com gatilhos e com a «fissura» (vontade incontrolável de usar a substância) ao invés de recorrer à droga. O paciente também pode aprender técnicas para amenizar o estresse, que também costuma ser um gatilho.

Quanto tempo leva para sair do corpo a cocaína?

Cocaína. Pode ser encontrada no organismo até 2 dias no sangue, 4 dias pelo exame de urina, 90 dias pelo de cabelo e até 180 dias em pelos do corpo e raspas de unha.

Como fica as mãos de um usuário de drogas?

Tecnociência – Usuários de cocaína podem ficar com cicatrizes nas mãos em razão das injeções constantes. Fumantes de crack apresentam lesões nas palmas das mãos e dos dedos devido às queimaduras deixadas pelo cachimbo em que consomem a droga. Consumidores de heroína podem ficar com manchas escuras na língua.

Porque a cocaína da dor de barriga?

IMAGEM EM MEDICINA Colite isquêmica induzida por cocaína Jarbas Faraco Maldonado Loureiro I ; Roberto Mansur II ; Paulo Alberto Falco Pires Correa III ; Juliana Marques Drigo IV ; Carolina Viana Teixeira IV ; Cláudio Rogério Solak IV ; Elias Jirjoss Ilias V I Médico do Serviço de Endoscopia do Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, SP, Brasil II Cirurgião do Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, SP, Brasil III Médico do Serviço de Endoscopia e Cirurgião do Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, SP, Brasil IV Médicos Residentes do Serviço de Endoscopia do Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, SP, Brasil V Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, São Paulo, SP, Brasil INTRODUÇÃO A colite isquêmica em adultos jovens é um fenômeno incomum.

  • Dentre as etiologias não oclusivas, o uso de cocaína pode ser citado como causador desse tipo de lesão, já que é demonstrado que essa droga pode ocasionar alterações cardiovasculares, como infarto do miocárdio, arritmias e eventos cerebrovasculares, independentemente da via de consumo.
  • As consequências gastrointestinais do uso de cocaína são pouco frequentes; porém, quando ocorrem, podem se manifestar como úlceras gastroduodenais, infarto mesentérico e isquemia intestinal.

Os mecanismos propostos são multifatoriais e incluem toxicidade direta da mucosa intestinal, vasoconstrição mesentérica e alteração da agregação plaquetária, os quais geram isquemia focal. O quadro clínico associado ao uso da droga geralmente é evidente entre 24 e 72 horas de uso consecutivo.

  • O processo inflamatório e a isquemia são mais frequentes no cólon distal 1,2,
  • OBJETIVO Relatar um caso de colite isquêmica em homem adulto jovem, usuário de cocaína, que se apresentou com dor abdominal e hematoquezia.
  • RELATO DO CASO Homem, 43 anos, com dor abdominal difusa, sem sinais de irritação peritoneal, com antecedente de uso prolongado e recente de grande quantidade de cocaína inalatória.

Submetido a TC abdominal sem alterações. Melhora insuficiente com analgésicos, evoluindo com hematoquezia e discreta leucocitose após uma semana. Realizada colonoscopia que revelou úlceras lineares e irregulares, edema e enantema no cólon sigmoide ( Figura 1 ).

  1. A biópsia evidenciou colite crônica com raros capilares ectásicos superficiais, não afastando colite isquêmica.
  2. A propedêutica cardiológica com ecocardiograma e cintilografia não mostrou alterações.
  3. Observou-se melhora com tratamento clínico.
  4. Controle colonoscópico foi realizado após quatro meses de suporte clínico e suspensão do uso da droga, quando se evidenciou regressão total das alterações endoscópicas prévias ( Figura 2 ).

DISCUSSÃO As complicações isquêmicas intestinais associadas ao uso de cocaína são raras. Estariam explicadas pela atividade vasoconstritora da droga, a qual depende de sua capacidade de manter a estimulação alfa-adrenérgica intestinal inibindo a recaptação de dopamina e noradrenalina na membrana pré-sináptica.

  • Além disso, com o uso da cocaína há também um aumento no influxo de cálcio na membrana endotelial.
  • Ambos os mecanismos ocasionam vasoconstrição e consequente diminuição do aporte sanguíneo.
  • É demonstrado que a cocaína aumenta a agregação plaquetária e a formação de trombos por meio do aumento de tromboxano A2 e diminuição de eicosanoides.

Estudos em coronárias colocam em evidência o dano endotelial direto, assim como outros estudos em animais demonstram dano direto sobre a mucosa intestinal. Na revisão de literatura observa-se que os casos de colite isquêmica secundária ao uso de cocaína independem da forma de administração da droga (endovenosa ou inalatória) e, em geral, os pacientes são consumidores frequentes e em quantidades representativas.

Na grande maioria dos casos, o quadro clínico se iniciou com dor abdominal e sangramento digestivo baixo. Nos casos em que a endoscopia digestiva alta foi realizada previamente à colonoscopia, algumas alterações endoscópicas foram notadas, como edema da mucosa gástrica, enantema difuso, ulcerações e hemorragias subepiteliais 1,2,

CONCLUSÃO Em pacientes com história clínica de dor abdominal, hematoquezia e uso de cocaína, deve-se considerar a hipótese de colite isquêmica, mesmo sem evidências clínicas de alterações cardíacas ou neurológicas.

Qual droga provoca tosse?

Cocaína e o Broncoespasmo – Saber qual droga causa tosse é um tanto quanto genérico. Isso porque todas as drogas podem levar a um quadro de tosse intensa. Todas as drogas são substâncias tóxicas e como tais afetam diretamente o sistema respiratório. Entretanto, há drogas que são mais tóxicas que outras.

  1. É o caso da cocaína, considerada a droga com maior poder de toxicidade e maior potencial de dependência química também.
  2. A cocaína leva rapidamente a um forte quadro de tosse.
  3. Da tosse forte, a cocaína desenvolve o Broncoespasmo, que é uma condição clínica caracterizada pela contração dos brônquios provocando tosses graves, dificuldades respiratórias e sibilos pulmonares.

O Broncoespasmo tem início logo no primeiro momento de uso da cocaína. O Broncoespasmo se inicia 3 minutos após a primeira inalação da droga podendo ter duração de até 15 minutos. O quadro clínico é bastante comum em quem faz uso de drogas.

Qual é a droga que deixa a pessoa agressiva?

A complexidade das relações entre drogas, álcool e violência ARTIGO ARTICLE Maria Cecília de Souza Minayo 1 Suely Ferreira Deslandes 2 A complexidade das relações entre drogas, álcool e violência The complexity of relations between drugs, alcohol, and violence 1 Vice-Presidência de Ambiente, Comunicação e Informação, Fundação Oswaldo Cruz.

Av. Brasil 4.365, Rio de Janeiro, RJ 21045-900, Brasil.2 Instituto Fernades Figueiras, Fundação Oswaldo Cruz. Av. Rui Barbosa 716, 5 o andar, Rio de Janeiro, RJ 22250-020, Brasil. Abstract This article discuss the complex relations between drugs and violence. Drawing on empirical studies and current forms of discourse, it analyzes conceptual and methodological problems related to the establishment of causal nexuses, risks, and associations.

By demonstrating the theoretical and practical difficulties in such associations, it also points to the need for a debate in the field of public health and social policies. The article expresses concern that programs and prevention not be contaminated by fallacies, contributing nothing to an understanding of (or action related to) the social issue of drugs.

  1. Ey words Street Drugs; Alcohol Drinking; Violence; Public Health; Sociology Resumo Este artigo discute as complexas relações existentes entre drogas e violência.
  2. Valendo-se de alguns estudos com base empírica e dos discursos correntes, analisa os problemas conceituais e metodológicos relacionados ao estabelecimento de nexos causais, riscos e associações.

Ao demonstrar as dificuldades teóricas e práticas destas delimitações, aponta também para um debate necessário no campo da saúde pública e das políticas sociais. Preocupa-se com que as intervenções e a prevenção não se contaminem por falácias, que em nada ajudam a compreensão e a ação relativas à problemática social das drogas.

Palavras-chave Drogas Ilícitas; Consumo de Bebidas Alcoólicas; Violência; Saúde Pública; Sociologia Introdução Neste artigo, buscaremos levantar questões metodológicas para a investigação, a prevenção e a intervenção da saúde pública na articulação entre drogas e violência. Trata-se de uma articulação complexa, pouco analisada, cujos únicos parâmetros para afirmações, na atualidade, são apenas os de associação empírica.

E é com base em alguns dados empíricos que levantaremos os problemas interpretativos diante desse tema desafiador para cientistas sociais, politicólogos, criminólogos e cidadãos militantes. Como a maioria dos estudiosos, consideramos que há muita mistificação em torno da questão das drogas, exercendo ao mesmo tempo fascínio e provocando medo.

Isso fica evidente em vários trabalhos, como os de Bastos (1995); Garcia (1996); Musa (1996) e outros que mostram os efeitos paradoxais das drogas, capazes de proporcionar desde êxtases prazerosos a estados de depressão, de viabilizar a inserção em grupos sociais e de conduzir a situações de exclusão social.

Neste trabalho, partimos de alguns pressupostos que consideramos importantes para discutirmos a questão. Assim, iniciamos nossa reflexão alertando para a necessidade de se considerar: a) a diferença entre dependência e uso recreacional e ocasional; (b) o erro de apontar o usuário como um dependente potencial; (c) as diferenças entre os vários tipos de drogas e os danos que provocam, como é o caso da maconha, cocaína, cocaína injetável, heroína, crack e outras; (d) o entendimento do uso de drogas como um fenômeno histórico-cultural com implicações médicas, políticas, religiosas e econômicas; (e) a distinção entre drogas legais e ilegais e o aparecimento de substâncias sintéticas.

Da mesma forma, no contexto da saúde, sabe-se que a violência social, em virtude de suas conseqüências, enquadra-se na categoria Causas Externas (códigos: E-800 a E-999 na 9 a Revisão e V01 a Y98 na 10 a Revisão), no sistema de Classificação Internacional das Doenças (CID); tal categoria abrange uma longa lista de eventos que podem ser resumidos como homicídios, suicídios e acidentes em geral.

Compreende-se que essa classificação nem de longe consegue dar conta da dimensão e complexidade da violência, um fenômeno polissêmico, de explicação contraditória, mas permite trabalhar com indicadores capazes de informar e subsidiar ações políticas e sociais.

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Em relação ao tema das interações entre violência e drogas, neste trabalho apresentamos: (a) alguns dados empíricos; (b) discussão atual sobre mudanças resultantes do uso dessas substâncias nas funções cognitivas, nos estados emocionais, nas alterações hormonais e fisiológicas que podem motivar a violência; (c) discussão do mercado de drogas ilegais e o aumento da violência; (d) problemas interpretativos e de método de investigação.

Alguns dados empíricos Os primeiros dados apresentados foram retirados de uma pesquisa ainda inédita (Deslandes, 1997) do Centro Latino-Americano de Estudos sobre Violência e Saúde ­ Jorge Careli (Claves/Ensp/Fiocruz), realizada nos Hospitais Miguel Couto (HMMC) e Salgado Filho (HMSF), a qual teve como um dos objetivos caracterizar o peso da violência no atendimento da emergência hospitalar.

  • Em vista da pergunta feita ao paciente ou socorrista: » O evento (violento) envolveu o uso de drogas? «, os dados permitiram vislumbrar que: dos 2.736 atendimentos por todas as causas externas realizados em maio de 1996 no Miguel Couto, 343 (13%) envolveram o uso de drogas.
  • No Salgado Filho, de 2.192 atendimentos ocorridos em junho de 1996, 295 (12,6%) tiveram alguma droga relacionada à sua ocorrência.

Nos casos em que foi identificado o consumo de algum tipo de droga, o álcool configurou-se como o mais freqüentemente consumido: 88% (HMSF) e 90,7% (HMMC). O consumo de álcool associado com outras drogas (cocaína, maconha e outros) foi declarado em 3,2% dos casos no Miguel Couto e em 0,7% dos casos no Salgado Filho.

  1. Das 176 agressões atendidas no HMMC, 33% envolveram o uso de drogas; no HMSF, das 188 agressões, 37% tiveram essa relação.
  2. Tais dados apontam para o fato de que uma em cada três agressões envolveu o consumo de drogas.
  3. Nos casos de acidentes de trânsito (colisões e outros acidentes entre veículos automotores), situações em que são precárias as informações sobre a questão, 149 (HMMC) e 143 (HMSF), 40,5% e 33% respectivamente, envolveram o uso de drogas.

Quanto aos atropelamentos, dos 158 atendidos no Miguel Couto, em 22,8% houve a presença do consumo de alguma droga, o mesmo ocorrendo com os 143 (16,4%) socorridos no Salgado Filho. Obviamente, os dados aqui expostos devem ser relativizados. Correspondem a uma forma de expressão (emergência hospitalar) e a apenas um mês de rotina.

  1. Cherpitel (1993, 1994), em revisão bibliográfica, cita diferentes estudos em emergências hospitalares americanas os quais comprovam que, das vítimas de agressão, 43% a 51% delas tinham o teste de Blood Alcohol Concentration (BAC) positivo.
  2. O autor também elenca 11 estudos que compararam grupos de pacientes atendidos por evento violento com grupos atendidos por outros motivos.

Os resultados indicam que as vítimas de violências têm probabilidade de duas a cinco vezes maior de terem o teste de BAC positivo do que as vítimas de outras causas. McGinnis & Foege (1993) citam estudos onde se comprova que 40% a 50% das mortes ocorridas por acidentes de trânsito nos EEUU em 1990 tiveram o álcool como fator associado.

Ampliando o espectro microrregional, estudos de Yunes & Rajs (1994) mostram que, na América Latina, a prevalência do consumo de cocaína varia de 1,4% a 6,7% na população de 12 a 45 anos. Além disso, entre grupos socialmente marginalizados, o consumo de inalantes é de 3% a 4%. Andrade (1995) cita pesquisa feita em 1993 com estudantes de dez capitais brasileiras, a qual aponta que 17,8% destes jovens reconheciam ter consumido drogas ilegais ou psicotrópicos ao menos uma vez na vida.

Contudo, uma única experiência não conduz ao abuso, o uso de drogas é socialmente aprendido e grupalmente mediado (Becker, 1990). Todos esses dados, porém, exigem aprofundamento específico e diferenciado para serem mais bem compreendidos. Drogas e mudanças bio-psico-sociais que possibilitam a violência: por um enfoque mais amplo das condutas individuais As observações teóricas que seguem têm como referencial os trabalhos de Fagan (1990, 1993) e de Goldstein (1985, 1989), ambos preocupados com o fenômeno em pauta, sua conceitualização e prevenção.

Enquanto os especialistas concordam que drogas e álcool freqüentemente têm papel importante nas atividades violentas (OPAS, 1993, 1994; Yunes & Rajs, 1994), seu papel específico não está claro, ou seja, é difícil de se determinar com precisão: (a) o nexo causal entre essas substâncias e atos violentos; (b) o status legal das drogas e as complicações envolvendo tráfico e leis que o reprimem; (c) as influências do meio e as características individuais dos usuários de drogas e álcool; (d) a prevalência e as correlações precisas entre violência e uso dessas substâncias.

Este estudos mostram como é bastante complexa a construção de paradigmas para investigação nessa área. Em relação ao primeiro ponto de discussão, vários estudiosos têm concluído que o álcool é a substância mais ligada às mudanças de comportamento provocadas por efeitos psicofarmacológicos que têm como resultante a violência.

E isso, pelo menos provisoriamente, pode ser depreendido dos dados apresentados acima. Estudos experimentais (Fagan, 1990, 1993) mostram que o abuso de álcool pode ser responsável pelo aumento da agressividade entre os usuários. Há evidências também de que a cocaína, os barbitúricos, as anfetaminas e os esteróides têm propriedades que podem motivar atitudes, comportamentos e ações violentas.

Por exemplo, os usuários de cocaína têm problemas de supressão de atividades neurotransmissoras, podendo ser vítimas de depressão, paranóia e irritabilidade (Goldstein, 1989; Musa, 1996). Fatores como peso corporal, tipo de metabolismo, processos neuroendócrinos e neuroanatômicos produzem diferenças individuais no uso de drogas e mudança de comportamento.

No entanto, apesar de evidências empíricas, há muita incerteza quanto às explicações causais. Uma questão que não está suficientemente explicada é se a presença de álcool ou drogas nos eventos violentos permite inferir que elas tenham afetado o comportamento das pessoas envolvidas. Noutras palavras, não é possível saber se essas pessoas em estado de abstinência não teriam cometido as mesmas transgressões.

Outra questão é o não-discernimento entre o uso de drogas como um fator que, associado a outros, desencadeia comportamentos violentos e o uso de drogas como fator causador, porque, na verdade apenas o que nos é possível inferir é a alta proporção de atos violentos quando o álcool ou as drogas estão presentes entre os agressores e vítimas, ou em ambas as partes.

Uma terceira questão vem do fato de que enquanto o álcool e as drogas podem ser causa de, resposta a, ou mediadores de uma diversidade de comportamentos sociais violentos, pouco se sabe das contribuições dessas substâncias na vitimização. Por exemplo, os usuários dependentes, uma vez que estão sob condições sociais de estigmatização, podem acabar por desenvolver comportamentos mais agressivos (Boyum & Kleiman, 1995).

Por outro lado, quase todas as pesquisas enfatizam o agressor e não a vítima. Poucos estudos analisam o envolvimento com álcool ou drogas por parte das vítimas. Wolfang (l958), num estudo sobre o perfil dos homicídios nos EEUU, cunhou uma expressão «vítima precipitante» para caracterizar a situação em que a vítima provocou primeiro o agressor; o autor notou que, em tais casos, encontrou-se grande quantidade de álcool no sangue delas.

Outros pesquisadores, como Coid (1986), mostram que o álcool altera a percepção das interações sociais, aumentando os riscos de desentendimentos para os participantes nessa situação. A questão causal torna-se ainda mais complexa quando se trata de relações de gênero. Por exemplo, Collins & Messerschimdt (1993), numa pesquisa sobre o assunto, concluíram que as mulheres vítimas de homicídios usavam menos drogas e álcool do que os homens.

O uso de álcool pelo homem (e não de drogas em geral) apresentou-se como um significativo fator de risco para a violência entre marido e mulher, contudo o uso por mulheres não foi detectado como um fator de risco nas relações de violência entre parceiros.

  1. Por outro lado, o uso de drogas ou álcool pela vítima não apareceu como um fator de risco para a violência sexual, nem dos homens em relação às mulheres, ou vice-versa.
  2. Da mesma forma, as baixas taxas de participação das mulheres em roubo e outros comportamentos violentos não podem ser explicadas apenas por diferenças de gênero ou menor ingesta de álcool e drogas.

Outro ponto a considerar é que a variabilidade dos efeitos provocados por cada tipo de substância sugerem a contribuição de fatores sócio-culturais e de personalidade. A violência tem mais chances de ser exercida em determinados segmentos, locais e situações específicos, sob condições específicas.

  • Alguns bares têm mais brigas que outros, algumas comunidades e até alguns casais com mesmo padrão de uso de álcool ou drogas são mais violentos que outros, assim como as pessoas com um mesmo grau de intoxicação têm respostas emocionais diferentes.
  • Essas complexidades sugerem que a violência interpessoal que ocorre sob o efeito de substâncias é contextualizada, ou seja, acontece em locais específicos, sob normas e regras específicas de determinados grupos e diante de expectativas que alimentam e são alimentadas dentro desses grupos.

Para encontrar nexo causal entre determinadas substâncias e violência seria necessário saber se os comportamentos e atitudes violentas ocorreriam ou não no interior desses segmentos, caso a droga e o álcool não estivessem presentes. As evidências empíricas sugerem que drogas ilícitas e álcool desempenham importante papel nos contextos onde são usados, porém sua importância fica em grande medida dependente de fatores individuais, sociais e culturais.

Drogas ilegais, mercado e violência Embora todas as evidências empíricas revelem que é o álcool a substância mais significativa na articulação com várias formas de violência, seu status de legalidade torna-o socialmente aceito e largamente consumido, ainda que se tente regular seu uso. Tal questão revela a inconsistência da definição de ‘droga’ e como tal, o conceito é historicamente datado e apoiado em valores discutíveis (McRae, 1994).

Vale lembrar que, nas situações históricas em que o uso do álcool foi proibido, a maioria das condições de estigmatização e violência também estiveram presentes nas relações de seu mercado ilegal. Uma das mais costumeiras associações entre drogas e violência num contexto de mercado ilegal é a chamada ‘motivação econômica’ de usuários dependentes.

Nesses casos, o crime é visto como uma fonte de recursos para a compra de drogas, geralmente cocaína, crack e heroína. Contudo, estudo americano (Boyum & Kleiman, 1995) demonstra que, de todos os presidiários usuários freqüentes de cocaína e crack, somente 39% declararam ter cometido crime para a compra de droga, o que também pode ser uma espécie de defesa para minimizar a responsabilidade dos atos cometidos.

Percebe-se que a motivação econômica é uma explicação apenas parcial do complexo universo que constitui o mercado de drogas. O mais consistente e predizível vínculo entre violência e drogas se encontra no fenômeno do tráfico de drogas ilegais. Este tipo de mercado gera ações violentas entre vendedores e compradores sob uma quantidade enorme de pretextos e circunstâncias: roubo do dinheiro ou da própria droga, disputas em relação a sua qualidade ou quantidade, desacordo de preço, disputa de territórios, de tal forma que a violência se torna uma estratégia para disciplinar o mercado e os subordinados.

  • O narcotráfico potencializa e torna mais complexo o repertório das ações violentas: a delinqüência organizada; aquela agenciada pela polícia e pelas instituições de segurança do estado; a violência social dispersa; a promovida por grupos de extermínio e também a das gangs juvenis.
  • Na medida em que não há recursos legais para dirimir as disputas, a violência ou a ameaça de violência são mecanismos para reforçar as regras sociais de troca no mercado ilícito.

No Brasil, o crime organizado floresceu e se institucionalizou a partir da década de 80, espalhando o medo, aumentando as estatísticas de homicídios, e tornando-se uma verdadeira resposta social, como mercado de trabalho, sobretudo para os jovens pobres das periferias e favelas, sem expectativas de conseguir emprego formal, e que, então, na ilegalidade, buscam saciar seus sonhos de consumo, status e reconhecimento social.

Tomando-se um exemplo dos EEUU dos anos 20 e 30, sabe-se que a Máfia recrutava seus adeptos entre os jovens (homens) de 18 a 25 anos, crianças e imigrantes que viviam nos bairros pobres. Esse grupo de risco continuou a ser o preferido pelos narcotraficantes nas duas últimas décadas. Jovens, pobres de favelas e periferias urbanas, tornaram-se força de trabalho preferencial para o tráfico e, uma vez integrados neste mercado, participam de uma série de relações de reciprocidade social onde favores recebidos e retribuídos são regidos por rígido controle do grupo, a ponto de tornar-se quase impossível a saída espontânea de um membro (Zaluar, 1993).

Este grupo é selecionado dentro de um contexto em si violento, com promessas de ganhos fáceis e imediatos, numa situação de escassez de opções do mercado formal. Desta forma, ao mesmo tempo em que a situação de violência e drogas reflete a questão do status legal das substâncias, reflete também as chances e oportunidades que a economia formal deixa de oferecer, circunstância sob a qual o mercado das drogas floresce.

Por outro lado, o mercado formal apenas aparentemente não compartilha do comércio ilegal de drogas, pois é de domínio público o envolvimento, em redes nacionais e internacionais, de instituições políticas, financeiras e empresariais com o capital gerado e em circulação proveniente dessa peculiar fonte de riqueza.

O comércio ilegal também está muitas vezes ligado ao tráfico de armas, misturando-se constantemente a negócios oficiais de importação e exportação (Velho, 1994). O simples fato de ser legal o acesso ao álcool e ilegal em relação a outras drogas, torna difícil estabelecer os tipos de condições necessárias para isolar os efeitos das substâncias específicas ou de indivíduos e grupos específicos.

Por outro lado, como Sá (1994) revela, o Brasil adota uma política de criminalização de certas drogas, associando-se a visão jurídica (‘caso de polícia’) a uma perspectiva médico-psiquiátrica (‘doença mental’). Esta política se auto-reproduz ideologicamente (a imagem do uso de drogas como crime cria socialmente a figura do criminoso) e materialmente (o sistema produz uma realidade conforme a imagem da qual surge e a legitima).

O estudo de Bastos (1995) mapeia muito bem as dificuldades que a sociedade tem para refletir sem preconceitos a questão das drogas, para aceitar a lógica das comunidades dos usuários e entender seu significado na sociedade. Velho (1994) ressalta a importância de se estudarem os valores presentes nas subculturas ligadas ao uso de drogas ilícitas e enfatiza que estes laços e comportamentos unicamente se tornam anti-sociais e violentos num contexto de severa marginalização.

  • Zaluar (1993, 1994) ressalta o percurso dos jovens dependentes (sobretudo os mais pobres) que sofrem múltiplas exclusões: na família, escola, vizinhança, até finalmente serem perseguidos pela polícia como criminosos.
  • A autora alerta que a criminalização, enquanto tentativa de controlar o mercado pela lei, além de não ser medida eficaz, tornou este mercado imune a qualquer forma de controle exterior.

Neste processo, a prática de violências atrozes e incontroláveis medeiam e expressam estas relações, favorecendo um imaginário social do ‘mal absoluto’, fora da medida humana e de seu controle. Obstáculos para a interpretação Muitos eventos de bebedeira ou de uso de drogas não são suficientes para se concluir pela sua articulação direta com a violência.

  1. No entanto, o álcool está associado à perpetração de 50% de todos os homicídios, mais de 30% dos suicídios e tentativas de suicídio, e à grande maioria dos acidentes de trânsito, conforme dados da OPAS (1993).
  2. Enquanto, porém, muitos poderiam apressadamente concluir pela relação causal entre drogas e violência, as taxas de homicídios são bem baixas se comparadas com as de prevalência de uso de álcool ou drogas.

Isso nos desafia em dois sentidos. O primeiro é que, se em muitos eventos violentos, encontra-se alguma associação com o uso de drogas ou álcool, não se pode afirmar peremptoriamente que inevitavelmente isso aconteça ou que esta relação seja de causalidade.

  • Em segundo lugar, trata-se de uma falácia ecológica a idéia de que substâncias ilegais e pobreza, por exemplo, são responsáveis por eventos violentos.
  • Essa idéia parte de um determinismo biológico, social e econômico.
  • Por exemplo, se é verdade que existe uma relação entre altas taxas de violência e uso de drogas em determinados bairros pobres, há grandes diferenças de taxas entre bairros com a mesma situação sócio-econômica estrutural.

Desta forma, há necessidade de se reconhecer a complexidade do contexto social, da dinâmica das comunidades e das normas culturais historicamente construídas e dos fatores de personalidade e individualidade. No entanto, negar a linearidade das influências ecológicas não significa cair no outro extremo, que reconhece apenas as diferenças individuais como explicativas pelo abuso de substâncias e pela sua articulação com a violência.

  • A falácia individualista sugere que há conexão entre intoxicação por drogas e agressão física como resultado de personalidade, respostas endócrinas, neuroanatômicas ou outros fatores individuais.
  • Essa argumentação despreza o contexto estrutural, cultural e situacional.
  • Por exemplo, a literatura sobre violência doméstica, violência das gangs de jovens, mostra situações culturais problemáticas que o uso de drogas pode acirrar ou não, mas não as consegue explicar.

Há várias dificuldades em se medir a relação entre violência e drogas. A correlação entre uso de substância e violência varia se nós buscamos medir comportamentos ou efeitos. A correlação de freqüência entre drogas e violência doméstica varia se medirmos eventos graves ou freqüência de agravos.

  1. Do ponto de vista metodológico, as definições operacionais influenciam nos resultados das pesquisas.
  2. Em alguns estudos, ganha-se na compreensão da magnitude do problema; em outros, busca-se a sua especificidade, perdendo-se a extensão.
  3. Drogas e álcool tanto podem ser usados antes como depois dos eventos violentos.

Muitas vezes as substâncias são utilizadas como desculpas para violência, para diminuir a responsabilidade pessoal. Outros as usam para simplesmente atingirem um estado emocional que lhes facilite cometer crimes. Há aqueles que consideram o comportamento de beber ou usar drogas como parte da interação grupal.

  1. Muitos, ainda, corroborando a análise de Freud em O Mal-Estar da Civilização, usam drogas para suportar as agruras da vida, como mostram também os estudos de Bastos (1995) e Garcia (1996).
  2. Ou seja, ambos, álcool e drogas em si, dizem pouco enquanto fatores de risco para a violência, e essa articulação merece ser mais investigada, melhor delineada, buscando-se exatamente conhecimentos e práticas que contribuam para a saúde da população.

Por fim, as fontes de dados têm interesses intrínsecos. A fidedignidade das informações dos usuários depende da preocupação que têm com a utilização que se fará de seus relatos. As informações oficiais estão influenciadas por variáveis organizacionais.

  • As informações dos estudiosos levam a diferentes resultados de acordo com as referências conceituais, bases de dados e com os agregados populacionais.
  • As informações das vítimas são diferentes daquelas recolhidas com os agressores.
  • Hoje, o caminho que parece mais correto é analisar o que realmente acontece quando há um evento violento e são usadas drogas.

Isso incluiria o esclarecimento dos motivos e intenções, conhecer as seqüências e interações que redundaram em violência, bem como dados dos acontecimentos que precederam e sucederam o fato em questão. Propostas de parâmetros para intervenção e prevenção Como se pode concluir, é muito complexo o fenômeno da violência e sua articulação com as drogas, exigindo que seja tratado com instrumentos, conhecimentos e ações que ultrapassem a mera representação ou o moralismo simplista.

A atuação dos grupos comunitários em relação ao uso de substâncias e violência sugere que o contexto cultural modera e regula intoxicações e ações violentas. Os segmentos e o contexto influenciam a escolha de substâncias, comportamentos e normas, interpretação da situação e a probabilidade de acontecerem agressões.

É preciso tomar o contexto em consideração, sobretudo quando se trata de situações de alto risco. A análise de eventos deve focalizar conseqüências das interações comportamentais, interações entre substância e pessoa, interações entre pessoas e pessoas, além da quantidade de drogas ou álcool consumidos e o tempo de uso.

As ações produzidas visando à prevenção precisam ser elaboradas incluindo as comunidades e suas instituições, os diversos setores públicos (Educação, Saúde e Justiça), as empresas e os meios de comunicação de massa (OSAP, 1991). Posturas, habilidades e alternativas de lazer podem ser categorias trabalhadas em ações de prevenção.

Tais ações devem ser elaboradas levando-se em conta o contexto a que se destinam e questões fundamentais, como o grupo etário, gênero, características individuais, situação social, tipo de comunidade e participação em grupos específicos. Uma atitude de ‘escuta’, aberta às vivências dos grupos e apoiada numa perspectiva pedagógica centrada no respeito e atenta às peculiaridades sócio-culturais são elementos muito importantes.

Sem dúvida, as ações de prevenção ao abuso de drogas só alcançarão real efetividade se houver um investimento significativo e de qualidade na educação básica, na melhoria das condições de vida, na oferta de emprego sobretudo para jovens de comunidades mais pobres, no reforço cultural de valores que desfavoreçam a drogadição abusiva e na valorização do diálogo e apoio familiar.

A perspectiva de atuação, seja apoiada na visão de redução de danos, seja na abordagem da prevenção primária (MS, 1997), precisa ser respaldada pelo debate entre cientistas sociais e cientistas naturais, entre organizações não governamentais e representantes das secretarias e coordenações de programas de saúde e de outros setores da ação pública, ultrapassando preceitos normativistas da conduta dos indivíduos e preconceitos sociais.

Por outro lado, programas de apoio e tratamento àqueles já dependentes devem ser incentivados, disseminados, descentralizados e tecnicamente apoiados pela Saúde Pública e outras áreas competentes. Tais projetos precisam estar apoiados numa perspectiva de respeito à identidade e cidadania do paciente.

O atendimento a estes usuários dependentes não pode deixar de lado seus direitos como pessoa e sujeito. Entende-se que programas de apoio seriam mais eficazes se acompanhados de trabalho visando mudar as relações entre usuários dependentes, sua família e comunidade.

É preciso, principalmente, pensar e repensar social e politicamente toda a rede de negócios que faz das drogas um assunto criminoso como um dos maiores fatores, hoje, de incremento da violência social. O desafio para a saúde pública, que hoje se preocupa tanto com o uso abusivo de drogas, quanto com a violência, como fatores de risco para a qualidade de vida, é conseguir um quadro referencial para a reflexão e para a ação que inclua ao mesmo tempo o individual, o social e o ecológico. Referências

: A complexidade das relações entre drogas, álcool e violência

O que fazer para parar de cheirar cocaína?

Tratamento da dependência de cocaína – Apesar de não ter cura, a dependência da cocaína pode ser tratada. Isso significa que a pessoa consegue ficar sem usar a droga, mas precisa se manter em abstinência pelo resto da vida, caso contrário os sintomas da dependência voltam.

O tratamento geralmente é feito combinando o uso de medicamentos com psicoterapia, especialmente a psicoterapia cognitivo-comportamental. Não existe um medicamento específico para a dependência da cocaína, mas alguns medicamentos psiquiátricos, como antidepressivos e ansiolíticos, ajudam a controlar o vício.

A terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a pessoa a lidar com gatilhos e com a «fissura» (vontade incontrolável de usar a substância) ao invés de recorrer à droga. O paciente também pode aprender técnicas para amenizar o estresse, que também costuma ser um gatilho.

Como fica as mãos de um usuário de drogas?

Sinais visíveis do consumo de drogas Usuários de cocaína podem ficar com cicatrizes nas mãos em razão das injeções constantes. Fumantes de crack apresentam lesões nas palmas das mãos e dos dedos devido às queimaduras deixadas pelo cachimbo em que consomem a droga.

  • Consumidores de heroína podem ficar com manchas escuras na língua.
  • Um estudo coordenado por Bernardo Gontijo, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), descreve os efeitos colaterais na pele do consumo de drogas e recomenda que os médicos dermatologistas se familiarizem com essas alterações.

: Sinais visíveis do consumo de drogas